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Jornal da FEBRAP - Ano3 - nº4 - Setembro/Outubro de 1986. |
Outras Edições
Editorial: São passados dez anos de fundação da FEBRAP!!!
O entusiasmo resultante da incorporação da espontaneidade e criatividade que aos poucos se erguia como uma nova postura e, o idealismo em levar essa bandeira avante, perpetrou através dos primeiros psicodramatistas brasileiros e das primeiras entidades formadoras em
psicodrama, a fundação da Federação Brasileira de Psicodrama...
Hoje o movimento vem consolidando etapas: é consenso e prática
que já somos um movimento de características próprias com identidade
definida e que se abre para levar e receber conhecimentos sem timidez e sem medo a nível do movimento de psicodrama internacional.
Foram anos de luta intensa! A disponibilidade para o novo e a capacidade de jogar tornou possível congregar pensamentos e propostas,
às vezes, diversos a nível da ideologia e da prática.
Por esses dez anos muitas sociedades de psicodrama se consoliclaram, se renovaram e inovaram até. Novas sociedades surgiram e
surgem. A produção cientifica expande-se! A participação de psicodramatistas em todos os níveis de atuação na sociedade brasileira vai ocorrendo sem dificuldades. Novos caminhos vão sendo construídos
com muita criatividade: mantém-se o trabalho de consultório, mas,
avança-se sobre as instituições universidades, hospitais, escolas,
indústrias, empresas públicas e privadas etc., são realizados psicodramas públicos, fazem-se programas ou intervenções na imprensa escrita,
falada e televisada. A sociedade brasileira aos poucos vai tomando
consciência da existência de nosso movimento como uma proposta
transformadora...
Percorremos, parece-nos, os estágios de nossa matriz de identidade. Importa - todavia - estarmos sempre prontos para as rematrizações
quando novas situações se colocarem num contexto de realidade!
Esta edição do Jornal da Febrap quer compartilhar com todos os
Plicodramatistas brasileiros e com cada uma das Federadas este prazer
de vivermqs juntos este momento tão significativo de nossos 10 anos.
Salve!!
Índice
Pronunciamento do Conselho Normativo e Fiscal aos participantes do 5º Congresso Brasileiro de Psicodrama
No decorrer deste Congresso, nós" conselheiros das entidades federadas à FEBRAP,
sentimos uma sensação de dicotomia entre o espaço vivido
por nós, conselheiros, e o
espaço. vivido junto àqueles
que representamos, neste
Congresso.
Porque? O que acontece?
Não temos representatividade?
Mas, se somos eleitos sociometricamente pelas nossas
entidades, se nos comprometemos a falar por elas, como
entender essa não representatividade? Que coisa é esta
que está subjacente a isto e que
leva as pessoas a se referirem
ao poder como algo imposto de
cima para baixo e não como
algo delegado?
Vemos, no Conselho, nossa
função como normatizadora,
na revisão crítica do psicodrama, na tentativa de compreensão dos diversos segmentos,
na tentativa de crescimento.
As divergências é claro existem, mas convivemos saudavelmente com elas, inclusive
interpretando o confronto
como forma de crescimento. Não
somos uma massa amorfa, mas
uma estrutura dinâmica que se
reve e cresce.
Por isso, pedimos sugestões, pedimos colaboração. O Conselho está aberto a isto, façam-nos propostas; se há um poder delegado, assumam-no também; acreditamos que uma forma de mudança é a participação e compromisso de cada um. Compromisso com crescimento do psicodrama em todos os seus aspectos; e o crescimento do psicodrama não está isolado do crescimento do psicodramatista.
Briguem pelo espaço que reclamam não ter. Se sentem a
opressão, não aceitem o
papel de oprimidos, questionem, denunciem. Exijam isto
de nós a cada momento, com
os Conselheiros de suas entidades.
Pois nós temos este espaço dentro das reuniões do Conselho, estes momentos importantes de critica e revisão. Apoiem ou não, mas dêem-nos na critica, uma proposta. Lembramos que estamos no momento de discussão do processo de eleição da nova Diretoria da FEBRAP .
Gostaríamos de esclarecer
que o processo eleitoral é
feito através de uma assembléia geral composta de delegados das federadas, especialmente designados para este fim
e que estarão votando as
chapas que se inscreverem com
os nomes dos candidatos e a
proposta de trabalho, dentro
do prazo legal.
Trazemos este assunto neste momento, para que todos os psicodramatistas voltem para suas entidades, aproveitando a mobilização e abertura, que este Congresso nos proporcionou e que possam ser multiplicadores deste espaço e dessa conquista democrática. Terminamos agradecendo a todos os psicodramatistas presentes, por nos terem permitido viver este momento de renovação.
Esse ENCONTRO.
(O conteúdo deste pronunciamento foi redigido e aprovado
por todos os conselheiros presentes ao 5° CBP)
Índice
ATOS PÚBLICOS NOS CONGRESSOS VALEM A PENA ?
Regina Fourneaut Monteiro nas experiências públicas surgem as bases do Psicodrama:
-1910 a 1914. Moreno, com 25
anos, faz uma revolução nos
Jardins de Viena com grupos
de crianças em representações
espontâneas;
-10 de abril de 1921. Moreho,
com 32 anos, faz a primeira
dramatização pública em Viena, que é considerada o marco
da fundação do Teatro da Espontaneidade e da criação do
Psicodrama;
-1923. Moreno, com 34 anos,
descobre o Teatro Terapêutico
a partir do Teatro da Espontaneidade, com o caso Barbaril -
Jorge;
-1929. Moreno, com 40 anos,
faz psicodramas públicos no
Carnegie Hall;
-A partir de 1931, com 42
anos, Moreno expõe suas idéias
sobre Psicoterapia de Grupo
na Associação Americana de
Psiquiatria.
Com o Psicodrama, Moreno
traz sua grande contribuição
de mudança: dos métodos verbais aos métodos de ação, dos
métodos psicológicos individuais aos métodos de grupo,
onde a conduta individual é inserida em um marco de referência mais amplo, o grupo.
Desde o I Congresso de Psicodrama, em Serra Negra
(maio de 1978), até o V Congresso recentemente realizado
em Caldas Novas, Goiás, (maio
de 1986), oito anos se passaram
e tive a oportunidade de participar da realização de atos
públicos em suas mais variadas
modalidades, seja em forma de
psicodramas públicos, teatros
espontâneos, jornal vivo ou
sociopsicodramas públicos.
Valeu a pena? Valeu! Por que?
Porque:
-Trabalhos com grandes públicos resgatam a proposta inicial de Moreno e do Psicodrama em suas origens sociopolíticas;
-Os temas que emergem transcendem o individual, o pessoal, e atingem todo o grupo,
a comunidade. Trabalha-se o
conflito além do individual;
-Permite a possibilidade de se
abordarem temas sociais e,
dessa forma, obter-se uma catarse social;
-Abre-se espaço para um trabalho com um conteúdo emocional mais amplo (um grupo
maior), sob "controle terapêutico", diminuindo as tensões e as "atuações" de modo
geral, propiciando um maior
aproveitamento das demais
atividades do Congresso. É um
grande continente para o grupo como um todo;
-Permite a participação
de todos, visto que nas vivências trabalhamos com pequenos grupos (20 a 30 participantes, no máximo) e com a comunidade presente, dividida em
grupos, segundo uma determinada escolha sociométrica;
-Permite a participação dos "acompanhantes" que sempre
estão à margem, já que apenas
podem participar dos eventos
sociais, ou, então de outras
poucas atividades do Congresso, como "penetras";
-lncentivou-me ainda mais a
continuar um trabalho além do
consultório particular, já iniciado em abril de 1984, com o
"Psicodrama das Diretas!", em
prol da votação da emenda
"Diretas-Já", onde vejo um
sentido mais amplo para nosso
.trabalho como profissionais da área de saúde mental, que é
utilizar nosso instrumento de
trabalho, o Psicodrama, em
favor da comunidade, numa
ação concreta e mais ampla junto aos grupos e as organizações populares, que vá além
do consultório particular ou
das instituições acadêmicas.
Faço votos de que o Psicodrama brasileiro cada vez mais
utilize sua espontaneidade e
empregue, nesse sentido, toda
sua vitalidade em seus Cengressos e além deles. Que tal "irmos às ruas" com trabalhos públicos na forma de jornal vivo, teatros espontâneos,
psicodramas públicos ou sociopsicodramas públicos?
Vale a pena!
Biblografia:
Almeida, Wilson Castello.
Psicoterapia aberta. São
.Paulo, Ágora, 1982.
Monteiro, Regina F. et alii.
Teatro da Espontaneidade no
Congresso de Psicodrama. Revista da FEBRAP, 1 (2): 92.
Monteiro, Regina F. A posição do psicodramatista no momento atual brasileiro. O Psicodrama e a realidade social.
Relato de mesa-redonda no V
Congresso Brasileiro de Psicodrama. Caldas Novas, Goiás. Realizado em
15 a 20 de maio de 1986.
Índice
O fim de um congresso - no sentir do Presidente da FEBRAP
Terça-feira, 21 de maio de
1985, 14:30 horas. Em volta da
mesa de almoço, os que ainda
estavam ali, após a saída dos
últimos congressistas.
Contas acertadas, hotel vazio e
uma indefinida é indescritivel
sensação. Não sabia se ria ou
se chorava. Olhava de um
para outro, Alfredo, Paulo,
Rôsaly, Célia, Luiz Carlos,
Puri, Eleusís, Mônica e as
palavras' saíam ora em tropel,
ora meio apagadas.
Alegria e tristeza, simultânea e concomitantemente,
como em um sonho que acaba
de acabar. Fim. Morte. Enterro
de um Congresso, que agora só
renascerá na mente das pessoas.
Durante os 07 dias que ali
passamos (a Comissão), vivemos as mais variadas emoções. Recebemos, todos, o elogio e a
agressão, o abraço e a indiferença, o sorriso e a mordida.
A sensação maior, no entanto, ficou por conta do "produto acabado". A certeza, sobretudo, pelo que recebemos de feed-back dos
companheiros e após nosso
próprio processamento de
que, afinal, foi um bom encentro. A parte a questão da Hotelaria, de resto fora do
controle da Comissão Organizadora, acreditamos que
evoluímos. O tema do Congresso, privilegiando os aspectos teóricos, mostrou que
estivemos no caminho certo. Não existem dúvidas acerca
da qualidade do trabalho desenvolvido. Os novos tiveram
oportunidade de mostrarem o
que fazem, na medida em que
houve espaço para tal. Os
psicodramas públicos, a abertura aos estrangeiros, os trabalhos específicos para
supervisores, o processamento teórico das atividades
vivenciais, nos dão a clareza
de que soubemos aproveitar
bem, a experiência das diretorias e Congressos anteriores.
Crescemos, e para melhor.
A mim, sobra-me a sensação
do dever cumprido, junto aos
companheiros de Diretoria e
de Comissão Organizadora. Acredito mesmo, que a qualidade superou as dificuldades. Olhando para trás, vejo que o sorriso às vezes apagado do pessoal da organização, torna a se acender, com a percepção da "obra-prima".
Foi bom trabalhar com todos. Foi bom receber a todos,
de Manaus a Porto Alegre .
A minha alegria é poder
agradecer, hoje, de público,
aos que fizeram o Congresso,
nos seus dias de realização.
Aos professores, diretores de
vivencias, de atos públicos,
apresentadores de trabalho,
todos enfim, que com suas
caracteristicas próprias, coloriram pessoal e cientificamente, este nosso ato maior de
encontro.
Mas, principalmente, meu
agradecimento maior se volta
aos bastidores. Aos que, durante mais de um ano, prepararam, viveram, sofreram, tornando-o possível. O obrigado
vai para você, Paulo, que presidiu toda a "bagunça ordenada", do antes e do durante;
para você Alfredo, que comunicou as nossas "ansiedades"; a você Ceres, que brigava
pelo dinheiro e pelas contas da FEBRAP e do Congresso;
a você Célia, que apesar das
doenças esteve sempre presente; a você Luiz, pela paciência, junto com sua equipe
na montagem do programa
científico; a você Eleusis, pelo
incansável andar de um lado
a outro, buscando satisfazer a todos; a você Cirinéia, responsável científica inicial,
que forneceu subsídios para os
temas das mesas; a você
Vannuzia, que destrinchou
a secretaria nos seus momentos
finais, a vocês outros, Pires,
Wilma, Josely, Célio, Nise,
Oraida, Eldo, Janice, Silvana, Manoel, Angela, Dorcilia,Puri, Nivea, Roberto, Andiara, Linamar, Isa, Therezinha,
Elivar, que de uma maneira
ou outra, envolveram-se e participaram de forma significativa. Obrigado, a vocês, Navarro pelo incentivo sempre e
pelas idéias, a você Tiba,
que sendo o único "estrangeiro" na Comissão deu uma
força enorme, e a você Mônica, o sorriso e a eficiência
permanentes.
Obrigado a você, Rôsaly,
que além das doenças em
família e da Coordenação
Científica, ainda encontrava
espaço para continuar companheira, arrumando força nos
momentos de angústia, onde
não tinha um Geraldo-marido, mas um marido Presidente da FEBRAP .
Estivemos juntos, todos,
em torno deste ideal. Quantas vezes "brigamos em
família", para encontrarmos o
caminho melhor para a FEBRAP. Quanto nos custou,
mantermos alerta a bandeira
dos nossos propósitos, em
nome de uma causa que acreditamos. Quanto aprendemos, e
quanto foi bom. Acho que tão
cedo, não esquecerei o sofrimento que tivemos, da
mesma forma que tão cedo não
esquecerei a alegria que tudo
isto trouxe. Fica hoje, para
trás, as dificuldades com o
hotel, e surgem as consequências saudáveis do resultado
obtido.
Foi-se o Congresso. Fim.
Acabou-se.
Fica o julgamento de cada
um, que só irá contribuir para
uma melhora de nosso trabalho
e de nosso existir psicodramático.
Creio, e creio que cremos
todos, da Comissão Organizadora e da FEBRAP, que avançamos mais e que efetivamente, continuamos a contribuir, para o crescimento do
legado de Moreno.
Eu creio nisto tudo. Creio no
que faço. E por isso é que
faria de novo.
Geraldo F. do Amaral
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