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· Dito e Feito: A FEBRAP ontem, hoje e amanhã
· Editorial: A FEBRAP na Contemporaneidade
· Psicodrama: espaço da transformação para atender às demandas sociais
· Uma experiência gratificante
· Esperança e outros discursos
· Um balanço das nossas memórias
· Psicodrama: uma elipse ascendente
· Resgate da história e de "estórias"
· Haveria uma linha demarcatória para o hoje, "antes de" e "depois de"?
· Nos momentos de crise
· Uma experiência enriquecedora para todos
· Registros que fazem a história
· Componentes da FEBRAP 2001-2002

Outras Edições


 

Dito e Feito: A FEBRAP ontem, hoje e amanhã
Heloísa Fleury
Presidente da FEBRAP nas 12ª e 13ª gestões

Assino pela última vez esta coluna como Presidente da FEBRAP. Ao final de duas gestões, ultrapassado o período de planejamento e execução de metas, finalizo avaliando os resultados.
Iniciar uma gestão financeira, reconhecer os talentos regionais e a diversidade das Instituições Federadas, na função de Diretora de Administração e Finanças 1997/1998, foram os estímulos para identificar o potencial da FEBRAP.

Tendo como referência o propósito dos pioneiros que fundaram a FEBRAP e consciente das dificuldades institucionais, as Diretorias Executivas de 1999 a 2002 apoiaram-se em 3 diretrizes norteadoras: agregar competência e reconhecimento às Federadas através do credenciamento dos Cursos de Formação de Psicodramatistas no MEC; promover o reconhecimento científico e social do Psicodrama, recriando as estratégias de divulgação, e estabilizar politicamente a FEBRAP, priorizando o coletivo.

A Re-significação do Ensino de Psicodrama, tema do V Encontro Nacional de Professores e Supervisores de Psicodrama, em 1999, iniciou-se com a aprovação de indicadores para subsidiar discussões de projetos de ensino, formulação de diretrizes curriculares e de uma carreira de titulação para os profissionais em formação. A Aplicabilidade do Psicodrama, tema dos Encontros das Regionais, em 2001, aprofundou as reflexões sobre a pluralidade do Psicodrama e a necessidade de estudos voltados para as peculiaridades, limites e alcances da prática contemporânea. A Diretoria Executiva apoiou a pesquisa, criou a biblioteca on line, resultante da catalogação do acervo científico do Centro de Documentação e Informação da FEBRAP, e procurou facilitar a aproximação científica das Regionais pesquisando o alcance da Educação à Dist&acir c;ncia. Somaremos conquistas protocolando o pedido de credenciamento ao MEC ao final desta gestão.

Parcerias, Resgates e Resolutividade (2000) e Raízes, Transformações e Perspectivas (2002), temas dos 2 últimos Congressos, reafirmaram a abertura para o debate científico e a criatividade dos psicodramatistas no desenvolvimento de novas modalidades de atuação. Sinalizaram novos referenciais da teoria e prática psicodramática, função que a Revista Brasileira de Psicodrama desempenhou nestes 10 anos, agregando valor à apresentação do Psicodrama e das Federadas para a sociedade e instituições de áreas afins.

Em 1999, o II Congresso Ibero Americano de Psicodrama e o I Encontro Brasileiro de Psicoterapias Grupais apresentaram à comunidade científica internacional o vigor e o paradigma conjuntivo que caracterizam a FEBRAP e somados à apresentação institucional das contribuições científicas dos escritores brasileiros, garantiram à FEBRAP a parceria com a IAGP - Associação Internacional de Psicoterapia de Grupo para a organização no Brasil, em2006, do 16th International Congress of Group Psychotherapy. As equipes abriram espaço para o desenvolvimento científico e a apresentação do Psicodrama à comunidade nacional e internacional de profissionais que trabalham com grupos. Nos próximos 4 anos, a FEBRAP coordenará a organização deste evento e a busca de parcerias e intercâmbios com outras instituições que desenvolvem e teorizam sobre trabalhos grupais.

A última gestão trabalhou numa proposta renovada de divulgação do Psicodrama, apoiando intervenções psicossociais com avaliação de resultados, visando agregar profissionalismo e competência à imagem do Psicodrama no âmbito social, além de atender a novas demandas da sociedade por profissionais especializados no trabalho com grupos. Considerando a diversidade de competências da rede e dos psicodramatistas associados, planejamos a Campanha Nacional de Divulgação do Psicodrama. Acreditamos no desenvolvimento institucional da FEBRAP. Utilizando a metodologia socio-psicodramática para facilitar discussões políticas, os representantes das Federadas identificaram prioridades e transformaram nosso modelo político. Sem dúvida, a Federação cresceu ao reconhecer a necessidade de otimizar recursos e promover novas análises estruturais para a sustentabilidade das Federadas. Esperamos que tanto as ações propulsoras de avanços como os desacertos possam inspirar o Fórum Gestor da FEBRAP para novos percursos criativos.

Agradecemos aos Representantes Regionais e às Federadas pelo apoio e questionamentos que vitalizaram caminhos de interlocução e a todos que disponibilizaram tempo e dedicação para o Psicodrama brasileiro. Desejamos uma profícua gestão para a DE 2003/04. Agradeço a contribuição das duas equipes da Diretoria Executiva. Juntos reconhecemos o valor do compromisso com o interesse coletivo e trabalhamos numa ação conjunta e coesa para o desenvolvimento da FEBRAP e do Psicodrama.

Diretoria da gestão 2001/ 2002

Presidente: Heloísa Junqueira Fleury
Diretoria de Ensino e Ciência: Madalena Cabral Rehder;
Diretoria de Eventos Culturais: Waldeck D'Almeida;
Diretoria de Comunicação e Divulgação: Carlos Alberto Souza Borba;
Diretoria de Administração e Finanças: Terezinha Tomé Baptista;
Suplentes: Dulcinea Cassis e Edite Xavier

Diretoria da gestão 1999/2000

Presidente: Heloísa Junqueira Fleury
Diretoria de Ensino e Ciência: Teresinha Maria Dezen Gaiolla;
Diretoria de Eventos Culturais: Carmita Helena Najjar Abdo;
Diretoria de Comunicação e Divulgação: Carlos Alberto Souza Borba;
Diretoria de Administração e Finanças: Maria Silvia Junqueira Wolff; Suplentes: Fátima Cristina Costa Fontes e Maria Eveline Cascardo Ramos

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A FEBRAP na Contemporaneidade
Carlos A. S. Borba Diretor de Divulgação e Comunicação

Encerramos com este número do Jornal "Em Cena" nossa gestão 2001/2002 escolhendo como tema os 26 anos de criação da FEBRAP, homenageando as 13 diretorias, através das palavras dos seus presidentes. Apesar de meu empenho um deles não respondeu à minha solicitação.

Como todas as matérias assinadas, na mídia escrita, elas refletem a opinião dos seus autores. Em função de eventuais polêmicas, resolvemos desta feita enviar o jornal somente para os 3 mil associados das federadas e não para os 6 mil de nossa mala direta, como em números anteriores. Em nossa gestão a FEBRAP completou seu Jubileu de Prata em 26 de agosto de 2001.

A FEBRAP nasceu no dia 21 de agosto de 1976 na Rua Real Grandeza 182 - casa 5- Botafogo/ Rio de Janeiro. Ela portanto é carioca, carioca da gema, no dizer do poeta. Seu "locus nascendi" foi a Regional Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Psicoterapia, Dinâmica de Grupo e Psicodrama, em Assembléia Geral presidida, por José Fonseca Filho - principal idealizador (Presidente SOPSP na época) eleito por aclamação, que indicou J.T. Diefenthaeler - in memorian (Associação Sulriograndense de Psicodrama) para secretariá-lo. Esta assembléia ocorreu durante um Encontro Nacional de Psicodramatistas. A ata de fundação foi assinada pelo seu presidente, secretário e pelos seguintes colegas.

Ronaldo de Carvalho Fº - in memorian - Regional do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Psicoterapia, Dinâmica de Grupo e Psicodrama.
Alfredo Correia Soeiro - Instituto Brasileiro de Psicodrama.
Waldeck D`Almeida - Associação Bahiana de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo.
Maria Rita Seixas - Associação Brasiliense de Psicodrama.
Iedo R. Borges - Instituto de Psicodrama de Ribeirão Preto.
Hélio Koscky - Sociedade Brasileira Psicoterapia, Dinâmica de Grupo e Psicodrama Belo Horizonte - Regional Minas Gerais.
Neli Klein do Valle - Centro Paranaense de Estudos Psicodramáticos.
Dario H. Garcia - Grupo de Estudos de Ribeirão Preto da S.B.P.D.P.
Estavam também presentes nesta reunião Paulo Renato Rodrigues e Flávio S. Pinto (Rio Grande do Sul), Maria do Carmo Corradini (Paraná), Pierre Weil (Minas Gerais) José M. D`Alessandro (São Paulo), Íris Soeiro (São Paulo) e Gislene Pena (Pernambuco - por procuração).
José Carlos Salzani - Associação Campineira de Psicodrama e Sociodrama.
José Carlos Landini - Soc. Psicodrama e Psicoterapia de Grupo de Campinas.
Luiz M. Silva - Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama. Victor R. C. S. Dias - Associação Psicodrama "Sedes Sapientiae".

Conforme decisão plenária a Assembléia Geral transformou-se em permanente e continuou no dia 30 de outubro de 1976 na sede Sociedade de Psicodrama de São Paulo à Rua Dr. Seng nº43, onde foi eleita sua primeira diretoria, tendo como presidente Içami Tiba (criador do logo da FEBRAP).

Sua ata de fundação foi registrada no Tabelião Firmo à Rua Estados Unidos 1714 na cidade de São Paulo em 13 de maio de 1977.

Todos esses dados foram retirados da Ata de Fundação da FEBRAP - Projeto Memória do Psicodrama no Brasil. Apesar de carioca da gema, ela é paulistana de registro. Durante alguns anos viveu em outras cidades, hoje mora aqui. Estamos em pleno processo eleitoral febrapiano que designará seu novo destino.

Desfrutemos as lembranças e recordações dos vivenciados e preparemo-nos para a transversal do tempo. Um abraço do tamanho do país.

P.S. Um dos ex-presidentes não enviou o artigo solicitado, mas abrimos um espaço aqui para o registro de sua gestão:

10º gestão: 1995 - 1996
Presidente: Oswaldo Politano Jr.; Diretoria de Eventos Culturais: Wilma Silveira Bueno ; Diretoria de Ensino e Ciência: Marlene Magnabosco Marra; Diretoria de Infra-Estrutura: Vera Cecília Motta Pereira; Diretoria de Divulgação e Comunicação: Silvia Regina Antunes Petrilli; Suplentes: Manoel Dias Reis e Marcia Amadeu Bragante

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Psicodrama: espaço da transformação para atender às demandas sociais
Marlene Magnabosco Marra
Presidente da Febrap na 11ª gestão

"As condições políticas são o solo em que se formam o sujeito, os domínios do saber e as relações com a verdade. A própria verdade tem uma história". (Michel Foucault)

O tema "O Psicodrama Ontem, Hoje e Amanhã" nos remete ao futuro. O que já construímos desde a criação de Moreno é nossa base de sustentação.

Esse referencial teórico-prático de intervenção e pesquisa situa-se dentre as escolas de pensamentos atuais que compõem a pós-modernidade, por dar sustentação a um diálogo epistemológico entre outros sistemas de idéias.

Agora é o espaço da transformação para atender às demandas sociais tão prementes de solução. Para isso é preciso refletir, avaliar e também planejar e estabelecer objetivos para qualquer prática, seja ela educativa, social ou política, como nos coloca Pedro Demo.

Para contemplarmos a necessidade de refletirmos e avaliarmos sobre esses novos tempos, recorremos à nossa gestão 97/98 e constatamos, pelos nossos feitos, que a Diretoria Executiva da Febrap, enquanto uma de suas instâncias, é um espaço político, gestor de estratégias e ações para o desenvolvimento da Federação e consequentemente para o Movimento Psicodramático Brasileiro.

Nessa gestão, priorizamos organizar e dar infra-estrutura para efetivação de projetos; administrar os recursos disponíveis e conseguir novos recursos para manter a Federação responsiva às demandas da atualidade.

A maior conquista foi a expansão de seus horizontes, ao eliminar as distâncias por meio da criação de sua home page, da criação do jornal Em Cena e do aprimoramento de sua rede de comunicação, que propôs aproximar os psicodramatistas, sem limites de fronteiras, favorecendo o compartilhar de suas experiências.

Buscamos, também, lançar as federadas por meio da nossa home page, além de divulgá-las em folders e stands de congressos. Outros projetos importantes foram realizados, como: indexação da Revista Brasileira de Psicodrama, na LILAC; regularização das titulações de profissionais de notório saber no Movimento Psicodramático Brasileiro; finalização do projeto Memória do Psicodrama; incentivos a projetos amparados na Lei do Incentivo à Cultura; criação de cadernos de programas de ensino e monografias desenvolvidas nas federadas; catalogação de acervo de fitas e biblioteca; organização dos arquivos e regularização da documentação da Febrap; incentivo à filiação de psicodramatistas brasileiros na IAGP e aumento da representatividade brasileira nesta associação.

Gestou encontros científicos de expressão, alguns inéditos, como: IV Encontro Latino Americano de Psicodrama, II Congresso Ibero Americano de Psicodrama e I Encontro de Psicoterapias Grupais.

Essas ações nos coloca diante da necessidade de darmos maior relevância e relacionarmos de forma complexa com os fenômenos com os quais estamos convivendo. Novos pressupostos devem ser incorporados na atuação dos psicodramatistas. Compreender um fenômeno social é estar em um processo de vivência histórica e política, pois essas dimensões contêm o horizonte da potencialidade humana. É a arte do possível e a perspectiva da criatividade.

Propor intervenções em diversos níveis integradas a um projeto de pesquisa, juntando orientações teóricas diversas sem negligenciar o contexto local, global e ainda o conjunto das situações que dão emergência ao fenômeno pesquisado.

Entendemos, então, que o futuro do Psicodrama no Brasil é o investimento na Socionomia como pesquisa, ação, educação, ética e clínica social.

Diretoria da gestão 1997/1998
Presidente: Marlene Magnabosco Marra;
Diretora de Ensino e Ciência: Ana Maria Fonseca Zampieri;
Diretora de Comunicação e Divulgação: Maria Cecília Veluk Dias Baptista;
Diretoria de Eventos Culturais: Carlos Alberto Souza Borba;
Diretoria de Administração e Finanças: Heloisa Junqueira Fleury;
Suplente: Dalka Chaves de Almeida Ferrari

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Uma experiência gratificante
Luiz Amadeu Bragante
Presidente da Febrap na 9ª gestão

A Diretoria da FEBRAP eleita para o biênio 93/94, a qual tive o prazer e o orgulho de presidir, era composta por Rosa Lídia, Oswaldo Politano, Sérgio Perazzo, Ivete Datner... contamos ainda com a preciosa colaboração de Wilson Castelo de Almeida que viabilizou o projeto da Revista Brasileira de Psicodrama (até hoje a menina de seus olhos). A eles o meu mais sincero agradecimento.

Psicodramatista que sou, penso em cenas e portanto, monto o cenário. Fomos eleitos após a total reformulação dos Estatutos da Federação, esta reformulação teve por base uma ampla pesquisa na qual todos os psicodramatistas foram consultados, executada na gestão de Geraldo Massaro. Nossa missão era implantar o novo Estatuto que entre outras continha algumas diferenças marcantes em relação ao modelo anterior.

Cito de memória, por favor perdoem os lapsos, as diferenças mais marcantes e não por ordem de importância: a FEBRAP passava a ter uma sede fixa; deixava de existir o Conselho Normativo Fiscal; eram criadas as cinco regionais; era criada a Câmara de Ensino e Ética; e poderiam ser aceitas como filiadas entidades com fins lucrativos.

Algumas destas mudanças, a meu juízo, foram bastante bem sucedidas e trouxeram à Federação uma maior organização e, portanto, benefícios a todos os psicodramatistas.

Não é difícil de imaginar a confusão e os gastos desnecessários que uma mudança de sede de dois em dois anos trazia à FEBRAP. Hoje ela tem uma sede fixa com todas as questões jurídicas e fiscais convenientemente acertadas. Antes disto, a situação era tão amadora que os documentos da Federação, em geral, ficavam guardados em algumas filiadas ou embaixo das escadas do consultório do Presidente. Abrir uma simples conta no banco era quase um milagre; pedir e conseguir patrocínio para uma entidade sem endereço fixo, isto sim, era um milagre...

O temor de que uma sede fixa em São Paulo centralizasse aqui o poder me parece que não se concretizou. Acho que conseguimos diferenciar questões políticas de questões administrativas, depois disto, já tivemos dois presidentes que não residem em São Paulo. Mas nem tudo são flores....

Quando foram criadas as regionais e a Câmara de Ensino e Ética esperávamos que de alguma forma elas preenchessem o vácuo criado com a extinção do Conselho Normativo Fiscal (CNF). Para quem não sabe, era uma reunião semestral de todas as entidades do Brasil, que acontecia uma vez em cada lugar. As despesas eram muito altas, os deslocamentos muito desgastantes, as reuniões acaloradas, mas era ali que tínhamos o foco político da FEBRAP. No antigo CNF, as tensões políticas eram explicitadas e o saudável e democrático (as vezes não tão saudável, mas sempre democrático) confronto de idéias tinha seu espaço.

Hoje, me parece, que isto não acontece. As regionais (não consigo perceber porque) não se efetivaram e o espaço político ficou muito reduzido. Tão reduzido que todos os presidentes, desde então, foram membros da Diretoria, sendo que pela primeira vez tivemos, inclusive, uma reeleição.

Talvez nem todos os meus colegas ex-presidentes concordem comigo, mas para mim ter sido presidente da FEBRAP foi muito gratificante e desde que estive lá a FEBRAP se tornou uma espécie de filho. E filho a gente sempre cuida e zela, mesmo à distância.

Precisamos, não sei de que maneira, instalar um foro de institucional de discussão política, mesmo que custe caro. O Movimento Psicodramático Brasileiro precisa deste espaço para poder continuar a crescer.

Diretoria da gestão 1993/1994
Presidente: Luiz Amadeu Bragante
Diretor de Ensino e Ciência: Yvette Betty Datner;
Diretor de Eventos Culturais: Oswaldo Politano Jr.;
Diretor de Infraestrutura: Rosa Lídia Pacheco Pontes;
Diretor de Divulgação e Comunicação: Sérgio Perazzo;
Coordenador Executivo da Diretoria de Divulgação e Comunicação: Vera Cecília Motta Pereira;
Suplente: Manoel Dias Reis

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Esperança e outros discursos
Geraldo Massaro
Presidente Febrap na 8ª gestão

Um objeto é o significado que lhe damos. E o significado que lhe damos dependerá de quem somos enquanto pessoas e do qual grupo social optamos por pertencer.

Assim, o que o psicodrama é, enquanto objeto social, depende de como nos definimos como psicodramatistas e dos acordos/desacordos estabelecidos pelos diferentes grupos que compõem a constelação ideológica do psicodrama. Cada um desses grupos enuncia conceitos e práticas nos quais acreditam, e tentam, com eles, dar caminhos ao psicodrama. É o poder em sua materialidade.

ONTEM o psicodrama era principalmente esperança. Vontade de transformar as pessoas e a cultura. Acreditávamos nisso e íamos aos nossos consultórios, às nossas instituições e mesmo às ruas, onde as hierarquias são quebradas, levar essa mensagem. Vibrávamos com cada sucesso e chorávamos cada derrota. O psicodrama era a utopia de um Moreno europeu. É bem verdade que, por trás disso tudo, existiam outros psicodramas, com outras falas e outras práticas. Mas esse era o significado que a grande maioria lhe dava.

Algumas coisas mudaram. HOJE o psicodrama traz outros discursos. Hoje é velocidade, é informação, é artifício. Não é busca, é afirmação, mas afirmação objetivante do nada. Pouco soma, mais divide. Pouco agrega, mais exclui. Pouco tensiona, mais apazigua. Pouco cria, mais usa. Pouco produz, mais vende. Pouco catalisa, mais organiza. Aqui também outras falas e práticas permanecem subalternas. Mas esse é o predomínio.

Sinal de maturidade, enunciarão alguns.
Precisamos recusa-lo, dirão os outros.
Mas é, sem dúvida, um psicodrama típico da época a qual vivemos
E AMANHÃ, que significado lhe daremos?

Diretoria da gestão SP/SP 1991/1992
Presidente: Geraldo Massaro; Vice-Presidente: Maria Rita Seixas; 1º Secretário: Adoração Gil Cliquet;
2º Secretário: Marcia Braga Cliquet; 1º Tesoureiro: Lúcia Cristina Z. Della Nina; 2º Tesoureiro: Tereza N.V.P. Pires; 1º Suplente: Dácio Bonaldi Dutra

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Um balanço das nossas memórias
Alexandre Bhering
Presidente da Febrap na 7ª gestão

Falar do passado, sem deixá-lo passar, de forma a pegar o sumo do que interessa, lembro que o momento era o consenso de que a mudança se impunha. A temática se referia ao quanto a institucionalização sacrificava os fundamentos e, em se tratando de Psicodrama, tudo parecia mais grave, em função do fato dessa abordagem convocar no humano sua espontaneidade.

A retórica guardava certa analogia com o movimento psicanalítico, que por sua vez, já vivia crises constantes e buscava revigorar o aporte freudiano em sua proposta mais radical, enquanto uma certa recusa de institucionalizações domesticadas e domesticadoras.

A Febrap tinha conseguido um bom prestígio, no que diz respeito a normatização, formação de psicodramatistas e filiação das entidades. Encarregava-se de contatos com instituições afins e também internacionais, participando de congressos em outros países e se filiando ao IAGP, que reúne profissionais que trabalham com grupos em linhas diversas e formas variadas.

Difícil era conseguir uma reflexão apurada com suficiente compreensão do porque não dava mais para continuar como estava. Somava-se a isso o custo enorme para Instituições freqüentar as reuniões do Conselho Normativo, obrigatórias para os membros filiados e altamente onerosas para maioria, inclusive de São Paulo. Embora o apelo já aí estivesse, mexer com isso era mexer com toda estrutura de poder vigente e a força de São Paulo era notória, pois hoje diria que as demais instituições participavam, na verdade, das dinâmicas cúmplices e antagônicas, das entidades paulistas.

Éramos tipo ego-auxiliares de políticas históricas que muitos recusavam a admitir que nunca haviam sido elaboradas pra valer e se disseminavam de forma tanto esclarecedoras como sinistras e obscuras.

Ao mesmo tempo, diga-se, que Psicodrama de fato, só em São Paulo, matriz inicial e capital do movimento psicodramático. Não conseguimos gerar outras escolas fortes, de qualidade em outros pontos do país, pese o esforço de pessoas talentosas e inteligentes que bem tentaram.

Mas o Psicodrama, na verdade, encolheu muito e o movimento também.

Tudo isso, já era visível acompanhando a crise dos saberes psi nos grandes centros culturais e a própria Psicanálise mostrava que a crise de credibilidade era pra valer. Depois de certo patamar, onde os saberes psi tinham avançado em conquistas e conquistado espaços importantes, inclusive em instituições onde o grupo era um lugar privilegiado de tratamento com concepções destacadas principalmente da escola francesa, houve uma certa retração. O Psicodrama que, de certa forma, também vinha no rastro dessas conquistas como uma metodologia grupal, não pode oferecer contribuições muito úteis de compreensão, pois reflexões críticas e atenções históricas, nunca foram o forte dos psicodramatistas, um tanto ou quanto endêmicos em sua forma de pensar.

Os tempos já exigiam reflexões mais apuradas em âmbito geral, e ainda discutíamos de forma metonímica coisas obsoletas e antigas, com tamanha dificuldade. Tínhamos ficado antigos e pouco renovadores, nada criativos, na contramão da proposta moreniana que, por sua vez, oferecia poucos recursos para novas compreensões, o que dava ensejo a pseudos conceitos muito fracos e miméticos a outras teorias.

A cada Congresso lá vinham eles com ares de descoberta e transformação, procurando adeptos, em geral estudantes pouco esclarecidos e prontos a comprar mercadorias com gosto de novo. Por outro lado, alguns mais endinheirados já viajavam e faziam ponte com outros centros de excelência do Psicodrama e aqui, o alvo era Zerka Moreno, a mulher de Moreno. Ser amigo, aluno, ou qualquer outra coisa dessa dama histórica era um prestígio e tanto que aproveita-se bem com marketings sofisticados.

Algumas dessas figuras ainda hoje estão por aí, com seus marketings bem sucedidos, tornaram-se conselheiros para assuntos sentimentais do público leigo. São os mesmos, que, em Congressos internacionais, corriam pra lá e pra cá em busca de contatos com estrangeiros, para serem conhecidos e terem livros publicados. Não participavam ativamente do movimento em suas vicissitudes, mas faturavam sempre e tinham público cativo, vinham como estrelas que, na falta de brilho maior, faziam firulas de iluminação, como fogos de artifício.

Os poucos que realmente procuravam uma produção séria, estudiosa, ficaram talvez enclausurados demais em consultórios particulares e vivendo um tanto ou quanto na linha de uma omissão rentável, enquanto outros simplesmente deserdaram para outras bandas.

Com tudo isso, não era de estranhar que toda reunião era tematizada do ponto de vista das transformações, que na verdade ficaram em outro lugar, um tanto melancólico, perdido na propostas ingênuas de Moreno, em seu projeto socionômico que nunca aconteceu em lugar nenhum, a não ser em mesa redonda.

A tal espontaneidade, que até hoje não se diz do que se trata, à guisa de uma libertação dos condicionamentos e conservas culturais, é uma idéia talvez estranha, principalmente aos psicodramatistas. Continuam, talvez, batendo no mesmo lugar, cada vez mais enfronhados em consultórios particulares, preocupados com seu ganha pão diário, custoso por si só, para terem mais trabalho.

A produção de novas idéias parece ter ficado mais escassa e por isso circulando entre adeptos, sem uma acuidade, mais interessante. Moreno parecia sonhar e tem méritos, diga-se. Propunha algo para inquietos e talvez proféticos. Desenterrou criaturas honestas, mas talvez formatadas demais para uma revolução de costumes, principalmente se isso implicar em confissões sinceras de um grupo que se mostrou retraído demais para tal empreitada. Hoje vive-se de memórias, como o tema desse artigo, num tipo de naufrágio para o qual não haja retorno.

Mas foi o lugar onde aprendi muito e agradeço não só ao Psicodrama, mas também a comunidade de psicodramatistas que muito me acolheu e me foi de extrema parceria em momentos difíceis da minha vida. E se pareço um pouco áspero nas críticas, quero dizer que não foi outra a proposta de nossa gestão, que de certa forma deixou o legado das transformações que hoje parecem vigir no movimento. Moreno é tão genial quanto ingênuo, tão tolo quanto esperto. Mas quem de nós não é? Talvez seu maior mérito seja esse, ou seja, sonhou e nos convenceu de forma talentosa. Mas somos filhos de outro tempo e por isso temos outros compromissos históricos. Compreender isso é vital, as custas de vivermos do que já não sabemos mais falar do que se trata. E toda questão do futuro me parece aí.

Mas valeu e muito obrigado aos que me acolheram, aos que me foram antagônicos e aos que ainda me convidam para dar depoimentos.

Diretoria na gestão RJ/RJ 1989/1990
Presidente: Alexandre Ribeiro Bhering;
Vice-Presidente: Carlos José Landini; 1º Secretário: Ana Maria Lina de Almeida; 2º Secretário: Angelina Maria Lisboa Patacho; Tesoureiro: Maria Antônia Simões de Freitas; 1º Suplente: Maria Helena Nazaré; 2º Suplente: Maria Augusta Batista Souza

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Psicodrama: uma elipse ascendente
Maria Luisa Soliani
Presidente da Febrap na 6ª gestão

Ao receber a carta de Carlos Borba com o gentil convite para escrever um texto sobre "O Psicodrama Ontem, Hoje e Amanhã", para o Jornal Em Cena, fiquei muito feliz mas tomei um susto.

Há tempos não via escrito - "ex-presidente da FEBRAP Gestão 1987 - 1988". Não. O problema não era ler a expressão ex-presidente mas conferir a data! Quinze anos haviam transcorrido e eu, praticamente, não percebera.

Como, então, falar do passado, do presente e do futuro? O que havia ficado lá atrás, preso na memória que pertencia só a aquele tempo? O que atravessara o portal do século 20 e estava aqui, no meu presente? O que invadiria o futuro?

Sem dúvida muita coisa aconteceu durante esses anos. Muita água rolou sob a ponte... Naqueles idos dias e, para alguns mais jovens, talvez isso seja difícil de conceber.

Nossa produção científica apenas se esboçava, mas já estava lá a preocupação em gerar conhecimentos relevantes que acabaram desembocando em um número cada vez maior de artigos, livros e teses consistentes.

Muitos mestres e doutores psicodramatistas foram gestados e vieram a luz. O lugar do Psicodrama, na academia, tornou-se indiscutível.

Os ensinamentos de ontem - espontaneidade, criatividade, trabalho em grupo, capacidade de jogar variados papéis - que pareciam pertencer a um mundo exclusivo das preocupações dos psicodramatistas estão em toda parte, até nos anúncios de emprego: "Procura-se pessoas criativas, que saibam trabalhar em equipe e que tenham múltiplas habilidades"! É este, de modo geral, o perfil do profissional requisitado, não importa a área.

Moreno, talvez, gostasse de se ver espelhado, ou melhor, de ver o seu "homem saudável" ser procurado em todas as partes. Ou, talvez, se entristecesse ao ver o seu "homem saudável" tão explorado pelo mercado.

De qualquer modo fomos para a rua, nosso vocabulário caiu na "boca do povo", mesmo que, muitas vezes, só na boca. Nosso movimento fez uma grande curva sobre si mesmo, numa elipse ascendente. Saiu das ruas, praças e teatros da época de Moreno, na primeira metade do século passado e foi para os consultórios, na década de 70.

Transitou pelo mundo do trabalho e da educação, um pouco como filho menor e sem os direitos de primogênito. Depois, descobriu-se filho único e afirmou, na década de 90, seu orgulho de ter nascido nos palcos do mundo, coisa que tentava esconder anos atrás.

Ganhou as ruas do novo século, numa grande onda paulistana que acompanhamos, todos, temerosos, emocionados e cheios de esperança com os espaços recém-reconquistados.

E quando digo todos, falo dos psicodramatistas atuantes e também daqueles que desertaram em busca de outros pontos de ancoragem.

Falo também de mim, que me afastei da clínica, transitei pela psicanálise, me apaixonei pela educação, mas continuo vendo o mundo com as velhas lentes que ganhei de Moreno nos meus 20 anos.

Elas ainda são tão boas, tão bem adaptadas a minha face que se tornaram imperceptíveis até mesmo para mim. Me pego psicodramatista o tempo todo. Me redescubro psicodramatista em cada dificuldade que enfrento.

Os fundamentos da teoria permanecem. O método e as técnicas morenianos não se apagam. Deslocam-se, modificam-se, são criados e recriados. Novos aportes teóricos chegam e nos fazem repensar.

Realizamos diversas operações de modo que o novo junta-se ao antigo e mesmo sem querer, sem perceber continuamos psicodramatistas.

E o seremos no futuro! Porque aqueles que escolhem ou, quem sabe, são escolhidos pelo Psicodrama trazem consigo uma marca indelével, a qual aproxima jovens e velhos, une o passado ao presente, e nos ajudará a atravessar o século, em direção ao amanhã: o desejo de agir e modificar o mundo.

Diretoria na gestão Salvador/BA 1987/1988
Presidente: Maria Luiza Soliani Vice-Presidente: Paulo Sérgio Amado dos Santos 1º Secretário: Romélia Santos 2º Secretário: Simone Tereza T.C. e Silva Franco Tesoureiro: Antônio Carlos Costa 1º Suplente: Neuza Maria de Carvalho Castilho 2º Suplente: Sandra Bandeira Caria D'Almeida

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Resgate da história e de "estórias"
Geraldo Francisco do Amaral
Presidente da Febrap na 5ª gestão

Estive relendo a publicação da FEBRAP, ATUALIZANDO A CENA, editada para o 11º Congresso de Psicodrama em novembro de 88, onde os ex-presidentes fizeram relatos de suas gestões. Interessante esta história de se falar da histórias e "estórias" de cada um. Uma seqüência de fatos que se entremeiam e fazem fluir emoções e cenas, distantes e próximas. Uma longa história, onde a atual diretoria tenta resgatar.

Não me parece fácil recortar este tempo e situá-lo dentro de uma perspectiva honesta. Não custa tentar. Penso que o maior dos ganhos que tive sendo seu presidente foi o aprendizado das diferenças. A idade nos remete às descobertas. Os cinquentões de hoje X os trintões de ontem.

Sim, diferenças que tivemos de aprender a lidar, embora com as dificuldades próprias de uma época, onde a garra e a disposição, aliadas ao amadorismo, imperavam. Pouco dinheiro, quase nenhuma organização administrativa, caixas de papelão com documentos sendo transportadas de uma diretoria para outra... efervescência! Em 88 procurei descrever historicamente os fatos. Hoje, tentarei ser mais fiel às minhas percepções. Com erros prováveis de avaliação, mas, enfim ...!

O movimento psicodramático da época passava por uma transformação significativa com autores brasileiros e instituições em um contexto dividido com os "estrangeiros" que aqui tinham seguidores. Administrei a FEBRAP como algo que fazia parte de minhas entranhas. Me dediquei em tempo integral à minha gestão o que só foi possível por dois fatores: o apoio e suporte familiar-afetivo de minha mulher, Rôsaly, e a dedicação conjunta de minha diretoria que atuou a intenção assumida desde o começo, de realização de uma gestão eficiente. Quisemos mostrar trabalho para que o Centro-Oeste, notadamente Goiás, pudesse se inserir dentro do eixo de importância do Psicodrama.

Mas eu sonhava com mais. Como médico, aluno do grande mestre da psicopatologia, o prof. Nobre de Melo, eu estava impregnado da idéia de que as ações psicoterápicas deveriam ser consoantes com um processo científico de compreensão, diagnóstico e tratamento. Que tivéssemos corpo teórico que sustentasse a prática de forma suficiente e que não precisasse de ir buscar em outras fontes a teoria que o psicodrama não tinha. Que fosse possível compreender o que fazíamos no contexto dramático dentro de uma perspectiva teórica no processamento da prática.

Não era por menos que encontrava-me ligado à pessoas do Psicodrama que buscavam e faziam o encontro entre teoria e prática. Tinha absoluta convicção de que pouco sabíamos do método Moreniano e vivia às turras com a turma que insistia em colocar outras linhas teóricas na forma de "contribuições ao Psicodrama". Bebi em fontes seguras para tal - acreditei em Aníbal, Tiba, Fonseca, Naffah, Victor, Navarro, Perazzo, Landini, entre outros. Sofria nas "demonstrações terapêutica públicas", uma forma perigosa de vender um peixe tão precioso. Aplaudia as sessões abertas e repetíamos este modelo em Goiânia.

No Encontro Internacional de Psicoterapia de Grupo, em Buenos Aires em 86, levamos cerca de 60 brasileiros. Uma delegação de peso, que atuou, interviu, fez-se presente diante da IAGP. Ao final do dia nos reunímos para uma avaliação de como tinha sido o dia e podia-se constatar nosso crescimento e volume. Landini e eu tivemos uma inesquecível situação de "roubo de cena" em uma supervisão dirigida por Eduardo Pavlovski - tiramos o protagonista, dramatizamos e processamos teóricamente a ação. Ficamos com a sensação de que ele não gostou. E outros foram se manifestando cada qual à sua forma.

Trouxemos Mônica Zuretti ao nosso Congresso, na Pousada do Rio Quente, e outros argentinos. Foi a abertura aos estrangeiros "de fora", medida que significou também levar nossa maneira de psicodramatizar ao mundo, nas trocas sucessivas que passaram a acontecer. Confesso que foi parte do meu sonho a ida ao mundo. Causava-me espanto a admiração que sempre fizemos, dos profissionais que aqui vieram e contribuíram para nossa formação, mas que nunca nos consideravam formados. Eu pensava, falava, gritava que nós também éramos capazes. O que veio depois e hoje se instalou, mostra que aquelas idéias não eram tão estabanadas. O Congresso foi a coroação de nossa gestão. A condução serena e objetiva de Paulo Maurício de Oliveira, uma comissão científica que tinha Miguel Navarro e Içami Tiba, um Conselho Normativo e Fiscal que apoiou nossas intenções, os cochichos de amigos como Anibal, Landini, Victor Dias, Sérgio Perazzo, garantiram a capacitação científica que pudemos dar. Esforços de todos os tipos que a "turma da SOGEP" não hesitava em resolver, em um apoio nos bastidores e na frente de trabalho. Outro fato importante foi a regulamentação do curso de Psicodrama Pedagógico que foi um calo para as diretorias anteriores.Também foi regulamentado o título de psicodramatista pedagógico e clínico e iniciou-se o registro formal, numerado, do título de Terapeuta de Alunos e de Professor Supervisor concedido pela FEBRAP. Importante avanço político e administrativo. Daí em diante, ter o título da FEBRAP passou a ser de importância curricular, dentro da nossa área. Algumas questões políticas tiveram de ser construidas e resolvidas. Federadas foram credenciadas e descredenciadas, gerando insatisfações e aplausos. Questões pessoais, inclusive minhas, tiveram que passar por um crivo de resolução ou de "arquivamento", também com algumas seqüelas relacionais, mas sem maiores conseqüências. Iniciamos um contato com o pessoal da Psicoterapia Analítica de Grupo e fomos convidados para um Congresso no Rio, onde tivemos oportunidade de ter um bom nível de troca. Uma pena que não tenhamos continuado com esta iniciativa. Nossa frustração maior foi não termos conseguido a continuidade de publicação da Revista da FEBRAP. Diante das poucas verbas e experiência, centramos fogo no Jornal, também criado por Campinas, e que conseguimos colocar em grande movimentação, com escritos importantes de colegas.

Impossível, a esta hora, contemplar tudo que gostaria. O que não posso deixar de registrar é o meu reconhecimento da importância de todo o grupo de diretores e sócios da então SOGEP, que formaram o suporte operacional para que jogássemos tão importante papel no psicodrama brasileiro.

Muito foi mudado nestes 16 anos. A qualidade sobretudo, parece não deixar dúvidas sobre o que somos e o que fazemos. Acredito que não nos compete parar com esta impressionante atividade, espalhada pôr todo o Brasil. Talvez eu ainda sinta falta de um estreitamento mais rápido com outras áreas afins, mas que ainda nos mantemos um pouco afastados. Sinto falta de colocarmos nossa linguagem, nosso "socionomês", na mesa comum do conhecimento científico. Parece que temos este lugar reservado, faltando apenas alguns passos para ocupa-lo.

Diretoria da gestão Goiânia/GO 1985/1986
Presidente: Geraldo Francisco do Amaral; Vice-Presidente: Alfredo Di Giovannantonio; 1º Secretário: Célia Maria Ferreira da Silva Teixeira; 2º Secretário: Manoel Dias Reis; Tesoureiro: Ceres Regina Fernandes; 1º Suplente: Paulo Maurício de Oliveira

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Haveria uma linha demarcatória para o hoje, "antes de" e "depois de"?
José Carlos Landini
Presidente da Febrap na 4ª gestão

Nos anos de 1984-1986 aceitei o desafio de presidir a FEBRAP. A instituição estava em franco desenvolvimento mas havia alguns descrentes quanto às possibilidades de continuarmos crescendo.

Durante minha presidência, obviamente em conjunto com toda a diretoria, fomos capazes de grandes e frutíferas criações. Coube à diretoria publicar e lançar sete volumes da revista, então chamada Revista da Febrap, sendo que três continham trabalhos apresentados no Congresso realizado em Caiobá e quatro publicações de trabalhos apresentados no IV Congresso Brasileiro de Psicodrama, realizado por nós na cidade de Lyndóia (SP).

Tivemos também a oportunidade de abrir livros de registro de psicodramatistas já formados, professores supervisores e terapeutas de alunos.

Concomitantemente, pudemos oficializar, ou melhor, legalizar um ou outro certificado de conclusão de curso de colegas que haviam sido formados por instituições não federadas, o que foi o embrião para a abertura de nossos congressos a estrangeiros e não federados.

Participaram do Congresso de Lyndóia pessoas do então chamado Psicodrama não terapêutico. Quanto aos estrangeiros, sua participação só foi possível no congresso seguinte, realizado pela SOGEP em Águas Quentes (GO).

Durante minha gestão, lançamos também o Jornal da Febrap, batizado posteriormente de Em Cena, no qual vocês estão lendo este escrito.

O jornal tinha por objetivo aproximar a Febrap dos psicodramatistas, o que causou polêmica na época, havendo quem interpretasse que passávamos por cima das federadas.

Ledo engano, a FEBRAP era uma ilustre desconhecida e quase uma madrasta e não uma matriz; dialeticamente, foi criada pelos próprios filhos a quem criou, era mãe e filha.

Este é um grão de areia na construção do Psicodrama no Brasil, faz parte do ontem.

Sim. Passado, presente e futuro existem, todos imbricados num aqui e agora da dramatização.

Mas aqui neste espaço não se trata de uma dramatização, mas sim de um 'como é' do Psicodrama brasileiro. Falemos um pouco mais sobre o ontem.

Uma primeira pergunta se impõe: qual seria o ontem do nosso Psicodrama? Sem pretender historiar ou ser fiel a datas e fatos, relato de acordo com minhas memórias destes muitos anos de viver o Psicodrama.

Do que sei, as primeiras atividades psicodramáticas se iniciaram com nosso amigo P. Weil, na montanhosa Belo Horizonte.

Esse movimento, porém, não floresceu em termos de Brasil; aliás, nem sei se essa era a intenção desse desbravador.

Vai daí que São Paulo, em meio a uma ditadura, repressões e outras coisas mais, descobre em Buenos Aires o Sr. Rojas-Bermudez, rapidamente convidado a nos mostrar o que é esta coisa desconhecida por nós e que se chama PSICODRAMA. Convite aceito, vem até nós e faz uma demonstração no TUCA. A partir daí, têm início os grupos de formação. São os GS e os NS. Também um congresso no MASP, de tristes lembranças.

Nesse evento, Moreno deveria estar entre nós, mas não o fez - "que pena Moreno, você perdeu uma grande oportunidade, a oportunidade de ver a semente de uma grande e frondosa árvore, que muita honra seu nome e sua DOUTRINA".

Logo após aquele desastrado Congresso, o grupo que estudava com Bermudez entrou em crise. Uma crise existencial que, não entendida corretamente, terminou por implodir o grupo. A partir dessa implosão, formaram-se a SOPSP, a ABPS e, algum tempo depois, num movimento liderado pelo Fonseca, viria à luz a nossa FEBRAP.

Neste ontem do Psicodrama temos que considerar que, engatinhando e ainda em fase de indiferenciação, ou quem sabe já se apercebendo de um TU, todos os esforços estavam voltados à implantação do Psicodrama.

Nesse percurso seria impensável a não existência de confrontos e conflitos, boa parte deles advindos das cicatrizes do referido Congresso, cicatrizes estas que deixaram seqüelas pessoais em nós, os bermudianos, e em vocês, os .... adjetivos vários. Com o nascimento da FEBRAP, criaram-se novas entidades formadoras de psicodramatistas. Creio que esta rápida passagem pelo ontem me permite falar do hoje.

Haveria uma linha demarcatória para o hoje, o usual "antes de" e "depois de"? Antes de e depois de quê? Nosso primeiro congresso? Nossa primeira revista? O primeiro livro publicado? Sim, parece-me um bom limite. Eis que a criança começa a dar seus primeiros passos, já vislumbra um horizonte, um TU.

O primeiro Congresso alcançou seus objetivos e originou o pejorativo termo VACAS SAGRADAS, devido às reuniões em que apenas participavam as figuras de destaque do psicodrama brasileiro naquele momento.

Quando falo em destaque refiro-me a aqueles que haviam sido formados pelo Bermudez e alguns outros, não tenho tanta certeza das pessoas que participaram dessas reuniões. Sei, sim, que se discutia caminhos, sem que fosse num mar de rosas. E o amanhã? Haveria um fato, um acontecimento que fosse suficiente para demarcar o amanhã? O amanhã já não seria agora? Já ouvi pessoas dizendo de peito aberto SOMOS QUARENTA E CINCO ENTIDADES. Será que é por ai?

Se esse é o amanhã, espero que a FEBRAP se preocupe com a qualidade e não com a quantidade. Pensando um pouco, os muitos psicodramas públicos realizados na cidade de São Paulo cujo tema era ÉTICA E CIDADANIA poderiam muito bem ser o marco do PSICODRAMA AMANHÃ. Que tal, você concorda?

Já estão programados Psicodramas públicos em várias cidades do Brasil, inclusive em Campinas.

Seria o 12 de outubro do cone sul e da América Latina, creio (ou desejo?) que o hoje/amanhã do Psicodrama, ou melhor, da socionomia, seja a SOCIATRIA moreniana, a chamada UTOPIA moreniana. Curar a humanidade usando suas poderosas ferramentas, o Psicodrama e o Sociodrama. Este seria, a meu ver, o amanhã do Psicodrama.

Diretoria da gestão Campinas/SP 1983/1984
Presidente: José Carlos Landini; Vice-Presidente: Luís Falivene Roberto Alves; 1º Secretário: Maria Ester Rodrigues Esteves; 2º Secretário: Ana Aparecida Pessoa Pires; Tesoureiro: Marcelo Amatte; 1º Suplente: Oswaldo Politano Jr.; 2º Suplente: Anita Cecília Lofrano Paladini

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Nos momentos de crise
Ismael Fabrício Zanardini
Presidente da Febrap na 3ª gestão

A história da Federação Brasileira de Psicodrama - FEBRAP está marcada pela conquista cada vez maior de superar crises. Nasceu o psicodrama, no Brasil, de uma crise do movimento argentino, no meio de uma crise política brasileira e seus dois primeiros presidentes passaram para a história de entidade como pacificadores. Todavia, para a terceira sucessão, assumimos a instituição para dar-lhe continuidade de fortalecê-la para o futuro.

Neste momento, emerge para a memória de todos a importância que teve o espaço que ocupou o Psicodrama no XIII Congresso Nacional de Neurologia, Psiquiatria e Higiene Mental, sob a minha presidência, no estado do Paraná.

Atuando não apenas profissionalmente mas também dentro do movimento psicodramático, eu, dirigia a entidade existente no Paraná, o Centro de Estudos Psicodramáticos do Paraná que agora contava com alunos em formação em Psicodrama terapêutico e Psicodrama pedagógico. Solução que, mais tarde, revelou-se difícil.

Os dirigentes do movimento entenderam e foram unanimes que era hora do Paraná assumir a presidência da FEBRAP, na minha pessoa para apaziguar e resolver suas cicatrizes internas.

Assim foi feito. Eu, convencido a deixar a presidência do Centro de Estudos Psicodramáticos do Paraná para assumir a direção da FEBRAP no período de 1981 e 1982.

Para que esse objetivo se concretizasse, fez-se necessário que outros psicodramatistas deixassem os postos de direção do CEPP para assumirem departamentos da entidade nacional. Arrumou-se um "santo", desvestiu o outro. O CEPP entrou em crise e culminou por exigir que vários integrantes assumissem dois postos simultaneamente.

Embora com essas dificuldades, na minha presidência acredito ter cumprido galhardamente esta missão.

Foi realizada inúmera viagens, quase sempre financiadas particularmente, permitindo uma aproximação entre as diversas regiões brasileiras e isso garantiu o êxito do III Congresso Brasileiro de Psicodrama.

Curitiba não comportava, confortavelmente, as exigências do congresso. Adotou-se como solução a sede no Balneário Caiobá, onde foram ocupados vários hotéis locais. Mesmo iniciante, o movimento congregou aproximadamente 400 participantes. Um significativo numero.

Foram apresentados muitos trabalhos e dirigiram as atividades nomes importantes. O contágio alastrou-se, inclusive, entre os filhos de psicodramatistas que, de própria iniciativa, fizeram questão de apresentar, em forma de teatral, uma verdadeira e séria análise de todas as atividades.

Foi criada, na oportunidade, uma TRIBUNA LIVRE a ser ocupada por qualquer pessoa a fim de tecer considerações acerca do movimento psicodramático brasileiro, seus problemas e soluções possíveis.

Inicialmente, a sede da FEBRAP no Paraná teve que ser instalada junto a Associação Médica do Paraná e posteriormente, esteve sediada junto ao Centro de Estudos Psicodramáticos do Paraná. Os recursos financeiros eram parcos pois, além de serem poucas as entidades associadas, os pagamentos eram irregulares. Nem esse fato impediu que nesse tempo fosse editada a Revista da FEBRAP, Ano 04, vol. 01.

Culminou por ser editada no Rio de Janeiro sob os auspícios do governo do Estado do Paraná, graças ao meu livre trânsito. Mesmo em meio a grandes dificuldades nesse período, realizou-se um maior entrosamento, uma pacificação de ânimos e cumpriram-se os objetivos básicos dos estatutos, especialmente a publicação da revista anual e a realização do Congresso brasileiro.

No momento de crise é preciso acreditar e principalmente deixar a chama acessa do fogo apaixonado pelo Psicodrama criando um condão para que se possa segurar as partes do elo ameaçado de quebrar-se. E assim se cumpriu esse episódio do movimento do Psicodrama no Brasil, na certeza que a minha contribuição, segurando os elos da corrente.

Hoje me orgulho em ver ainda acessa esta chama deste movimento organizado e centrado na Federação Brasileira de Psicodrama - FEBRAP.

Diretoria da gestão Curitiba/PR 1981/1982
Presidente: Ismael Fabricio Zanardini; Vice-Presidente: Maria do Carmo Corradini; 1º Secretário: Gentila Fermina Carneiro; 2º Secretário: Edson Duarte Dias; Tesoureiro: Durval Alves Duarte Lomba

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Uma experiência enriquecedora para todos

Flávio Pinto
Presidente da Febrap na 2ª gestão

A 2ª gestão da FEBRAP teve como sede a Associação Sulriograndense de Psicodrama (ASP), em Porto Alegre. Éramos uma entidade ainda "verde", constituída por 21 associados. Com sentimento misto de regozijo e de apreensão, aceitamos o convite feito pelo Conselho Normativo e Fiscal de gerirmos a Federação, após ser sediada em São Paulo.

Nossas metas básicas consistiram na estruturação administrativa, na integração federativa, no intercâmbio com entidades estrangeiras e na divulgação da existência da federação para entidades congêneres. Havíamos herdado duas tarefas árduas da gestão anterior: manter o padrão das duas primeiras edições da Revista da FEBRAP e realizar um Congresso que reprisasse o êxito de Serra Negra. Conseguimos realizar 3 edições da revista, com tiragem de mil exemplares cada. O II Congresso Brasileiro de Psicodrama foi realizado na Serra Gaúcha, na cidade de Canela, de 4 a 8 de junho de 1980, tendo 412 inscrições, 75 temas livres, 29 grupos de debate e 29 grupos de vivência, constituindo-se em sucesso por esses números representativos na época como pelo clima democrático em que transcorreu o evento. Criamos o "Boletim da FEBRAP", para veicular notícias sobre atividades administrativas e sobre ações das filiadas, completando 6 edições.

Durante essa gestão, 3 novas entidades foram admitidas como federadas: o Centro de Psicodrama da Bahia, a Associação Cearense de Psicodrama e a Sociedade de Psicodrama do Rio de Janeiro, totalizando 19 filiadas.

Dirigir uma entidade nacional dessa envergadura foi uma experiência muito trabalhosa, pois eram parcos os recursos financeiros e as ações administrativas eram feitas de maneira amadorística, já que não havia as facilidades da tecnologia e da comunicação, hoje existentes. Por outro lado, foi uma experiência muito enriquecedora para todos nós, resultando em aprendizagem administrativa, conhecimento do movimento psicodramático brasileiro e mundial, ampliação do relacionamento com entidades e colegas.

Em dezembro de 1980, passávamos o bastão para a entidade do Paraná com uma instituição melhor estruturada e mais integrada no âmbito federativo, com balancete superavitário de 120.902 cruzeiros e com crescimento significativo do movimento.

Cabe lembrar alguns acontecimentos políticos do movimento psicodramático da época, em nível nacional, continental e mundial. No Brasil, havia um clima de competição e de animosidade entre algumas entidades mais antigas, motivado basicamente por discordâncias entre os adeptos das escolas "bermudiana" e "moreniana", chegando a causar ameaças de rompimento com a FEBRAP por parte de filiadas paulistas e baianas. A diretoria e o CNF desempenharam importante papel na intermediação desses antagonismos regionais, conseguindo administrar as dissensões e manter a coesão federativa, essencialmente necessária para uma instituição que recém se estruturava.

No contexto sul-americano, merece destaque a tentativa de criação de uma entidade representativa do movimento psicodramático latino-americano, por iniciativa dos argentinos. Em novembro de 1979, por ocasião do III Congresso Latinoamericano de Psicodrama e VI Encuentro Argentino-Brasileño de Sicodrama, em Buenos Aires, a diretoria da FEBRAP participou de uma reunião com representantes da Argentina, Uruguai e Paraguai, na qual foi proposto que as entidades latino-americanas se filiassem a Federacion Latinoamericana de Sicodrama (FLAS). Contestamos a proposta, argumentando que a FLAS era uma entidade de âmbito nacional argentino e não era representativa do movimento psicodramático da América Latina. Depois de mais duas reuniões, durante o referido evento, foi elaborada uma carta-convite, em conjunto pela FEBRAP e pela FLAS, dirigida a todas as entidades, grupos e pessoas que trabalhassem com Psicodrama no contexto latino-americano, para um encontro a ser realizado em 21 e 22 de junho de 1980, em Foz de Iguaçu, com a finalidade específica de estudar a possibilidade de fundação de uma entidade continental. A diretoria da FEBRAP assumiu o encargo da divulgação e coordenação desse encontro que teve a participação de 38 psicodramatistas entre uruguaios, paraguaios, chilenos e brasileiros.

A FLAS somente se fez presente ao final do segundo dia de assembléia, através de um representante que alegou ter perdido o avião no dia anterior. Uma nova reunião foi combinada para Porto Alegre, em novembro de 1980, à qual compareceram representantes dos países acima citados, menos da Argentina, novamente. Por consenso, optou-se por um congelamento do projeto ante a evidência de que a FLAS o estava boicotando e que, sem a adesão dos argentinos, tornava-se inviável.

Em agosto de 1980, também houve a primeira tentativa de fundar uma associação mundial de Psicodrama, por ocasião do VII Congresso Mundial de Psicoterapia de Grupo, em Copenhague. A presidência da FEBRAP, tendo sido convidada, fez-se presente à reunião que contou com a participação de cerca de oitenta psicodramatistas de vários países. Um psicodramatista grego propôs que Zerka Moreno fosse aclamada para assumir o cargo de presidente da instituição, resultando em protestos veementes por parte de psicodramatistas europeus com a argumentação de que a proposta era extemporânea, pois os objetivos e fundamentos da criação da entidade não haviam sido discutidos. Depois de acirrados debates, foi designada uma psicodramatista mexicana para coordenar um próximo encontro. O nosso proveito, naquela reunião, foi divulgar a existência da FEBRAP e manter contatos com figuras representativas do Psicodrama.

Assim caminhava o Psicodrama daquela época, de cujos primeiros passos institucionais tivemos o privilégio de colaborar, dando-nos oportunidade de vivenciar momentos historicamente significativos.

Hoje o psicodrama brasileiro já possui sua própria cara, construída pela produção teórica e pelo desenvolvimento técnico de suas redes sociométricas, com suas características peculiares de forma e de conteúdo.

Para o futuro espera-se um desenvolvimento maior no campo sociológico através de atividades sociodramáticas, com intervenções sociais, utilizando os conceitos socionômicos e as práticas sociométricas para possibilitar transformações sociais mais significativas e mais amplas, conforme preconizava e sonhava Moreno.

Diretoria da gestão Porto Alegre/RS 1979/1980
Presidente: Flávio S. Pinto; Vice-Presidente: José Theobaldo Diefenthaeler; 1º Secretário: Marta Echenique; 2º Secretário: Luciano Correa da Silva; Tesoureiro: Ravardiére Gama 1º Suplente: Waldo Júnior; 2º Suplente: Suzana Duclós

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Registros que fazem a história
Içami Tiba
Presidente da Febrap na 1ª gestão

Psicodrama é vida. Ele não tem fim. Seu começo oficial foi com o seu criador Jacob Levi Moreno. Mas ele está presente antes mesmo das inscrições rupestres quando um homem imitava um animal a ser caçado. Moreno foi Psicodrama da época de sua vida. Sua genialidade está na sua criatividade. Fazia parte de sua ideologia a ação criativa.

Seus registros não são o seu forte. Umas pessoas pensam, outras agem. Moreno pensou, fez muito mas registrou pouco os seus feitos. Escritos são essenciais para a história. A conserva cultural que ele lutava contra era a que aprisionava as pessoas, tirando-lhes a espontaneidade e a criatividade.

Os filhos têm que naturalmente superar os pais. Eles partem de onde seus pais pararam. Assim também os estudiosos do Psicodrama não se detiveram nos escritos de Moreno. O Psicodrama caminhou muito.

O meu ontem do Psicodrama é quando em 1975/76 viajamos (Dr. Victor Dias e eu) por todo o Brasil, para encontrar com os grupos de Psicodrama que tínhamos notícia. Estávamos concretizando um sonho dos Dr. Fonseca e Pamplona da SOPSP e de Dr. D'Alessandro da ABPS de formar uma federação. Porque professores da SOPSP e da ABPS davam aulas de Psicodrama para grupos como Curitiba, Porto Alegre e outros, numa época em que tais instituições não mantinham intercâmbio nem contato. Para concretização deste sonho foram indicadas 4 pessoas, 2 de cada entidade, para fazer o levantamento dos grupos existentes. Destas indicações restaram somente o Dr. Victor pela ABPS e eu pela SOPSP.

Estas viagens às nossas custas foram agradáveis, pelo fato de conhecermos in loco o que acontecia em cada grupo.

Estabelecemos ótimos relacionamentos com os mais diversos bandeirantes do Psicodrama num país dominado por psicanalistas. Sem dúvida cabem as honras a estes psicodramatistas que sozinhos lutaram para que o Psicodrama evoluísse em diversos pontos do Brasil. Éramos irmãos até que nos pulverizamos após o Congresso do MASP (1970). Foi um reencontro após 5/6 anos de irmãos crescidos cada qual no seu canto e reconhecimento de primos, os grupos do Prof. Pierre Weil.

Foram muitas viagens onde pudemos conhecer as diferenças e semelhanças entre nós. O importante foi descobrir que todos queriam se comunicar, trocar experiências, saber-se pertencendo a um movimento psicodramático maior. Todo o processo básico para chegar à idéia da fundação da Febrap foi amadurecendo através das reuniões em várias regiões do Brasil.

Nossas características de organizador entraram em ação e ajudamos os núcleos a se transformarem em entidades para que a Federação fosse formada somente por elas, e não por pessoas. Estudamos os pontos de convergência para estabelecer um mínimo possível de conteúdo programático. Assim foi fundada a FEBRAP e eu eleito o seu primeiro Presidente (1977/78), com a incumbência de realizar o I Congresso Brasileiro de Psicodrama. Fui o seu Presidente e o Dr. Victor, Secretário Geral e Dr. Luiz Amadeu Bragante, Tesoureiro Geral. Estávamos empenhados que fechar o Grande Hotel de Serra Negra às nossas (Dr. Victor e eu) custas. Os prejuízos seriam cobertos com as nossas economias. Graças aos psicodramatistas e ao esforço de cada um dos componentes da Comissão Organizadora, o Congresso foi um sucesso.

Uma informação interessante: fui o único Professor-Supervisor que durante 9 ou 10 Congressos seqüenciais deu curso com o título: Psicodrama de Adolescentes. Não há como não evoluir em 20 anos. Apesar do título ser o mesmo, o curso sofria atualizações. Era sempre dos mais concorridos pois foi a maneira e local que encontrei para ministrar aulas desta especialidade aberto a todos os interessados, já que me era impossível viajar por todo o Brasil para atender aos chamados. Parei com o curso quando cursos foram eliminados dos Congressos.

No Psicodrama hoje, incluo 3 importantes eventos: o Psicodrama Brasileiro em livros; o Psicodrama de Ética e a Internacionalização do Psicodrama Brasileiro.

A maior produção mundial de livros sobre Psicodrama é de brasileiros. São registros que fazem a história. Sou um dos psicodramatistas mais lidos por leigos. Já vendi mais de meio milhão de exemplares em 13 títulos de livros, onde o Psicodrama aí está, explícita ou implicitamente.

O Psicodrama da Ética reuniu mais de 700 psicodramatistas para trabalhar em 150 diferentes pontos da cidade de SP, em março de 02. Um Megapsicodrama Público foi a consagração de Moreno, num ato jamais visto em qualquer lugar deste planeta. Acredito na importância de se colocar em livro(s) este ato não só psicodramático e político, mas sei das dificuldades que envolvem esta organização. Espero que o Psicodrama da Ética não fique como lembrança ou como um relato sumário na história. Muitos países, como a Argentina, estão querendo importar esta idéia.

O Brasil não fica nada a dever no cenário internacional. Isto têm sido demonstrado nos Congressos ibero-americanos e já em 2006, SP sediando o Congresso Internacional da IAGP em parceria com entidades de psicoterapia de grupo brasileiras, mormente a FEBRAP. Alguns dos nossos livros estão sendo traduzidos para outras línguas. A participação dos brasileiros na diretoria da IAGP tendo sido muito atuante.

O futuro do Psicodrama não está escrito. No campo nas psicoterapias estamos vivendo mudanças, pois a maioria está buscando terapias individuais e com menor tempo de duração. Mas o Psicodrama é muito maior que as clínicas privadas. Os atendimentos terapêuticos mantidos por seguros de saúde poderão ser feitos em grupo e individuais. As doenças psicossociais não deixarão de existir. Mas o Psicodrama estará cada vez mais presente no social principalmente no campo da educação.

Sabemos que 70% das profissões que existirão daqui a 10 anos, não as conhecemos hoje. Como capacitar os nossos filhos para profissões hoje desconhecidas? Preparando-os para "o que der e vier". Um filho bem preparado é aquele que integrado no social saberá superar obstáculos e resolver os problemas. Nada melhor que tenha uma capacitação para a vida servindo-se da espontaneidade e criatividade para adaptações e adequações às mudanças que virão. É preciso que, no indivíduo, inclua pela educação outros valores como disciplina, gratidão, religiosidade, cidadania e ética. Esta busca da saúde social é a base da minha Teoria Integração Relacional, um dos filhos do Psicodrama Moreniano.

Esta teoria está sendo publicada numa coleção prevista para 8 livros, dos quais 4 já foram publicados e o 5º. será lançado este ano: Quem ama, educa!, pela Editora Gente.

Diretoria da gestão SP/SP 1976/1978
Presidente: Içami Tiba; Vice-Presidente: Alfredo Naffah Neto; 1º Secretário: Carlos Alberto Saad; 2º Secretário: Victor Roberto C. S. Dias; Tesoureiro: Laís Machado; 1º Suplente: Lilian Pinheiro; 2º Suplente: Suzana Domingues de Castro

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FEBRAP 2001/2002 - Presidente: Heloísa Fleury. Diretora de Ensino e Ciência: Madalena C. Rehder. Diretor de Divulgação e Comunicação: Carlos Borba. Diretora de Eventos Culturais: Waldeck D'Almeida. Diretora de Administração e Finanças: Terezinha Tomé Baptista, Diretoras Suplentes: Dulcinea Cassis e Edite Xavier. Representantes das Seções Regionais: Rosangela Cardoso (Sul); Cláudia Longhi, Herialde Oliveira Silva, Liliana Lima e Roberto Zampieri (São Paulo); Maria das Graças C. Campos (Sudeste); Marilene Q. da Silva (Norte e Nordeste); Patrícia A. Helou Rassi (Centro-Oeste). Câmara de Ensino e Ética: Representantes das Seções Regionais, Presidente e Diretora de Ensino e Ciência. Comissão Organizadora Permanente do Congresso: Devanir Merengué (Representante da Diretoria de Ensino e Ciência), Eliara Ramos (Representante da Diretoria Executiva), Wedja Josefa G. Costa (Representante da Diretoria de Comunicação e Divulgação), Neli Klein do Valle - Sul; Maria Cecília Veluk Baptista - Sudeste; Marlene Magnabosco Marra - Centro-Oeste, Elizabeth Maria Sene Costa - São Paulo. Sociodrama da FEBRAP: Luis Falivene Roberto Alves e Antônio Carlos Brasiliense Carneiro. Departamento do Núcleo de Titulação da FEBRAP: Bernadete Castro, Cristina Salto, Herialde Oliveira Silva, Maristela Gasbarro, Marília Marino, Mylene Mitrulis e Stela Fava. Departamento do Psicodrama nas Universidades: Liliana Lima e Geraldo Massaro. Assessoria Científica: Mariângela Pinto da Fonseca Wechsler. Coordenadora da Platafoma Lattes: Fátima Fontes. Bibliotecárias: Cristiane Boldorini e Edineia Apª da S. M. Ferraz. Coordenadora do Projeto Portal: Marina de Oliveira Costa. Ensino à Distância: Ana Lúcia Vilella Moreto, Edite Xavier, Fernando Spanhol, Juliana Mara Lopes, Dra. Lia Caetano Bastos e Yara Liberato de Souza. Assessoria Educacional: Marcelo Passini Moreno, Glória Elisa Bearzotti Pires von Buettner e Marise A. de Lima. Representante da FEBRAP: IV Congresso Ibero Americano de Psicodrama: Sérgio Perazzo. Revista Brasileira de Psicodrama: Wilson Castello de Almeida (editor), Murillo Viotti (Diretor de Publicação) e Rosilda Antonio (Secretária Administrativa), Márcia Pereira Barreto e Altivir João Volpe (co-editores), Luiz Henrique Borges, Marilene Dellagiustina, Paulo Bareicha, Paulo Sérgio Amado dos Santos e Wilma Silveira Bueno (Conselho Editorial). Moderadora do debate - FEBRAP: Silvia Petrilli. Assessor da Divulgação: Ronaldo Pamplona da Costa. Coordenadora do Projeto Rede de Divulgação: Marbel Saad Alexander. Jornal Em Cena - Psicodrama: Ano 18, nº 1/Janeiro/Julho de 2001 e Ano 19, nº 1/ Janeiro/Julho de 2002: Carlos Borba, Jornalista Responsável: Patrícia Espírito Santo, Projeto Gráfico e Diagramação: Claúdia Andrade Tartaglia. Boletim Informativo: Carlos Borba e Lucila Camargo. Coordenadoras do Projeto Perfil: Terezinha Tomé Baptista e Silvia Petrilli. Comissão do Fórum Gestor: Rosa Lídia P. Pontes, Marlene Marra, Marluce Silva, Cecília Veluk, Yara L. de Sousa. Comissão Projeto Perfil: Dulcinea Cassis, Edite Xavier, Roberto Zampieri e Rômulo Said Monteiro. Comissão Mudança do Estatuto: Aldo Silva Júnior, Iara M. Barbosa, Maria Aparecida J. Zampieri, Maria do Socorro P. Gonçalves, Marta Echenique, Margareth C. G. Palha e Paulo Amado dos Santos. Informática: Paulo Edson Fernandes. Secretaria: Daniela Parra Mendonça e Karina Magalhães Silva. Departamento de Representatividade: Maria Aparecida Junqueira Zampieri e Roberto Zampieri. VI Encontro Nacional Professores/Supervisores: Coord. Madalena Rehder e Marlene Marra. Auto-sustentabilidade das Federadas: Dulcinea Cassis e Leida Maria de Oliveira Mota. XIII Congresso Brasileiro de Psicodrama (29 de maio a 01 de Junho de 2002): Presidente: Waldeck D'Almeida. Comissão Científica: Rosana Maria de S. Rebouças (Coord.), Antonio Carlos Oliveira Souza, Cybele Maria R. de Ramalho, Georges Salim Khouri, Isabel Rosana B. Barbosa, Ivete Maria Santos, Luiza Lacerda de Oliveira, Wedja Josefa Granja Costa. Comissão de Divulgação e Patrocínio: Elza Aparecida Britto (Coord.), Ana Carolina Azevedo, Paulo S. Amado dos Santos, Roberta Ferreira Takei, Roland Ribeiro de Paiva e Sandla Wilma de B. Santos. Comissão de Logística: Maria Aparecida Takei (Coord.), Aline L. V. Gomes, Fernanda Freitas e Soraya Midlej. Comissão de Ética e Ouvidoria: Maria Amélia L. V. Gomes (Coord.), Fátima Cristina Fontes e Marlene Magnabosco Marra. Comissão Sociocultural: Márcia Castello Branco (Coord.) e Luciana F. Souza. Comissão de Recepção aos Universitários: Sandra Mª Miranda Villa (Coord.) e Rosiete Pereira Silva. Comissão Editorial: Eduardo Saback Dias Moraes (Coord.), Antônio Carlos Oliveira e Tani Pedreira. Tesouraria: Maria Auxiliadora B. M. Freitas. Secretaria: Márcia Castello Branco. Encontro Regional Sul (26 e 27 de Outubro de 2001) Presidente Ellen Lamberg Carneiro Bond, Vice Presidente: Ana Lúcia Villela. Coordenadora Geral: Deborah Lobo. Secretária Executiva: Ana Cristina de S. Santos. Tesoureira: Anaides Pimentel da Silva Orth. Comissão Científica: Neli Klein do Valle, Thânya Sales Jacob, Maria Cristina Antunes, Edison Lobo dos Santos, Mariza Schmidt Silva e Edite S. Xavier Comissão Comercial: Deborah Lobo, Aldo Silva Junior, Ellen Lamberg C. Bond e Rosângela Cardoso. Comissão de Divulgação: Anaides Pimentel da S. Orth, Karin Xavier da Silva e Elizabeth Siqueira, Maria Cristina Antunes, Lidiane Stoltz, Rozangili Monteiro Zanardini e Claudemir C. dos Santos. Comissão de Administração/ Financeiro: Ellen Lamberg C. Bond e Ana Cristina de S. Santos, Deborah Lobo e Regiane Macuchi. Comissão Operacional: Hauzely Hauer, Maria Heloisa A. Tuffi, Elizabeth Siqueira, Thânya Sales Jacob, Juliana Mara Lopes. Site do Encontro: Marieldi Schmidt Silva e Sabrina Navarro. Comissão Social: Ana Cristina de S. Santos, Neli Klein do Valle e Neiri Corrêa da Silva. Encontro da Regional Sudeste (10 e 11 de novembro de 2001): Equipe: Lilian Tostes, Maria das Graças C. Campos, Iara Monjardim Barbosa, Margareth Calmon G.G. Palha e Francisco Lyra. Encontro da Regional São Paulo (10 de novembro de 2001): Departamento Científico: Leila Kim e Herialde Silva. Departamento Divulgação: Paulo Zampieri e Roberto Zampieri. Departamento de Logística: Claudia Longhi. Departamento Financeiro: Maria Aparecida Fernandes Martin. Encontro da Regional Centro-Oeste (27 e 28 de abril de 2002): Representante: Patrícia Rassi. Encontro da Regional Norte-Nordeste ( 15 a 18 de novembro de 2001): Grupo Gestor: Joceli Géis e Armando César, Jacqueline Moreira e Wanderley Gradela. Comissão Eleitoral: Terezinha Tomé Baptista (Presidente), Lucio Guilherme Ferracini e Maria Celeste Francisco.

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Brasil, quarta, 20/08/2008


Última atualização: 13/08/2008


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