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O Psicodrama vem se expandindo para além da clínica, aplicado em atuações profiláticas e terapêuticas em instituições, na educação, organizações, na comunidade. Esse novo cenário nos levou a instituir uma política de captação de recursos para viabilizar que os profissionais psicodramatistas, instrumentados para a direção de grupos em diferentes contextos, possam promover uma ação eficaz na transformação da realidade social brasileira. Pretendemos trabalhar pelo fortalecimento das federadas para que, tenham, cada vez mais, condições de oferecer cursos de formação atualizados aos profissionais interessados na metodologia, em suas propostas formadoras, pedagógicas e de posicionamento ético e social. Os participantes do VI Encontro Nacional de Professores e Professores/Supervisores encaminharam propostas inovadoras nesse propósito de qualificação do psicodramatista. Nosso maior evento científico, no ano que vem, será o XII Congresso Brasileiro de Psicodrama. O tema "Parcerias, Resgates e Resolutividade" reflete a intenção de viabilizar diálogos aprofundados com novos e velhos parceiros, interlocutores que poderão trazer outras possibilidades de desenvolvimento científico. Somos candidatos para promover o XV Congresso Internacional da IAGP - Associação Internacional de Psicoterapia de Grupo, em 2003. Poderemos receber profissionais das tendências mais marcantes de atuação com grupos e apresentar nossos desenvolvimentos teóricos e práticos, promovendo grandes avanços científicos. Acreditamos que a FEBRAP será fortalecida em seu papel de representante do Psicodrama brasileiro, ao congregar, em seu quadro de federadas, a maioria dos grupos dedicados a esta abordagem. Com esse objetivo, temos buscado formas diferenciadas de apresentação do Psicodrama nas universidades, instituições, para um público ainda não familiarizado com esta metodologia. Através do projeto "Rede de Divulgação do Psicodrama", assim como de material informativo que vem sendo desenvolvido para esse fim, poderemos encontrar novos parceiros na busca de filiações. O Psicodrama, representado pela FEBRAP, está buscando novos espaços de diálogo com a comunidade científica e com órgãos atuantes nos encaminhamentos das políticas educacionais e profissionais. Heloísa Junqueira Fleury Presidente da FEBRAP
Uma transição é iniciada no Jornal da FEBRAP com esta edição: nova proposta, novo formato, nova apresentação dos fatos do movimento psicodramático. Mais agilidade em sua leitura já que pretendemos complementar os temas aqui abordados em textos inseridos na home page da FEBRAP. Visite-nos sempre. Criamos um espaço, onde as cinco regionais podem se expressar quando desejarem, possibilitando um contato mais direto com o desenvolvimento e a mobilização do Psicodrama brasileiro. As regionais Sul e São Paulo dão seus recados nesta edição. Artigos sobre o VI Encontro de Professores e Professores/Supervisores de Psicodrama e a presença da FEBRAP na reunião com profissionais de psicologia e psiquiatria, no Ministério da Saúde, em Brasília, demonstram o momento vivido pelo psicodrama hoje."A união faz a diferença" reflete a vontade de fazer trocas com outras práticas, nosso espaço no mundo, sem isolamento; como também "O Psicodrama face à violência" reflete a realidade social na qual estamos inseridos.São muito artigos, muitas reflexões e pouco espaço para publicação. Por isto, alguns não estão sendo publicados nesta edição. Porém, tenho a tranqüilidade em assim proceder, atendendo cumprimento ao art. 19 do nosso estatuto - divulgar o Psicodrama e o Movimento Psicodramático. Carlos Borba Diretor de Comunicação e Divulgação SÃO PAULO A Regional São Paulo está iniciando os trabalhos para a realização do seu Encontro Regional que deverá acontecer no primeiro semestre de 2000. Ficou estabelecido que o público alvo será, principalmente, alunos dos últimos anos dos cursos superiores que têm como centro de interesse educação, saúde e empresa além dos profissionais que já atuam nessas áreas. O primeiro objetivo do evento é a divulgação do Psicodrama e suas instituições de ensino. Para isso, se faz necessária a colaboração de todos. Estamos realizando um levantamento dos locais, no Estado de São Paulo, para fazermos a divulgação: universidades, ONGs, instituições governamentais, empresas, escolas, centros de saúde, grupos informais de RH e empresas.Quem tiver sugestões, entre em contato conosco, enviando o nome do local, endereço, telefones e, se possível, o nome de uma pessoa para contato para o endereço: Rua João Ramalho 145 - apto 81 - Perdizes - São Paulo/ SP - CEP: 05008.000; ou pelo Fax: (11) 3872-9878; ou ainda pelo e.mail: acto@sol.com.br.Rosa Lídia P. Pontes Representante da Regional São Paulo SUL A Comunidade Catarinense de Psicodrama está estudando a possibilidade de oferecer um curso de formação em Psicodrama através do ensino à distância, para o ano 2000. Nossa regional marcará presença no Congresso Internacional da IAGP, a ser realizado em agosto de 2000, com o trabalho "Imagem Corporal Virtual - Vídeo Conferencia e Psicodrama", que será apresentado por Edite S. Xavier. Realizamos em outubro, um encontro que contou com a presença da presidente da FEBRAP, Heloísa Fleury, Ismael Zanardini, Débora Lobo e Odair Pavesi, da Regional Sul, Eliane Clemes, representante da Comunidade Catarinense de Psicodrama, Marisa da Silva, representante da Contexto e Vivian Magalhães, da Sociedade de Psicodrama do Paraná. Foram discutidos sistemas de comunicação que facilitem a interação das federadas e a organização do próximo encontro da Regional. Informamos que desde março foram entregues os diplomas para a II turma de psicodramatistas com registro no MEC. Edite S. Xavier Representante da Regional Sul
Quando nos reunimos para conceber o Encontro nos perguntamos: o que nós, como professores, gostaríamos de vivenciar num evento desta natureza? Do que estamos sentindo falta? A idéia de estruturá-lo de uma maneira enxuta, reflexiva, propositiva e com vistas a envolver todos (ou a maioria) dos que se dedicam ao ensino do Psicodrama no Brasil ficou forte. Assim, escolhemos um, dentre tantos caminhos, para concretizar nosso projeto. A escolha das três teses: "O Ensino da ética no Psicodrama", "A Formação do Professor/Supervisor de Psicodrama" e "O currículo Básico na Atualidade" teve como critério alcançar a maioria possível de pensamentos, estimulando reflexões posteriores por parte dos participantes do Encontro. Buscando garantir um envolvimento efetivo, cada federada foi instada a indicar até três delegados para representá-la, com direito a voto na plenária final. Foram convidados profissionais das diferentes federadas para coordenar salas, relatar as discussões e sistematizar tais relatos. O Encontro foi aberto à participação e contribuição de todos os professores e professores/supervisores comprometidos com os rumos do Psicodrama em nosso País. Finalmente, as propostas levantadas nos diferentes grupos de trabalho foram levadas à plenária e as aprovadas puderam servir como indicadores para re-significar o ensino do Psicodrama. Antes mesmo do Encontro, as federadas foram estimuladas a discutir as teses que lhes foram enviadas e junto com isso um debate começou a acontecer via Internet. Percebemos que o número significativo de inscritos para o Encontro era um indicador de que estávamos no caminho certo.Hoje, decorrido algum tempo do evento acontecido dias 13 e 14 de novembro em São Paulo, avaliamos que ele cumpriu sua meta primeira de ampliar e estimular a participação nos debates e aglutinar o maior número de profissionais do Psicodrama. Observamos também que a metodologia utilizada suscitou inúmeras reações: de agrado, desagrado, rejeição, surpresa, apoio. Mas consideramos que os pontos falhos na forma podem ser ajustados, corrigidos e até evitados. Neste momento de avaliação, o importante seria ressaltar o conteúdo suscitado por este modo de fazer. Iluminar o conteúdo, muito mais que a forma. Houve um espaço para se pensar, e bem, sobre o Psicodrama, para se discutir questões novas, velhas, mas ainda atuais, num clima pró-ativo. Destacamos temas importantes que tiveram grande ressonância entre os participantes: "Como construir uma consciência ética? "; Como definir consciência ética?"; "Qual o lugar que ocupa o terapeuta de aluno na formação do psicodramatista?"; "Qual o espaço da terapia no curso de formação"; "Qual o perfil do professor de Psicodrama?"; "Que fazer para oficializar a categoria de professor de Psicodrama?"; "A necessidade de espaços para aprimoramento de professores e supervisores"; "Possibilidade de abertura para utilização da multimídia - o Psicodrama com inovações tecnológicas" e "Mudança do nome do encontro para abranger dados envolvidos no processo incluindo os alunos".Outros pontos polêmicos puderam vir à baila como a terminologia "Psicodrama Terapêutico X Psicodrama Aplicado/Pedagógico" ou "Psicodrama Área Psicoterapêutica X Área Educacional". A elaboração do Trabalho de Conclusão do Curso - TCC - com possibilidade da utilização de meios multimídia, aliado ao trabalho escrito, foi outro ponto discutido. Acreditamos que há necessidade e urgência de aprofundarmos e mantermos nossas discussões a respeito desses e de outros temas de interesse do nosso movimento e que tais discussões alavanquem propostas de ação em toda a Federação para socializar nossas idéias. Mais que isto, que criemos espaços, não só em nossas federadas, mas também nos meios de comunicação (jornais, boletins, debate eletrônico da FEBRAP) e que aproveitemos os espaços existentes nos congressos de Psicodrama. Nos sentimos contemplados, não só como comissão científica mas também como professores, considerando que já está em andamento a avaliação do evento em seus aspectos qualitativos e quantitativos e também já está elaborado o relato final de nosso Encontro. Enfim, que esse VI Encontro não ficará circunscrito aos dois dias de intensa transpiração e inspiração, mas que será elemento propulsor da co-construção co-responsável das transformações pretendidas para o Ensino do Psicodrama no Brasil! Teresinha Gaiolla (Coord.)Diretora de Ensino e Ciência Devanir Merengué / Elaine R. Kaste / Liliana A. de Lima / Luis F. R. Alves Membros da comissão científica
Hoje somos mas de 4.500 profissionais especializados em Psicodrama e movimento psicodramatista em todo o País. No entanto, ainda não somos presença efetiva nas universidades, poderíamos ocupar mais espaço na mídia e as constantes crises econômicas têm dificultado a formação de novos psicodramatistas. O Projeto "Rede de Divulgação do Psicodrama no Brasil" foi criado procurando reverter este processo. Precisamos abrir novos espaços de troca de saber psicodramatista, resignificá-lo onde se faz necessário e divulgar o movimento além dos universos onde já é conhecido.Os principais objetivos do projeto são: promover eventos em vários locais do país; estimular o vínculo do Psicodrama com a universidade; torná-lo conhecido por pessoas leigas; enriquecer as instituições que trabalham com Psicodrama; propiciar a troca entre profissionais das diferentes regiões do País; estimular o trabalho em unidades funcionais formadas por profissionais de diferentes localidades. O projeto pretende envolver psicodramatistas, terapeutas de alunos e professores supervisores titulados pela FEBRAP na organização de eventos (palestras, aulas, debates, entrevistas, vivências processuais e atos psicodramáticos) destinados não apenas à especialistas, como também ao público leigo, às pessoas da comunidade.Os custos das promoções deverão ser os menores possíveis, visto que o projeto não visa lucro e sim a divulgação do Psicodrama. Espera-se a participação e a parceria com entidades filiadas ou não à FEBRAP, instituições universitárias e profissionais interessados em conhecer, enriquecer e divulgar a dinâmica psicodramática no Brasil. A FEBRAP se responsabilizará pelo projeto através de suas diretorias de Comunicação e Divulgação e de Ensino e Ciência indicando um coordenador responsável nos locais onde os eventos forem realizados e proporcionará o apoio necessário para a sua divulgação através do Jornal da FEBRAP, do site, de malas diretas que serão enviadas aos especialistas e às faculdades de psicologia, educação, medicina e afins, das regiões onde for implantado. A participação nos eventos promovidos pelas federadas poderá ser considerada como atividade curricular do curso de formação de psicodramatistas, a critério de cada federada. Que eventos você e sua federada poderão realizar para divulgar o Psicodrama? Incentive outros sócios e promova com eles algum evento. Faça contato com a FEBRAP para maiores informações sobre o projeto. Envie sugestões que possam incrementar nosso projeto. Juntos podemos descobrir outros caminhos.
O ministro da saúde, José Serra, convidou o Psicodrama para discutir a "Humanização do Atendimento Hospitalar" com profissionais da psicologia e psiquiatria durante uma reunião acontecida dia 24 de novembro, em Brasília. Estiveram presentes o ministro da Saúde, dr. José Serra, o secretário de políticas de saúde, dr. João Yunes, a coordenadora de saúde mental, dra. Ana Pitta, o psiquiatra psicanalista, dr. Nelson Carrozzo, a presidente da FEBRAP, Heloisa J. Fleury e a diretora de eventos culturais da FEBRAP, dra. Carmita Abdo. O ministro pediu que este grupo elabore conjuntamente um projeto para a humanização do atendimento hospitalar. Foi apresentado e entregue à dra. Ana Pitta, o projeto do departamento de projetos e incentivos da FEBRAP, coordenado pela diretora suplente da FEBRAP, Eveline Ramos, para a educação e prevenção da saúde mental. Esse projeto, além de atender às expectativas das questões levantadas nessa reunião, também traz propostas inovadoras para a saúde mental. Dra. Ana Pitta identificou semelhanças com as suas propostas. Acreditamos que estamos iniciando uma efetiva parceria FEBRAP/Ministério da Saúde. Nossa satisfação é imensa! O Psicodrama está encontrando espaços para novas participações no desenvolvimento da sociedade brasileira. Vamos todos torcer por este futuro que se apresenta. Depois de tanto tempo trabalhando com Psicodrama, tornou-se inevitável olhar o cotidiano com pitadas dessa filosofia. Observando ou participando tornou-se quase uma diversão recortar cenas de rua que acho interessantes, divertidas, dramáticas, espontâneas. Uma das mais recentes ocorreu no cinema e dei-lhe o título de "Drama na platéia". Estava no saguão do cinema, de ingresso em punho para assistir "Festa de Família" e, como sempre faço, observava a saída das pessoas que tinham acabado de ver o filme: alguns olhos vermelhos, muitas testas enrugadas, poucas risadas nervosas, um casal que de tão agarrados cambaleava ao andar, muita gente silenciosa pisando duro com o calcanhar. Meu olhar cruzou com o olhar marejado do rapaz de rosto suavizado por um esboço de sorriso que me encorajou a arriscar um "que tal o filme?"- Hum!... Bom, mas é um saco na boca do estômago!Já dentro da sala de projeção, sessão começando, poucos lugares vazios, chega uma senhora acompanhada de um rapaz jovem. Procuram calmamente por lugares disponíveis. As primeiras luzes se apagam e eles se apressam. O rapaz senta lá na frente mesmo e a senhora vem subindo até a fileira onde eu estava, passa pedindo licença e ocupa a última cadeira. O filme começa, estilo câmara bêbada (Glauber Rocha foi maior) e ao final do primeiro terço do filme já se tem o retrato da família e da festa de aniversário do patriarca. No segundo terço, temos os magistrais brindes-denúncia do filho mais velho, a esguia e plácida alienação materna, atormentadas relações familiares. A essa altura do filme, na platéia, a referida senhora levanta-se e, pedindo licença novamente, procura o rapaz fileiras abaixo e quando acha, fala:- Fulano! Vou sair! Não agüento esse filme!A platéia reage:- Cale a boca!- Tinha que ser velha mesmo!- Cala boca você...grosso!- Psssiiiuuu!O rapaz sai em defesa da senhora, e grita:- Toda pessoa tem o direito de ver e deixar de ver o que quiser!A platéia grita mais alto ainda:- Sai bicha!- Cala a boca, pô!A senhora caminha para a saída, a platéia vai silenciando, e a senhora sai.Sai pela saída de emergência. Voltamos a assistir o filme em paz: a angustiante brincadeira quente-frio leva à carta da irmã suicida, noite da horrores após a festa, o patético café da manhã, etc.etc.etc. Saí cambaleando, com os olhos marejados e uma dor na boca do estômago. O soco veio da platéia. Quero uma saída de emergência. Stela Regina de Souza Fava
Todos nós temos desejos, anseios e sonhos. O importante é colocá-los em prática com a certeza de que os resultados serão satisfatórios e construtivos. Com uma comissão organizadora formada por Betty Svarman, José Fonseca, Luiz Amadeu Bragante, Marlene M. Marra, Oswaldo Politano Jr. e Waldemar José Fernandes, idealizamos e realizamos o Iº Encontro Brasileiro de Psicoterapias Grupais - Semelhanças e Diferenças, de 17 a 19 de setembro, em Campos do Jordão. A gênese desse encontro consistiu na possibilidade do Brasil sediar a reunião do board da Associação Internacional de Psicoterapia de Grupo - IAGP - fundado por J. L. Moreno. O board é formado por profissionais de destaque que trabalham com grupos de psicoterapias em todo o mundo.Essa reunião infelizmente não pôde ser realizada, mas a idéia de reunir profissionais que atuam sob diversas linhas teóricas deixaram em todos nós, da comissão organizadora, um gostinho de quero mais. Sendo assim, sob os auspícios da FEBRAP e do Núcleo de Estudos em Saúde Mental e Psicanálise das Configurações Vinculares - NESME - resolvemos realizar o evento. Cento e cinqüenta profissionais se inscreveram. O ineditismo desse nosso encontro formou-se no conteúdo e não na forma. Podemos dizer assim que todos nós nos enquadramos nesse conteúdo, que durante anos olhamos o que acontecia no quintal do vizinho por sobre os muros. Por isso, resolvemos derrubar obstáculos e nos juntarmos na mesma área. Nos unimos para o cotejar de idéias e não para o confronto direto uns com os outros. A escolha daqueles que ocuparam os lugares nas mesas-redondas foi muito trabalhoso. Adotamos como critério convidar os que tivessem um nome consagrado em suas respectivas áreas e não tivessem ainda livros publicados. Nenhuma reunião deste tipo pode ser realizada sem trazer em seu bojo a novidade que nos impulsiona.Para a exploração do novo solicitamos ao grupo "Vagas Estrelas" representar uma situação de psicoterapia grupal para que dois de nossos colegas de linhas diferentes trabalhassem, por um determinado tempo. Após a apresentação, nos dividimos em quatro grupos de discussão. Trocamos idéias e organizamos uma plenária para ouvir sobre o que cada grupo havia comentado. Foi uma discussão acalorada com forte colorido emocional. Quando somamos os resultados do novo, descobrimos um saldo positivo. Nos surpreendemos com as conversas espontâneas e intensas que se desenrolaram no encontro. É importante ressaltar a sensação agradável que sentimos diante de rostos desconhecidos na platéia, pessoas que fazem parte de grupos que nunca tínhamos visto. Esse foi um ponto unânime entre nós. Se conseguimos acabar com fantasmas, abismos e preconceitos entre as várias áreas de atividade em grupo, então conseguimos alcançar nosso objetivo maior. Nossa esperança é que alguma transformação pessoal ou profissional possa ter ocorrido em algum nível com essa primeira união entre psicoterapias grupais. Luiz Amadeu Bragante
Recentemente, uma jovem telefona-me de São Paulo, muito aflita, pedindo-me ajuda: uma colega de universidade acabava de ser vítima de um seqüestro relâmpago e foi violentamente estuprada. Sugeri contatar um profissional ligado ao trabalho com vítimas da violência que teria condições de conduzir a situação em todos os seus aspectos: médico, jurídico, de apoio psicológico à vítima e aos seus familiares. A partir de alguns telefonemas, consegui entrar em contato com um destes grupos e o atendimento pôde ser feito poucas horas depois. Final feliz?Não, permanecia em mim uma inquietação e me perguntava incessantemente: será que a minha formação termina aí? Naquela noite, foi desfilando em minha memória recente, as inúmeras pessoas próximas que foram vítimas, algumas fatais, desta violência que cresce aos nossos olhos. Revia as notícias divulgadas em jornais e ficava imaginando aquelas que ficam na obscuridade. Este "desfile" vinha acompanhado de uma profunda sensação de impotência. Selecionei alguns amigos, de diversas áreas, pessoas com algum tipo de poder, entendimento e sensibilidade para partilhar esta inquietação. Ao mesmo tempo, fui questionando se estariam dispostos a pensar a respeito da violência. Todos tinham várias histórias. Alguns tinham notícias dos diferentes grupos, que vêm trabalhando seriamente com o tema, no Instituto de Psicologia da USP, no HC, no Instituto Sedes Sapientiae, na Faculdade de Saúde Pública da USP e tantos outros. São evidentes as dificuldades encontradas por essas pessoas para levar a cabo e divulgar o seu trabalho multifacetado, que tem uma amplidão e uma complexidade imensa. Estes amigos foram unânimes em dar a sua contribuição e mostraram-se dispostos a levar à frente esta proposta, nos meios em que atuam, saindo do isolamento, procurando soluções simples de mobilização. Moreno escreveu, no final da sua vida, um de seus mais belos textos de que tenho conhecimento - The Religion of God-Father - no qual explica, com clareza, o seu conceito de Deus/Pai, associado à noção de Responsabilidade. Ele conta que esta questão que o acompanhou, "como uma linha vermelha" durante todo o curso de sua vida. A questão que se levanta é: sou eu o agente ou o objeto do processo de criação do Cosmos? Moreno, um deus "caído", como ele mesmo se auto denomina, vislumbrou para nós, e nos legou um referencial rico para que (com humildade) tentemos nos tornar os deuses/pai de uma nova era. A minha proposta como psicodramatista é estendermos os nossos braços até onde a gente alcança, procurando tocar o outro, para que assim, lentamente, saindo da imobilidade, possamos liberar formas cada vez mais criativas de lidarmos com os problemas sociais que nos afligem, escutando, valorizando, aprendendo, contribuindo e nos integrando àqueles que já se iniciaram nessa caminhada. Nilza de Carvalho Pinto Viegas
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