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   Jornal Informativo da FEBRAP - Federação Brasileira de Psicodrama
   Ano 15 - nº3 - Julho/Agosto/Setembro - 1998


Outras Edições



Editorial

Grande é o número de Psicodramatistás inscritos para a apresentaçao de trabalhos, nas mais diversas modalidades e áreas de aplicação, no 11º Congresso Brasileiro de Psicomarna, e já é bastante nume rosa a adesão dos profissionais para os casamentos, parcerias da inusitada proposta do no Congresso Ibero-Americano. Esses dois grandes eventos, promovidos pela FEBRAP para 1998 e 99, estão sendo bastante prestigiâdos pela noss-sa comunidade. Esses fatos mostram todo o empenho do grupo de profissionaís Psicodramatistas, das mais diversas
áreas de aplicação, no estudo da teoria eda prática para a construção e desenvolvimento do saber psícodramático.

Estamos vivendo uma época onde o pensamento científico não pode ser departamentalizado. Não podemos pensar nas várias ciências, várias abordagens, várias práticas de forma separada, em todos Os campos do conhecimento somos forçados a tratar com as totalidades, com a comple- xidade. Não poderia ser diferente na nossa área. Portanto, não podemos ficar restritos só ao universo psicodramático.

Essa reflexão nos leva a posturas mais integradas e abertas para outras áreas. Hoje, os PsicOdramatistas estão presentes nas mais diversas atividades e distintos eventos científi-
cos, apresentando aspropostás do Psicodrama e conjugando-se perfeitamente com os novos paradigmas científicos.

Pudemosverificarque tivemos representantes em vários congressos e encontros de diversas áreas. Foi gratificante o expressivo número de Psicodramatistás nom Congresso de Terapia Familiar, realizado emjulho/98 no Rio de Janeiro, apresentando trabalhos e participando de mesas-reclondas. Uma dessas apresentações está disponível para os leitores logo abaixo.
Esta edição reforça, mais umavez, a importância do momento político em que nos encontramos, visto que se aproximam as eleições para a próxima Diretoria Executiva da FEBRAP. Há tempo para que você venha participar ativamente para a obtenção dos Qbjetivos propostos.


Maria Cecília Veluk Dias Baptista
Diretora de Divulgação e Comunicação

Índice

Eleições FEBRAP 1999/2000 - Ano de eleição

Dentro de alguns meses estaremos repassando a Diretoria Executiva da FEBRAP a seus novos dirigentes. O compromisso das Diretorias Executivas da FEBRAP com suas federadas e com o avanço e divulgação do Psicodrama vem se construindo em vinte e dois anos de existência
dessa federação. Assistimos a seu crescimento junto com a aceleração da modernidade e do desenvolvimento tecnológico. Buscamos conhecer como ocorre a formação dos Psicodramatistas, a produção do conhecimento e o exercício profissional da nossa categoria. Visitamos todas as regionais, verificando seus problemas, pontuando e negociando as diferenças.

A reconstrução produtiva é uma realidade que a maioria das organizações mundiais têm enfrentado nos últimos anos. A flexibilização da produção com o advento da mudança deste paradigma tem modificado, consideravelmente, o campo da qualificação profissional. Conseqtientemente, tem exigido dos profissionais uma nova apreensão ética do mundo, uma verdadeira reciclagem no campo da discussão técnica e de procedimento da comunicação como um processo relacional, no qual a informação é construída socialmente.

Vamos deter nossa discussão a essa última consideração fazendo um link com um elemento do atual coQtexto da FEBRAP: a eleição da nova Diretoria. Temos articulado nossa gestão e pensado como Bateson: que o poder é uma idéia e uma construção. As pessoas criam a idéia do poder e passam a se comportar como se ele existisse. O poder é criado pelo contexto e inventado pelos protagonistas. Assim, as ações das federadas e dos Psicodramatistas não são vistas dentro de um jogo de poder, mas estão envolvidos a ficarem juntos, não para controlarem uns aos outros, mas para produzirem e constituírem socialmente seu contexto de ação. Esta mudança conceitual confere sentido às relações e dá um sentido mais humano. Isto nos propicia engajar em um processo de auto-reflexão. Todo diálogo organizacional é constituído por pessoas em relação.
Não basta apenas escolher os melhores representantes. Como podemos participar inteligentemente e não, simplesmente, a favor ou contra? Como nos organizamos enquanto federadas em nossas regionais, enquanto Psicodramatistas no processo de transformar as redes locais, regionais e globais? Como vamos armar nossa produção e como esta afeta nossa prática?
Que tecnologia queremos incorporar para tomar nossa atuação mais inteligente? Precisamos criar uma nova noção de autoridade, não a que pode ser, mas a que podemos assumir. Criar uma cultura de co-responsabilidade e recuperar o que queremos fazer juntos, bem como definir nossa participação para transformar. Fazer política da vida cotidiana em nossas federadas. A prática do
dia-a-dia e suas escolhas do aqui e agora. As profissões de saúde mental não são política nem moralmente neutras. Qual é o nosso lugar e o lugar do outro ? Quantas formas de pensar juntos temos explorado? É possível ganhar juntos? Qual a nova ética? A ênfase crescente na determinação social é o novo paradigma e sugere a alteração dos processos de tomada de decisão individual para uma consciência social e o trabalho em redes.

Queremos, com essas considerações, focalizar nossa atenção na importância desse momento, na articulção das chapas proponentes e na produção de todos os eventos da federação que estão acontecendo e que estão por vir. Estamos disponíveis para quaisquer informações.
Nós geramos as convenções do discurso, tanto na ciência como na vida cotidiana. Nossas formulações conjuntas da realidade são constituídas tipicamente dentro de nossos padrões de ação e elas são quase sempre importantes na construção do nosso futuro.



Marlne Magnabosco Marra
Presidente da FEBRAP

Índice

Psicodramatista Brasileiro Procura...


Psicodramatistas, parceiro, procura...
Se busca, psicodramatistas, compañero...

Avisei na edição anterior repito: O congresso já comessou! Nesta edição, acrescento:
O congresso já começou e está a todo vapor!

Essa comissão Organizadora,com ares de gente "casamenteira", leva jeito e está cumprindo a meta de botar fogo nesse pessoal psicodramatistas/psicodramatistas das regioes ibero-americanas e fazer perder o medo de cassamento duradouro, digo, intercâmbio duradouro.

Essa Comissão Organizadora,essa tal Agência MAtrimonial, so pensa nisso: agenciar casamentos, os mais incríveis! Não dá sossego para ninquém, até que estejam representadas todas as instituições federadas, até que estejam representadas todas as áreas que o psicodrama atinge:pessoal da Educação,de Recursos Humanos,de Empresas, de Saúde...do teatro espontâneo, dos atendimentos de família, crinças, adolecentes, maduros e velhinhos..., pessoal da luta comunitária, do atendimento particular e do gratuito, pessoal teórico e do prático, do pessoal formado e do em formação...

Pode esperar.Essas "agência matrimonial" vai"cutucar", vai "fazer cócegas", vai tentar tirar você da "seriedade", vai fazer tudo para você ter coragem de manifestar interesses por formar
parcerias e divirta-se, através do psicodrama,com muita filosofia, Ciência e Arte!

Aposto você não vai resistir.

Silvia Petrilli
Coordenadora de divulgação

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Os casamentos ibero-americanos

A esta altura vocês já devem ter recebido o primeiro folder do II Congresso Ibero-americano de Psicodrama, que realizaremos entre 21 e 25 de abril de 1999, em Águas de São Pedro.

Algumas dúvidas que alguns de nossos colegas tem expressado sobre as "unidades funcionais casadas" justificam, neste momento, este breve esclarecimento. detalhando alguns pontos que possam ter permanecido obscuros e reafirmando o sentido da proposta da organização do congresso.

Desejoenfatizar que o nosso objetivo principal é o de semear uma nova mentalidade entre os psicodramatistas ibero-americanos, que é a do intercâmbio permanente entre os colegas de diferentes países. O congresso que estamos organizando entra aqui como o melhor pretexto para se iniciar tal movimento que leve cada um a tomar o gostinho pela coisa.

Explicando melhor, a nossa idéia é a de organizar as atividades científicas, tanto as práticas quanto as teóricas, de modo que tanto as "unidades funcionais casadas" quanto os apresentadores dos temas teóricos sejam psicodramatistas de países diferentes, incluindo aqui também os alunos dos cursos de formação em psicodrama.

Por exemplo, na modalidade Atos Psicodramáticos, uma atividade poderá ser dirigida por um espanhol e um argentino, tendo um aluno uruguaio como ego-auxiliar ou um grupo de alunos (brasileiros, mexicanos e/ou portugueses) que se juntarão para realizar um Teatro de Reprise, formando assim, uma "unidade funcional casada".

É importante que se entenda, que o fundamental é que cada um se proponha já a um "casamento" qualquer. Seja escolhendo um tipo de atividade prática ou teórica, ou uma pessoa de outro país com quem gostaria de trabalhar. Por que isto ? Porque o fundamental é o intercâmbio. Quanto mais cedo vocês se definirem, mais tempo vocês terão para construir uma
comunicação com o(s) seu(s) pretendente(s) longínquo(s) sobre a forma e conteúdo da proposta
conjunta e, o que é melhor ainda, você o(s) conhecerá paulatinamente.

Na semana passada uma colega nossa, um tanto aborrecida com agente, queixou-se para mim: "Não tenho computador e por isso não vou apresentar nada".

Mas (olha ai, pessoal !) onde está escrito que a comunicação só pode ser feita via Internet? Utilizem carta, telegrama, fax, telefone, pombo-correio e até computador. Não importa o meio. Comuniquem-se e utilizem os serviços da Comissão Organizadora que está se propondo ao papel de agente matrimonial para auxiliá-los nestes "casamentos".

O Congresso será em abril e sabem vocês quantas "propostas de casamento" (Manifestações de Interesse) já recebemos até o fechamento desta edição? Cerca de 130 (cento e trinta). Se você ainda não fez a sua, já está ficando atrasado.

Que fique bem claro que a prioridade de apresentação de trabalhos será dada sempre a aqueles dirigidos por profissionais de países diferentes, em parceria, e como neste congresso estarão presentes mais brasileiros que estrangeiros, se este critério esgotar-se, a segunda escolha recairá sobre casamentos entre brasileiros, mas de regiões diferentes do Brasil.

Vejam o detalhamento destes critérios no regulamento interno do congresso, já distribuído às instituições federadas e publicado em parte nesta edição.

Cobrem de suas instituições a divulgação deste regulamento entre todos os associados, para que vocês se orientem melhor.

O grande desafio que lançamos para este congresso é a proposta de sermos psicodramatistas até as últimas conseqtiências.

Tenho ouvido de muitos de nossos colegas a preocupação: "E se não der certo? E se no dia da apresentação da minha vivência eu descobrir que não tenho nada a ver com o colega estrangeiro que escolhi para parceiro?" Pois bem, é isso mesmo que pretendemos. Não se trata de um congresso comprometido com o sucesso e a vaidade. É um congresso comprometido com a experiência, com o sabor da criatividade perante o desconhecido e com a crença na construção e na continuidade do relacionamento humano e, particularmente, psicodramático.

Quem viver verá. Todos sobreviveremos, respondendo a Moreno.
Há algo mais psicodramático do que isso ?


Sergio Perazzo
Coordenador Geral do II Congresso Iber-americano de Psicodrama

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13º Encontro Internacional de psicoterapia de grupo

O tema este 13 congresso, realizado em Londres, dia 23 a 28 de agosto, fOi: "Amqullamento, sobrevlvencia e re-criação". A partir deste tema observei, com meus olhos não-europeus, a profunda preocupação e interesse dos pensadores europeus pelas questões raciais,étnicas e da identidade grupal das diversas culturas, frente às guerras, invasões e imigrações. Senti que nós, brasileiros, diante de tantos problemas sociais relacionados à má distribuição de renda e à miséria que nos cerca, não avaliamos muitas vezes a gravidade de outras realidades sociais
e quanto elas podem transformar o mundo num barril de pólvora. Muitos pensadores estão tentando entender como se transmitem esses traumas culturais; acredita-se numa transmissão transgeracional da impotência, da vergonha e da humilhação sentidas em função de eventos traumáticos que têm representações compartilhadas culturalmente. A partir dessa idéia, postula-se a presença de um marcador étnico, que conteria a representação mental da história de
determinado povo. A psicoterapia de grupo seria uma forma privilegiada de tratamento para estas questões. Havia exo positores de várias partes do mundo, apresentando trabalhos com populações que sofreram traumas sociais que foram tratados em grupo. Isto lembrou-me do velho sonho de Moreno de tratar a sociedade através da psicoterapia de grupo. Será que nosso trabalho atingirá essa dimensão macroscópica? Será que populações marginalizadas e
traumatizadas poderão sobreviver com dignidade? Será que não destruirão seus agressores? Será que poderemos ajudar na elaboração destas vivências para haver alguma poso
sibilidade de reparação? Essas Questões ficaram ecoando dentro de mim...

Voltando agora minha atenção para nosso pequeno subgrupo dentro da IAGP, isto é, de brasileiros Psicodramatistas, (éramos 18 pessoas: Anna Maria Knobel, Camila Gonçalves, Carlos Borba, Glória Hazan, lçami Tiba, José Fonseca, Pablo Burstein, Ronaldo Pamplona, Rosa Cukier, Maria Rita Seixas, Regina Volpe, Luiz Altenfelder, Luiz Cuschnir e T atiana Chahin, de São Paulo; Edite S. Xavier, de Itajaí; Fábio Vellwock, de Camburiú; Fátima Fontes, de Recife e Marlene
Marra, presidente da FEBRAP, de Brasília! sinto-me à vontade para afirmar que preenchemos com dignidade e competência nosso espaço. Nosso espaço diário no programa, chamado de "The Brazilian Connection", foi conquistado pelo dedicado trabalho do Dr. José Fonseca na IAGP, como membro do Conselho Diretor desde 1995. Isto possibilitou o reconhecimento da nossa produção científica em nível internacional, além do intercâmbio intelectual com outros profissionais.

Neste congresso, Dr. lçami Tiba também tomou posse como membro do Conselho, aumentando nossa representatividade nesta organização internacional. Dr. Fonseca abriu a oportunidade de termos uma sala (com uma vista bem londrina, com o "Big Ben" ao fundo), todos os dias (menos na quarta.feira, na qual foram realizadas atividades ligadas à história da IAGP!, durante uma hora e meia. Foram apresentados os seguintes trabalhos práticos com processamento teórico: Anna Maria Knobel, "Sociodrama: Um jeito poderoso para se trabalhar com grupos"; Rosa Cukier, "Psicodrama Bipessoal"; Maria Rita Seixas, "Psicodrama e Teoria Sistêmica em T erapia Familiar" e José Fonseca com "Psicoterapia da Relação". Além destes trabalhos que constituíram o "The Brazilian Connection", houve a apresentação do grupo Vagas Estrelas, dirigido por Camila Gonçalves, com a participação de Glória Hazan, Carlos Borba, José Fonseca e Ronaldo Pamplona como atores, Anna Maria Knobel como diretora do Psicodrama, T atiana Chahin, como ego-auxiliar de platéia e Rosa Cukier como tradutora para o inglês e para o espanhol. Fátima Fontes, Psicodramatista de Recife, apresentou vivência intitulada "Eu sou humano, há uma ligação entre você e eu. A força de uma proposta de grupo", numa mesa de Arte Terapia. Rosa Cukier apresentou o trabalho: "Eu te odeio -não me abandone -O Psicodrama e o trabalho com o cliente borderline", numa mesa sobre o trabalho com borderlines. Edite S. Xavier, Psicodramatista de Itajaí, apresentou o trabalho "Os efeitos da pós-graduação lato sensu em Psicodrama", numa mesa sobre o ensino da psicoterapia de grupo.

Tive o prazer de estar presente em vários trabalhos dos brasileiros, ora como tradutora, ora como ego-auxiliar, às vezes ajudando com as transparências e também como espectadora.

Senti um clima cooperativo entre todos os membros da delegação brasileira; ouvi diversos relatos enfatizando essa agradável sensação. Precisávamos uns dos outros já que não havia
tradutores oficiais (somente para as grandes palestras matinais -as keynotesl, portanto, nos esforçamos para sermos compreendidos por anglo-saxões, bem como por pessoas de língua
hispânica. Nossa platéia era eclética tanto em termos étnicos como de linha de trabalho; alguns apareceram mais de uma vez.

Conquistamos, a meu ver, visibilidade e respeitabilidade. Sentia-me como membro de uma família profissional da qual me orgulhava de pertencer, tanto em termos de relacionamento hu-
mano quanto de capacidade intelectual.

Tatiana Chahin
Psicólogia e psicodramatista pela SOPSP

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Mais um pouquinho sobre instituição co-organizadoras

A Companhia do Teatro Espontâneo foi fundada há 10 anos. A proposta é pesquisar, desenvolver e divulgar o teatro espontâneo: a) para um aproveitamento maior de suas potencialidades enquanto arte e enquanto ferramenta de intervenção social; b) como pesquisa básica para o desenvolvimento do psicodrama e do sociodrama.

Atividades que desenvolve: a) mantém um curso de formação em psicodrama e teatro espontâneo, onde desenvolve não apenas a formação em si como também a pesquisa metodológica ( como ensinar psicodrama e teatro espontâneo); b) presta assessoria a outros cursos de formação, na forma de supervisão e transmissão da experiência acumulada;
c) mantém grupos de estudos com docentes de psicodrarna; d) mantém grupos de estudos e supervisão específicos para diferentes áreas de atuação profissional; e) organiza eventos de divulgação e troca de experiências nas áreas de ensino e aplicação prática do teatro espontâneo; f) promove apresentações de teatro espontâneo para públicos abertos ou fechados, através de sua trupe ou dos alunos de sua escola; g) publica o boletim "Leituras". Moysés Aguiar, que foi seu fundador e dirige a entidade até o presente, é psicodrarnatista, professor-supervisor credenciado pela Federação Brasileira de Psicodrarna. Publicou dois livros de sua autoria, "Teatro da anarquia " e "O teatro terapêutico"; organizou "0 psicodrarnatista", do qual participa como um dos autores; participa também como um dos autores de "Rosa-dos-ventos da teoria do psicodrarna" e "Quem é o psicólogo brasileiro". Seu novo livro, "Teatro espontâneo e
psicodrarna", está no prelo, devendo ser lançado pela Editora Ágora por ocasião do próximo congresso brasileiro de psicodrarna.

Contatos podem ser feitos através do Te1: 55- 11-885.7474, Fax: 55-11-258.2410 e o e-mail:
moyses @ correionet.com. br

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Em cena pergunta:

Dalmiro Bustos

"O mundo está promovendo um individualismo feroz.
Cada um por si. Desaparecem ideais comunitários.
As figuras identificatórias atuais são aquelas que têm
a imagem com único foco. Os políticos parecem estrelas
de cinema, a imagem está nas mãos de preocupados
assessores que procuram aqueles ângulos que vendem mais. "


O senhor tem acompanhado o desenvolvimento do Psicodrama na América Latina? Como tem
visto a produção científica dos psicodramatistas latinos?


Meu primeiro e rudimentar contato com o Psicodrama foi no ano de 1963, trabalhando como ego-auxiliar num grupo de terapia com crianças. Trinta e cinco anos depois, aprendendo e ensinando Psicodrama no mundo, mais especialmente na Argentina, Brasil, Uruguai e México, vejo um crescimento e um empenho enorme na produção científica: o grande problema reside na barreira dos idiomas dominantes.

Muitos de nós, acho que a maioria, falam inglês e lêem a bibliografia escrita nesse idioma. O recíproco não é possível. Os Psicodramatistas do primeiro mundo pouco se interessam
pelo que é descoberto aqui embaixo. E nós, como bons colonizados, desvalorizamos nossos achados e idealizamos os provenientes do primeiro mundo. Felizmente, percorro o mundo e
posso dizer que nosso nível científico é claramente comparável com o deles e, em muitos casos, melhor. Talvez devêssemos adquirir um maior rigor científico e fundamentar mais profun-
damente nossas descobertas. Sem dúvida me incluo nessa ressalva.


Sobre o tema do nosso Congresso: "Atualizando a Cena", quais as mudanças que o senhor vê como mais significativas no Psicodrama desde sua formulação teórica até o seu momento atual?

O Psicodrama, ou melhor, os Psicodramatistas têm trabalhado em campos apenas insinuados por Moreno, na educação e em grupos de terapia, tendo que adaptar as técnicas e rever conceitos. O caminho em direção a um trabalho social ainda está reduzido ao louvável esforço de alguns
Psicodramatistas. A pressão de nosso cotidiano em termos econômicos faz com que os Psicodramatistas se refugiem nos consultórios, esquecendo o que Moreno ensinou: "usar o Psico-
drama só para a clínica é como usar um jato para ir até a esquina".


Neste final de milênio podemos perceber transformações sociais profundas que estão
determinando novas formas de ser no mundo. Que leitura sociodramática podemos fazer da
cena atual?


Esta terceira pergunta é a mais complicada para ser respondida em poucas palavras. O mundo está promovendo um individualismo feroz. Cada um por si. Desaparecem ideais
comunitários. As figuras identificatórias atuais são aquelas que têm a imagem com único foco. Os políticos parecem estrelas de cinema, a imagem está nas mãos de preocupados assessores que procuram aqueles ângulos que vendem mais. Olhando esses falsos ídolos, totalmente de plás-
tico, o mundo se pergunta em quem confiar, para onde vamos? A corrupção níio é só uma questão circunstancial, marca um valor centrado na razão do poder: basta ter poder,
seja econômico ou político, para poder passar por cima das regras éticas de convivência. Os modelos dominantes, como o norte-americano, mostram que como são poderosos podem matar, destruir, invadir. Gostaria de pensar que tenho poder porque tenho razão e não o contrário. Por que a conseqtiência desastrosa é que esse paradigma se estende em todos os níveis, promovendo a violência que devasta o mundo. O que esperamos que guie nossos filhos e netos? Temos em nossas mãos um elemento que está concebido para procurar a verdade. Propõe como método de comunicação o compartilhar, que é muito mais do que a terceira parte da sessão de Psicodrama: é uma fórmula antiviolência. Vamos partilhar nossas experiências, vamos juntar nossos esforços para criar espaços de crescimento. O individualismo leva à solidão e à depressão. O vazio existencial se nega com álcool, drogas, consumismo. Ninguém tem tempo
para se perguntar: para que estou nesse mundo? A minha utopia, sem a qual não sei viver, é juntar forças para criar espaços nos quais possamos juntar as nossas mãos e as nossas al-
mas. E oferecer uma alternativa dentro do vazio das propostas atuais.

Pierre Weil

"A crise de fragmentação disciplinar própria ao movimento
científico atual, incluindo a psicologia, tem afetado também
o Psicodrama. A variedade dos métodos e técnicas é tão
grande que precisaria de várias vidas para aprender a usá-las.
E parece que precisamos voltar à essência do Psicodrama,
como formulou o casal Moreno."



O senhor tem acompanhado o desenvolvimento do Psicodrama na América Latina? Como tem
visto a produção científica dos Psicodramatistas latinos?


Parece-me que, embora o sucesso e a eficiência do Psicodrama fale por si só, há a necessidade de mais pesquisas a curto, médio e longo prazo, sobre os efeitos posteriores do Psicodrama.


Sobre o tema do nosso Congresso: " Atualizando a Cena", quais as mudanças que o senhor vê como mais significativas no Psicodrama desde sua formulação teórica até o seu momento atual?

A crise de fragmentação disciplinar, própria ao movimento científico atual, incluindo a psicologia, tem afetado também o Psicodrama. A variedade dos métodos e técnicas é tão grande que precisaria de várias vidas para aprender a usá-las. E parece que precisamos voltar à essência do Psicodrama, como formulou o casal Moreno.


Neste final de milênio podemos perceber transformações sociais profundas que estão
determinando novas formas de ser no mundo. Que leitura sociodramática podemos fazer da
cena atual?


Precisamos desenvolver cada vez mais o ideal de Moreno e colocar o Psicodrama a serviço do desenvolvimento do ser humano, como um ser universal e cósmico. O Psicodrama precisa da dimensão espiritual, sem a qual ele carece de alma.

Zerka Moreno
"O final do milênio nos mostra profundos desafios.
As desordens políticas, desenvolvimentos tecnológicos,
controle das doenças e da fome, todos esses
estão além de nossas capacidades atuais."



A senhora tem acompanhado o desenvolvimento do Psicodrama na América Latina? Como tem
visto a produção científica dos psicodramatistas latinos?


Devido a meu conhecimento de português e espanhol não ser suficiente para fazer um julgamento próprio dos dados das atividades do Psicodrama na América Latina, eu posso so-
mente ir pelos contatos pessoais que eu tenho com colegas dessa parte do mundo. Minha impressão é que há um vigor e crescimento na comunidade latino-americana envolvendo nosso
trabalho. Eu mesma tive grupos de estudantes vindos do Brasil e Argentina, no passado, que têm trabalhado arduamente para treinar outros e praticar o que aprenderam. Eu estou muito feliz por notar que há, agora, muito mais países de língua espanhola na América Latina onde o Psicodrama parece estar florescendo.


Sobre o tema do nosso Congresso: "Atualizando a Cena", quais as mudanças que a senhora vê como mais significativas no Psicodrama desde sua formulação teórica até o seu momento atual?

Com referência às mudanças significativas no Psicodrama desde sua formação teórica, é claro que sua aplicação tem bastante expansão. São muito, devidas aos treinadores e de
votos que iniciaram seus próprios centros e cursos. Esta expansão envolve muitas áreas: abuso sexual, emocional e físico; vítimas de torturas políticas; problemas familiares, alcoolismo e
drogadição; treinamento para negociação com prisioneiros; role playing em organização e indústria; roleplaying para advogados criminais; role playing com policiais que lidam com crises da comunidade; tratamento de crianças e adolescentes nas clínicas e hospitais psiquiátricos; tratamento de soldados com traumas de guerra; tratamento de crianças na guerra e revoluções civis etc. O Psicodrama conquistou países do bloco soviético e, literalmente, circula o mundo.

Neste final de milênio podemos perceber transformações sociais profundas que estão
determinando novas formas de ser no mundo. Que leitura sociodramática podemos fazer da
cena atual?


O final do milênio nos mostra profundos desafios. As desordens políticas, desenvolvimentos tecnológicos, controle das doenças e da fome, todos esses estão além de nossas capacidades atuais. O que nós precisamos fazer é organizar centros de tratamento e profilaxia dos problemas diários centros de emergência em todas as comunidades, abertos 24 horas. Onde as pessoas poderão vir para resolver seus problemas antes da escalada violenta dos mesmos; escola para pais; testes clínicos do papel pré-marital classes para jovens trabalharem seus problemas de identidade. Centros onde os jovens venham elaborar seus problemas com suas famílias de ori-
gem, antes que eles se tomem pais. Nosso primeiro propósito é a negociação e resolução dos nossos próprios problemas interpessoais.

Nós precisamos muito, nós precisamos vir a ser soldados da paz, ao invés de soldados de guerra.

Antonio Carlos Cesarino
"A grande riqueza do momento atual do psicodrama
brasileiro (já existe um "Psicodrma Brasileiro"!) é
exatamente a grande quantidade e variedade de sua
produção científica, mesmo levando em conta a
diferença de nível e de ordem de preocupações
prioritárias existentes."


O senhor tem acompanhado o desenvolvimento do Psicodrama na América Latina? Como tem visto a produção científica dos Psicodramatistas latinos?

Não tenho acompanhado com detalhe a produção dos outros países latino-americanos; logo, não vou responder essa questão. Outros (Fonseca e Perazzo, por exemplo ), podem respondê-la melhor.


Sobre o tema do nosso Congresso: "Atualizando a Cena", quais as mudanças que o senhor vê como mais significativas no Psicodrama desde sua formulação teórica até o seu momento atual?

Para responder com propriedade a esta pergunta teria que ocupar muito mais espaço do que é possível neste momento. Resumo, e com isso corro o risco de ser impreciso e injusto. Falar de mudanças mais significativas seria escolher linhas de desenvolvimento mais importantes. Entretanto, para mim, a grande riqueza do momento atual do Psicodrama brasileiro (já existe um "Psicodrama Brasileiro"!) é exatamente a grande quantidade e variedade de sua produção científica, mesmo levando em conta a diferença de nível e de ordem de preocupações prioritárias existentes. Claro que cada um de nós situará como mais importantes e significativas es-
tas ou aquelas linhas de trabalho. Mas para mim, o mais significativo é, ainda, o interesse em produzir. Sérgio Perazzo enumera, em artigo de 1995, que até então haviam sido publicados
54 livros e mais de 600 artigos sobre Psicodrama no Brasil. Imagino quanto terá crescido este número até hoje! Cena atual, portanto: muita gente debruçada sobre o Psicodrama, ten-
tando entender, criar, combinar, enriquecer, com maior ou menor propriedade e capacidade, pouco importa.


Neste final de milênio podemos perceber transformações sociais profundas que estão determinando novas formas de ser no mundo. Que leitura sociodramática podemos fazer da
cena atual?


Não sei se Sou capaz de distinguir, para tocar em uma questão tão "global", uma leitura propriamente Sócio-dramática de uma leitura histórica e política. As transformações Sócio-
econômicas, pelas quais o mundo vem passando, estão modificando profundamente o modo de existir do homem (nosso objeto de observação e trabalho). Na medida em que a religião que
mais cresce no mundo atual é a do dinheiro, como diz Roger Garaudy, e tudo que não significa lucro, fruição imediata (sendo que fruição se limita cada vez mais apenas a consumo -de
coisas oU pessoas), vem perdendo o valor, a cena atual é cada vez mais pobre. Por um lado, uma multidão crescente de excluídos de tudo o que significaria dignidade no viver, por oU-
tro lado, cada vez mais distante e temerosa dessa maioria um grupo cada vez menor de "beneficiários", eles mesmos cada vez mais vazios e solitários, disputando a chance de se
desumanizar com mais requinte. Pessimista? Nem tanto, até acho que uma das armas que se poderia lentamente utilizar para criar consciência do que se passa é exatamente o nosso "o quê
fazer?", principalmente se ampliado para o social.


Índice


Passado e pressente aqui e agora

Estamos atualizando a cena!
Bom poder conferir o quanto é viva e atual a prática psicodramática. Às vezes me sinto constrangida ao falar da versatilidade e abrangência do Psicodrama. Receio que as pessoas me achem presunçosa ou iludida. Mas você, Psicodramatista, sabe o quanto o Psicodrama nos permite alcançar. Sabe que Moreno nos legou uma metodologia construída de tal forma que nos permite a atualização de sua prática sem prejuízo do referencial teórico.

Podemos, com correção e coerência, atualizar a forma de trabalho atendendo a multiplicidade de demandas que temos enfrentado. Vivemos numa época em que fim e princípio se confundem; em que fatos e lendas se concretizam em alternâncias impensadas e ilógicas. Para enfrentar isso, o Psicodramatista tem referências para atender às necessidades explícitas pela sua múltipla clientela. A reflexão e o atendimento psicodramático desenvolvem-se a partir da liberdade da criação com espontaneidade e da segurança de um aporte teórico firme. Aurélio Buarque de Holanda define metodologia como "a arte de dirigir o espírito na investigação da verdade". Penso nesta definição como uma proposta psicodramática: sistematizar com arte a condução da busca da verdade própria, sem perder a prudência nem o raciocínio, mas descobrindo a alma na ação.

A Conferência " Atualizando a Cena" será o símbolo do 11 Q CBP e do 42 ELAP. Ela nos levará ao início da proposta teórica de Moreno, nos fará passear pelos caminhos percorridos pelos nossos mestres através de seus próprios depoimentos, nos levará ao encontro de seus sonhos e da sua prática verdadeira e posta em ato.

A presença de Psicodramatistas como Anne Ancelin, Bermudez, Bustos, M. Alicia Romafia, Pierre Weil e Zerka Moreno -para citar apenas os participantes da Conferência -nos garante o testemunho da cena atualizada. Tenho certeza de que encontraremos nossos pares, dividiremos nosso saber, multiplicaremos nossos conhecimentos, abraçaremos amigos que não vemos há muito tempo, faremos novos amigos e testemunharemos declarações memoráveis.

Este será um lindo congresso! Porque você estará presente !



Maria Eveline Cascardo Ramos
Presidente do 11º CBP

Índice


Moreno: Pioneiro criativo da terapia familiar e de casal

Este trabalho tem como objetivo resgatar as contribuições inovadoras de Moreno sobre o relacionamento interpessoal, verdadeiramente precursoras no campo da terapia familiar.

Tem, também, a pretensão de organizar fatos e datas, de forma que Moreno possa passar a ser também reconhecido como um dos mais criativos pioneiros da terapia familiar e de casal. O histórico da terapia familiar é bem conhecido: sabe-se que o movimento começou nos EUA, no início dos anos 50, quando alguns estudiosos do comportamento humano começaram a observar famílias inteiras, ao invés de apenas um de seus membros, com a hipótese de que certos distúrbios psiquiátricos seriam a manifestação do funcionamento familiar. Considera-se que a terapia familiar tem como marco inicial as pesquisas de Bateson e do grupo de PaIo Alto sobre a gênese da esquizofrenia.

Ao final da década de 50 já estava plenamente estabelecida a idéia de que a faffi11ia inteira funciona como um sistema complexo onde cada um de seus membros é interdependente um do outro.

Os considerados precursores da terapia de casal se situam em 1930: Paul Poppenoe em Los Angeles; o casal Stone, em Nova Iorque; e Emily Mudd, na Filadélfia. Nos anos seguintes foram criados vários centros nos Estados Unidos e, a partir daí, desenvolveram-se vários grupos e diversas escolas ao redor do mundo. Nathan Ackerman é citado como um dos primeiros a trabalhar com faIn11ias inteiras, já nos anos 40. Considera-se que Ackerman tenha sido influenciado pelas idéias de Moreno sobre a psicoterapia de grupo e sobre o relacionamento interpessoal, embora este último não seja sequer citado com referência à terapia conjugal e familiar.

J .L. Moreno é reconhecido como criador do Psicodrama e um dos precursores da Psicoterapia de Grupo; no entanto, pouco se fala de suas contribuições verdadeiramente fundamentais para o campo da terapia familiar.

A maior parte dos terapeutas familiares ignora que, desde o início dos anos 20, Moreno desenvolveu uma teoria inter-relacional da psicoterapia, que resultou em formulações verdadeiramente sistêmicas sobre terapia familiar e de casal.

Em 1920, Moreno atuava como médico em uma pequena cidade da Alemanha (Bad Võslau), e trabalhava frequentemente com faIn11ias inteiras, discutindo seus problemas e explorando novas possibilidades de saída para situações psicológicas difíceis; representava com membros da família ou com o grupo todo, as situações de sofrimento, o que levava a uma desdramatização do fato.

Chamou este tipo de intervenção de Teatro Recíproco. Moreno escreve, em 1923, O Teatro da Espontaneidade, onde descreve seus métodos de ação e sua mudança da psicoterapia individual para a abordagem grupal. Por esta época, já havia publicado em sua revista Daimon, de forma poética, alguns conceitos sobre relações interpessoais.

Em 1927, trabalhava em Viena com o Teatro da Espontaneidade, quando descobre o valor verdadeiramente terapêutico da dramatização de um conflito num palco; é interessante que o início do que passa a se chamar de Teatro Terapêutico (considerado um dos berços do Psicodrama), tenha se dado através do trabalho com um casal.

Em 1934, publica Who Shall Survive, onde desenvolve os pressupostos teóricos da Sociodinâmica, que constituem a base de estudos de grupo, tais como a família.

Em 1937, cria a revistaSociometry. Uma revista para relações interpessoais, onde retoma alguns conceitos já expressos no início dos anos 20, e publica ao longo dos próximos anos vários artigos sobre o relacionamento interpessoal. A Socio metria, ciência que estuda os relacionamentos interpessoais, vê a estrutura social como um todo, composto de partes: estuda a totalidade dos grupos humanos, assim como cada parte. As redes psicológicas são formadas por átomos sociais que se inter-relacionam numa complexa cadeia. O diagnóstico, para Moreno, deve se embasar fundamentalmente em informações sobre como o paciente opera e interage naquele momento, com membros de sua família e da rede social. Ainda em 1937, Moreno trata de um problema conjugal com um triângulo amoroso, onde enfatiza a existência de uma neurose interpessoal, vista por ele como uma unidade especial de tratamento. AfIrma: "Eu não estava tratando uma pessoa, ou a outra, mas uma relação interpessoal, ou o que pode ser chamado de neurose interpessoal"... Neste caso, o Sr. e a Sra. A podem ser ou não indivíduos neuróticos. A sua neurose interpessoal co-existe."

Em 1940, descreve algumas de suas técnicas específicas utilizadas no tratamento de casais. Nesta época, Moreno poderia ser descrito como um terapeuta com uma orientação claramente sistêmica. " A descoberta de que a sociedade humana tem uma estrutura central, real e dinâmica
subjacente e deterrninante de todos os agrupamentos formais e periféricos, será um dia considerada a pedra fundamental de todas as ciências sociais."

Passa então a tratar conjuntamente marido e mulher, mães e filhos, afinnando que separados um do outro, podem não ter qualquer problema psicológico perceptível; estes agrupamentos necessitam de um tratamento específico, que "atinja as síndromes interpessoais tão profundamente como se fossem uma só pessoa..." "Terapia Interpessoal" representa uma categoria especial, que poderia ser classificada separadamente das psicoterapias individuais e de grupo."

Entre os sociodramatistas terapeutas familiares são bem conhecidas as contribuições de Moreno no campo da terapia familiar e de casal, assim como sua perspectiva claramente sistêmica e portanto pioneira. No entanto, embora já existam algumas boas publicações sobre o tema, temos ainda muito a criar e aprofundar, no sentido da elaboração de um campo teórico consistente sobre o sociodrama familiar.

Resumo de trabalho apresentado na mesaredonda sociodrama familiar Sistêmico,durante o III Congresso Brasileiro de terapia familiar-Rio de Janeiro,29/07 a 3/07/1998.

Maria Regina Castanho França
Psícologa, psicodramatista, terapeuta familiar:SOPSP, membro da
equipe de coordenação do curso Terapia familiar em hospital,
da escola paulista de medicina.

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Brasil, quarta, 20/08/2008


Última atualização: 13/08/2008


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