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Jornal Informativo da FEBRAP - Federação Brasileira de Psicodrama
Ano 15 - nº2 - Abril/Maio/Junho - 1998
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Outras Edições
Editorial
Acreditamos que a atuação organizada dos psicodramatistas em suas federadas e em suas regionais poderão desenvolver uma formação e uma pratica profissionais mais críticas e competentes,criando melhores condições
para a ampliação do psicodrama na âmbito nacional.Se querermos uma ação
democrática no movimento psicodramático,fundada nos princípios éticos, é preciso fortalecermos as nossas bases,que são as nossas federadas
e regionais.Dessa forma percebemos a importância dos encontros regionais
onde não só ocorre o enriquecimento e troca científica,mas também é a
primeira instância para as discussões políticas do nosso movimento.Portanto,
é com satisfação que vemos mais três encontros regionais ocorrem: Norte-Nordeste, Sul e Centro-Oeste. Não podemos esquecer que estamos em ano de
eleição,não só do Presidente da República,Governadores e deputados mas
também para a Diretoria Executiva da FEBRAP,por isso todos os espaços
são importantes para discurtimos e nos envolvermos com nossa federação
e torná-la cada vez mais capaz de atender as nossas necessidades.
Apesar de estarmos mobilizados com eventos nocionais de grande porte
como a Copa do Mundo e as Eleições,já está na hora de darmos o arranque inicial,ligarmos os motores e nos aquecermos para os Congressos
Brasileiro,Latino-Americano e Ibero.
Todos psicodramatista está convocado a participar desses eventos,pois
é através dessa participação que poderemos conhecer o que de mais atual
está sendo produzido no Brasil,na América Latina e na Penísula Ibérica,
e também apresentar nossa produção.Estes são investimentos científicos
com os quais todos nós devemos nos comprometer.
Todas as comissões organizadoras e científica estão dando o melhor de
si para poderem constituir eventos marcantes no desenvolvimento do
psicodrama.Vocês não pode perder essas oportunidades.Contamos com todos
os psicodratistas.
O jornal em cena,para ir "Aquecendo a cena",traz nesse número amplas
matérias sobre o Congresso Brasileiro e Latino-Americano e o 2ºEncarde
do Congresso Ibero-Americano.
Leiam e vejam quantas propostas interessante e imperdíveis ocorrerão
nesses eventos.
Maria Cecília Veluk Dias Baptista
Diretoria de Divulgação e Comunicação
Índice
O Congresso já começou!
Que evento é esse que estumula "paqueras",
"namoros"e "casamentos"?Que gente é esta que,
com ares de agência matrimonial,propõe aos
psicodramatistas a procura de parceiros,através
de metáfora casamenteira?
O evento é o II Congresso Ibero-americano de psicodrama que como projeto realizar um intercâmbio
de verdade,efervescente e duradouro.È uma novidade
e um grande desafio.Esta gente casamenteira é uma
gente entusiasmada.È a comissão Organizadoras,uma
verdadeira "agencia matrimonial",formada por pessoas
que não confundem trabalho com brincadeira,mas sabem
que ótimos resultados podem ser conseguidos através
de um trabalho alegre e divertido.
Psicodramatistas são peritos em metáforas e contamos com isto para envolvê-los em nossa paixão pelo projeto deste congresso.
Para quem ainda não percebeu,um aviso:O CONGRESSO JÁ COMEÇOU!
Psicodramatistas e estudantes de psicodrama,do Brasil e do
exterior,já estão em ação,buscando parceiros para construir
"unidades funcionais casadas".
A agência matrimonial,digo,a comissão Organizadora,já está
funcionando a todo vapor,e conta com uma lista "viva" de pretendentes.Quanto mais rápido procurá-la,melhor!Mais tempo
de intercâmbio,mais tempo para divertir-se contando pessoas,
mais tempo para a preparação da "cerimônia de casamento",quero
dizer,para a preparação do trabalho que derá apresentado no
congresso.
Neste encarte,preste bem atenção,há intruções importantes
para quem estiver interessado em participar do elenco deste
congresso que será um grande espetáculo.Em cada artigo há informação,em cada canto uma dica e um convite:VENHA PARTICIPAR COM GENTE DESTE CONGRESSO QUE JÁ COMEÇOU DIFERENTE,OUSADO E BEM HUMORADO.
Silvia Petrilli
Coordenadora de divulgação
Índice
Algumas informacões importantes
P tema: PSICODRAMA: Filosofia, Ciência, Arte? Convida a refletir sobre
questões tais como: Seria o Psicodrama
uma expressão humana que abriga a possibilidade de conjugar Filosofia, Ciência e Arte? Como
se dá esta conjunção em nosso dia-a-dia profissional? Como nos situamos dentro destes territórios? A produção moreniana poderia nos remeter
ao desafio de romper estas fronteiras? Para promover esta reflexão, o congresso oferecerá algumas modalidades de atividades: ESCRITOS
PSICODRAMATICOS; ATOS PSICODRAMATICOS; TEMAS EM DEBATE; SUPERVISÃO; MáDULOS TEMATICOS ARTICULADOS; GRUPO DE DISCUSSÃO DRAMATIZADA; APRESENTANDO AUTORES, COMENTANDO LIVROS E TESES; POSTER...
O objetivo do congresso é o intercâmbio de
conhecimento entre psicodramatistas de países
ibero-americanos como prática cotidiana, expandindo a possibilidade de trocas científicas
para além do momento do congresso. A forma
de atingir este objetivo é o grande desafio e a
grande novidade deste congresso.
O II CONGRESSO IBERO-AMERICANO JÁ COMEÇOU. Veja como: desde já, a
Comissão Científica (coordenada por Milene De
Stéfano Féo) está estimulando, promovendo,
"provocando" a atuação teórica e prática conjunta -"unidade funcional casada" -de psicodramatistas e profissionais em formação de diversos países ibero-americanos e de diferentes regiões do país. A Comissão Científica está funcionando como se fosse uma "agência matrimonial", promovendo "casamentos" entre psicodramatistas dos diversos países participantes. Deste
modo, para citar um exemplo, trabalhos práticos
como Sociodrama, Axiodrama, Teatro Espontâneo, serão dirigidos por uma unidade funcional
(que estamos chamando de "unidade funcional
casada "composta por psicodramatistas de diferentes países ibero-americanos. Imagine um
Sociodrama sendo dirigido por um português e
um mexicano, um Teatro Espontâneo por uruguaio e um espanhol e assim por diante. Também funcionará assim a preparação das atividades sócio-culturais. Que tal um saxofonista espanhol, um baterista argentino, um pianista português e uma cantora brasileira em parceria numa
apresentação durante o evento? Desde já a Comissão Sócio Cultural (coordenada por Wilma
Silveira Bueno) estará agenciando estas parcerias.
Como um psicodramatista e um profissiona} em formação podem participar?
Se uma pessoa tem um tema que deseja colocar em pauta através de uma atividade e quer diri-
gir uma modalidade de atividade com alguém de
outro país, pode mandar sua proposta à Comissão
Científica do congresso observando o seguinte:
a) se esta pessoa já tem um parceiro em outro país que aceite estar em contato com ela no
período que antecede o congresso para
"intercambiar" informações (intercâmbio duradouro ), cuja parceria terá um momento especial
de apresentação pública no local do congresso,
numa experiência de parceria de "unidade funcional casada", então basta entrar em contato com
a Comissão Científica e apresentar a proposta e
dados sobre a parceria;
b) se esta pessoa tem um assunto, quer dirigir
e/ou participar de uma modalidade de atividade
mas ainda não tem parceiro, poderá entrar em
contato com a Comissão Científica que a ajudará
a encontrar um com características e interesses
compatíveis (de tema e modalidade de atividade)
entre os psicodramatistas estrangeiros para formar uma "unidade funcional casada".
Salientamos que o que foi descrito acima é
válido para participação nas atividades científicas e também nas atividades sócio-culturais.
Índice
Para quê Ibero-americano?
Antes de aventurar-me na
divulgação do II Congresso
Ibero-americano de Psicodrama, fui
xeretear um pouco no sentimento
residual, na aprendizagem, nas
impressões e lembranças de alguns dos
participantes do I Ibero-americano em
Salamanca.
Alguns psicodramatistas brasileiros
relataram suas observações e em todas
elas uma certeza: intercâmbio vale a
pena. Concluí que, através dele, é
possível abrir novos horizontes, avaliar
em que ponto e posição estamos no
desenvolvimento de nosso trabalho
psicodramático, aprender a respeitar
diferentes modos de pensar, funcionar e
criar, detectar influências, aprender a
aprender e a ensinar trabalho e modos
de relacionamento, sem arrogância,
reconhecendo, prestigiando, batendo
papo, jogando conversa fora...
alegremente. (Silvia Petrilli)
Ana Maria Zampieri descreveu: "observei que os portugueses, talvez pelo fato
de terem sido formados pelo Soeiro, discípulos de Bermudez, tem uma leitura e postura que eu identifiquei como " bermudianas ". Já os espanhóis estão mais ligados à obra moreniana mas estudam também: Ancelin, Marineau, Fonseca, Lorenz,
Watzlawick, Bateson, Bion e Winnicott".
Em comum encontrei a preocupação com as
demandas sociais, embora nós psicodramatis tas brasileiros, estejamos mais avançados neste aspecto. Todavia, espanhóis e
portugueses estão em excelente posição em
relação ao desenvolvimento de pesquisas
no mundo acadêmico".
O Tiba, por exemplo, contou sobre seus
sentimentos no local do congresso: "Me
emocionou estar dirigindo no PARANINFO
DE SALAMANCA, com toda a história da
primeira Faculdade a nos envolvel: Sentar
na praça com amigos, tomar cerveja é algo
que me emocionou bastante". Tiba também
relatou que, em Salamanca, não encontrou
especialistas para intercâmbio sobre Psicodrama com Adolescentes. Grande dica!
Índice
Você,Psicodramatista, precisa saber se está representando!
Em carta enviada a todos os presidentes de instituições federadas em
maio de 98,foi sugerida a indicação de um representante da instituição
junto ao II Congrsso Ibero-americano de psicodrama.Ter um representante
junto ao congresso é interessante para as instituições federadas que
estão empenhadas em oferecer a seus psicodramatistas e estudante de
psicodrama,a oportunidade de beneficiar-se desta propostas inovadora
de intercâmbio internacional.Através do representante a Comissão Organizadora fornecerá apoio e informação que viabilizam a ampla participação
das federadas e seus associados.Portanto,psicodramatista,verifique se
a sua instituição já tem representante.
ASBAP(Leonídia Guimarães),IPP(Silvana Vianna),GAYA(Rômulo Sayd Monteiro), CePB(José Renato da Silva),SOMOPSI(Francisco Lyra),SOBRAP-JF(Margaret Pallha), DELPHOS(Lilian Tostes),SPP(Lia Marcia),CONTTEXTO(Luciene Farion), CEPIPAR(José A. Cesar Neto),IBP(Luciana Vilhena),IBAP(Cecília Dalva Silva), IRP(Oswaldo Ponlitano jr.),SOVAP(Geraldo Massaro)J.L.Moreno(Pedro Mascarenhas),SEDES(Maria Toloi),ARC(Edvaldo faccin),SOPSP(Mário Carezzato), ACTO(Rosa Lídia Pontes).
Índice
Reflexão no final do século
Estamos chegando ao final do século XX. Estes tempos foram profetizados por
muitas fontes diferentes: o calendário maia, as profecias dos hopis
e por alguns outros mestres como
Melchizedeck, que nos dão a impressão de que todos temos que
nos preparar para algo que virá após o final da atual civilização.
É óbvio que as previsões são
sempre bastante imprevisíveis, porém podemos dizer que vivemos em tempos de grandes transformações e enormes possibilidades.
É óbvio, também, que cada um
de nós vemos a realidade a partir
de nossas perspectivas únicas e
isso determina a maneira pela qual
experienciamos a realidade e a nós mesmos dentro dela.
Levando em conta essas considerações, convido-os a olhar para o espaço institucional, subjetivo e simbólico -FEBRAP. Espaço onde estão delimitadas as propostas e os critérios da
ação e do fazer para os diferentes aspectos da
instituição. Espaço que veicula as dinâmicas
lnstitucionais internas e externas, as relações entre os personagens inter e intra-instituição; que
materializa-se na concepção do homem consciente e ético que queremos formar e todas as utopias que sustentam a nossa ação e atuação.
O Congresso Brasileiro de Psicodrama é nosso fórum maior da produção e trocas científicas,
sociais, afetivas e também de como está nosso
movimento em todas as dimensões, nesta comunidade. Ao trazer como tema Atualizando a
Cena, queremos refletir e entender como nós
personagens dessa federação compreendemos o
mundo atual, como percebemos os aspectos políticos, econômicos, éticos, sociais, tecnológicos,
que estão espelhados na nossa atuação como profissionais do relacional, bem como parte e
participante de uma organização.
Atualizar a Cena propicia a tomada de consciência sobre a realidade, e a partir daí como
queremos reorientar o processo de tomadas de
decisões quanto ao que fazer na instituição. O
tema procura colocar luz onde há sombras, escondidos, não ditos e mal ditos.
Presentificar a cena é olhar de perto, verificar
quem e como somos, é preparar nossa federação para o ano 2000. Portanto, é um diagnóstico e
deve ser considerado um material disparador. Funciona como mobilizador para descobertas,
constatações, intervenções e transformações. Atualizando a Cena tem várias vertentes,
viéses e enfoques. É também uma dimensão qualitativa de avaliação. O que está proposto é principalmente a qualidade do perceber as interfaces institucionais para as intervenções efetivas, com
uma visão de futuro que busque sua autodefinição, autodeterminação e autopromoção.
"Não podemos ter a esperança de predizer o
futuro, mas podemos influenciar nele. À medida
que as predições deterministas não são possíveis,
é provável que as visões do futuro, e até mesmo
as utopias, desempenhem um papel importante
nesta construção", nos diz Ilya Prigogine.
Estas considerações permitem perceber se os
pais fundadores da instituição refletem, ainda, na
utopia de seus atuais gestores e protagonistas. A
inclusão desse olhar crítico nos leva a mergulhar
na realidade, abstrair dados, compará-los com
utopias que foram evidenciadas e constatar a distância entre o ideal e o real. Qual a reordenação
ou reorganização que precisamos promover à luz
do momento atual?
Ao Atualizar a Cena, pretendemos formular
novas implicações que contribuam com o fim do
dogmatismo abordado por muitos de nós em várias situações, em detrimento de
uma realidade mais plural, mais
articulada, mais ética e não fragmentada.
Temos ainda o dever, novamente, de propiciar a oportunidade, uma vez aquecidos, de pensar
e repensar sobre nossas posições
políticas e ideológicas que circundam a organização. Assim sendo,
a atenção precisa estar dirigi da
para a resolução de questões já levantadas e como exemplo pontuo:
.Que FEBRAP queremos?
.A estrutura das regionais contribui para o crescimento do Movimento Psicodramático Brasileiro?
.O contato da diretoria executiva
com os Psicodramatistas deve ser
via entidades e regional e nunca diretamente,
fortalecendo assim as regionais?
.Os associados da FEBRAP deveriam ser indivíduos e não federadas?
.Relação Diretoria Executiva versus federada.
.Rotatividade dos membros da Diretoria Executiva e Câmara de Ensino e Ética -CEE quando
da eleição.
.Representatividade na CEE.
.Implantação da Comissão permanente do Congresso.
.Elaboração do regime interno de funcionamento
dos congressos, encontros regionais e outros.
.Necessidade de elaboração de um código de
ética para os Psicodramatistas.
Enquanto atualizamos acena de nossa instituição,
pensamos nos novos rumos que daremos a ela, com
a finalidade de apresentá-la como federação ainda
mais respeitada e atual no 3° milênio. Devemos também abrir espaço para discutir sobre o perfil que queremos para os seus novos dirigentes. É ano de eleião, portanto, até outubro os pretensos candidatos
deverão apresentar suas plataformas e chapas.
Completaremos assim, nossa tomada de consciência sobre os novos paradigmas, sobre os princípios, sobre os diálogos institucionais que terão
seus desfechos no congresso, nas reuniões da CEE e nas assembléias extraordinária e ordinária.
Marlene Magnabosco Marra
President de FEBRAP
Índice
Repensando o ensino
Já realizamos o compartilha dos
nomes do nossos encontros
nacionais realizados em novembro do ano passado. Tivemos o
empo adequado para "decantar" o
ado afetivo e agora estamos
prontos
para a reflexão, para uma avaliação
le nossa produtividade.
Relembrando: o tema daqueles
:ncontros, que congregaram profesores, supervisores e coordenadores
de ensino dos cursos de formação em
psicodrama, foi a "Excelência no Ensino do Psicodrama". Este tema teve
,eu desdobramento nas várias atividades teórico-práticas que destacaram os novos paradigmas no ensino dio Psicodrama, a reciclagem no
aprender a aprender o Psicodrama, privilegiando o enfoque metodo lógico e a pesquisa.
" A Excelência no Ensino do psicodrama" revelou-se na importância que os formadores oferecem ao
iespertar o desejo do saber articulado e contextualizado aos múltiplos empregos do Psicodrama. Detectou-se a busca diferenciada do aluno que o)bjetiva encontrar na formação
Jsicodramática o desenvolvimento
ie seu papel profissional preexistente nos consultórios médicos e psicoterápicos, nas empresas, nas várias instituições da comunidade, da educação e da saúde. Observaram que esses
llunos revelam o recebimento de
reed backs de seu desenvolvimento,
já no decorrer do seu curso, por parte de seus pares, subordinados e chefia nas diversas possibilidades hierárquico-profissionais.
Outra preocupação do corpo docente do Psicodrama brasileiro está
dirigida anão perder de vista a obra
de Moreno em favor do instrumento,
visto ser o Psicodrama um corpo teórico e metodológico que embasa solidamente seus recursos técnicos,
avaliados como reconhecidos e valorizados nos vários campos onde se
instala.
O papel do professor de Psicodrama foi questionado em: "Como
passar para o aluno a experiência Única de ser e estar Psicodramatista?"
Os aspectos filosóficos, metodológicos e éticos, principalmente ligados
ao papel do professor-supervisor, foram a tônica de vários grupos de discussão desses encontros com alertas
comuns para a importância da palavra, da escuta, da ação interna que
deverão aquecer a passividade avessa à mobilidade das idéias, nas relações mestre-aprendiz.
A contextualização do Psicodrama nas várias mudanças sociais que o homem vive, a dinâmica e, atualmente, a
contínua busca da convivência com as
diferenças, na promoção de constantes encontros de reciclagem e trocas;
na originalidade de personalidades criadoras, foi outra tônica destes formadores, que propuseram a liberdade na
construção criativa e na abertura do
dever como lema do Psicodramatista
em seu mundo pessoal e profissional.
Identificaram-se as dificuldades
mais comuns na formação do Psicodramatista como, especialmente: o vazio
entre os alunos na interação dos grupos; a frustração paralisante quando
confundimos competência com capacidade; o distanciamento entre a direção
de algumas instituições e a formação
do Psicodramatista e a necessidade da
FEBRAP respeitar e considerar as diferentes tendências dos diversos núcleos regionais de formação no Brasil.
Propuseram, nessas discussões e
reflexões, que é preciso constantemente repensar o poder nas diversas
relações do professor com seus pares
e alunos, sempre com responsabilidade com o novo. Alertas foram dados
à criação de modelos fechados de
mestres "super-heróis" e a necessidade de busca de fornecedores da construção de "super-visões" grupais,
com múltiplas compreensões e ações
sobre o material de estudo, de reflexão e de trabalho do Psicodramatista
brasileiro.
A renovação, transformação e recriação no universo holístico do
Psicodrama surgiram em imagens plásticas, corporais ou com esculturas de argila que os professores construíram no decorrer destes encontros.
"O Psicodrama é, em si, um novo
paradigma", construíram nossos professores. Sua excelência está no comprornisso com o atual, com o contextualizado, com o favorecimento das
múltiplas e criativas visões sobre o
pensar, o sentir e o agir dos homens.
Índice
Memórias do psicodrama no Brasil
Sob a coordenação do psicodramatista Carlos
Borba, o projeto "Memórias do Psicodrama
no Brasil" chega ao público através de fitas de
vídeo que estarão à venda no Congresso. Nela,
alguns dos pioneiros do Psicodrama dão seus
depoimentos, falam sobre seus encontros com o
Psicodrama e de suas participações no
Congresso Internacional de Psicodrama,
realizado no Brasil, em 1970.
Os primeiros cursos de Psicodrama
Psicoterapeutico e Pedagógicos foram
promovidos pelo GEPSP -Grupo de Estudos de
Psicodrama de São Paulo, e ministrados por
Rojas Bermudez e Maria Alícia Romana.
Criado em 1968, o GEPSP teve em sua primeira
diretoria J.M. D' Alessandro, A.C. Cesarino,
Iris S. Azevedo, Laercio Lopes e Alfredo
Soeiro. Dele nasceram, em 1970, a Associação Brasileira de Psicodrama e Sociodrama (ABPS)
e a Sociedade de Psicodrama de São Paulo (SOPSP).
Ana Maria Fonseca Zampieri
índice
Bem-Vindo a Campos do Jordãol
Acidade de Campos do Jordão sediará o 11° CBP e
4°ELAP e esta é uma excelente oportunidade de você e sua família conhecerem uma das mais belas cidades paulistas.
Campos do Jordão possui um dos
melhores climas do mundo e, por sua
arquitetura, é chamada de "Suíça brasileira".
Campos do Jordão não é só uma
cidade para repouso e passeios pelos
lindos campos; possui, também,
inesquecíveis pontos turísticos como
a Ducha de Prata e o Pico de Itapeva.
Neste local pode-se ver quase todo o
Vale do ParaIDa, fazer passeios à cavalo por uma trilha que também é
ideal para os amantes de treching e
adquirir lindos artesanatos.
Como cidade eminentemente turística, Campos do Jordão está preparada para receber você. Para quem está optando pelos hotéis do
Centro não se preocupe. A cidade
possui uma linha de ônibus urbana
que liga todos os bairros. Além do
mais, é aí que se encontram as melhores opções gastronômicas.
O Hotel Mont Blanc, sede do
Congresso, oferece a seus hóspedes
uma variedade de atividades, às
quais, com certeza, seus acompanhantes ficarão tão entretidos que
nem sentirão a sua falta. E para você,
congressista, envolvido nas atividades científicas durante todo o dia, a
noite será para descontração, relaxamento, diversão e um bom descanso.
Para chegar a Campos do Jordão
a principal via de acesso é a rodovia
SP-123, com início na altura do Km
310 da rodovia Presidente Dutra.
Na próxima edição do Em Cena,
daremos mais dicas de turismo.
Aguarde.
Índice
Em cena pergunta
Como você atualiza
a cena no seu
dia-a-dia
profissional ?
.Rosa Lídia Pacheco R Pontes
A Atualização da Cena do Psicodramatista depende, basicamente, da qualidade de suas inter-relações: seu potencial criativo deve estar liberado,
para que possa produzir respostas espontâneas, resistindo à tendência natural de ficar em conservas
culturais (suas ou não).
A espontaneidade fluindo, a meu ver, todas as
interações podem contribuir para a Atualização da Cena do Psicodramatista. A minha atualização vem
sendo feita, por exemplo, com a leitura de novas
publicações (ressaltando, aqui, a importância de
nossa Revista), através do convívio didático com
alunos, com clientes, com colegas, em encontros,
congressos, no cotidiano, enfim.
.Wilson Castello de Almeida
Venho atualizando a cena do meu dia-a-dia profissional desde o livro de minha autoria
Psicoterapia aberta, que agora está na 2º edição
com o subtítulo: Formas de Encontro. Um livro
muito lido, mas pouco discutido.
Em verdade, a melhor forma que achei para
essa atualização foi assumir, antes de mais nada,
que sou um Psicoterapeuta. E todos sabem, o vocábulo "terapeuta", em sua etimologia, significa "servidor".
Aceitar que sou um servidor do outro que me
procura, trazendo suas dores e alegrias, foi a decisão chave para a minha identidade profissional.
Assim, antes de tudo, sou Psicoterapeuta.
Esse posicionamento deu-me a sensação de liberdade, a independência intelectual, a agilidade
de idéias e a coerência de atitudes que me permitem permanecer participando do movimento
psicodramático no que ele tem de existencial.
E o que é existencial nas psicoterapias e, particularmente, na psicoterapia psicodramática ?
É poder falar, ainda que em grupo, sempre na "primeira pessoa", para que todos saibam quem
sou.
É não ter vergonha de contar a minha história e
poder compartilhar lutas e vitórias, dificuldades e comemorações.
É viver o Hic et nuna, quando pensamento,
sentimento e ação se fundem em uma mesma e
única atividade, em status nascendi, à semelhança
do fenômeno espaço-tempo-energia da física.
E não negar mas também não capitular frente
ao "método reducionista" que, diante da expressão
psíquica autêntica, busca tão-só as formas primitivas e toscas de condições humanas.
É reconhecer os conflitos instintuais, mas dar ênfase maior aos "valores" que compõem o desenvolvimento do Ser.
É ampliar a presença do humano: indivíduo
pela necessidade, sujeito pelo desejo, pessoa pela
possibilidade relacional, existente pela doação de
significados e indivíduo pela escolha da liberdade.
E liberdade é espontaneidade com a pretensão de
que surja a criatividade mais original de cada um,
sinônimo de saúde mental.
Existencial é trabalhar a alegria de renascer
sempre, a todo momento, processo que permite
corrigir a "penosa pobreza do princípio" (Mircea
Eeiade). É buscar o quê e o como das vivências e
não se perder na compulsão do porquê. É identificar o corpo como corporeidade, que é a expressão
do emocional e do intelectual vivenciados na relação. "O corpo é ato político" (David Cooper). "Eu
sou o meu corpo" (Gabriel Marcel).
É procurar usar a "intuição", esse modo de sabedoria inconsciente: do já sabido, do já elaborado e do já experienciado, em algum tempo, em algum lugar.
É re-apresentar os sonhos em suas múltiplas
possibilidades interpretativas. "O sonho pode mostrar direções futuras" (J. R. Wolff).
É aceitar todas as dimensões do psiquismo humano: consciente, incosciente, intra e inter, passado e futuro no presente, a palavra e o gesto, o silêncio e a algaravia, a história contada e acena dramatizada. "Play and game".
Existencial é a proposta de "encontro" com significativa dose de honestidade, lealdade e vontade calorosa de conhecer o outro e dar-se a conhecer.
É concordar com a máxima: "o passado é o que
era, como nos parece agora".
É relacionar-se sem preconceitos, invertendo
papéis com o outro em direção à descoberta télica.
É aceitar a dialética dos opostos de Kierkegaard,
onde não há lugar para síntese, obrigando o ser humano a viver a ambigi.iidade das realidades contraditórias resumidas na famosa díade: amor e ódio.
Por tudo isso, mesmo quando não dramatizo,
sou Psicodramatista.
Esta é a minha cena atualizada.
.Sergio Perazzo
Quanto à cena em si mesma, no que se refere ao
protagonista ou ao grupo, ela se atualiza em si mesma no momento em que ela acontece já que ela é
uma expressão viva e co-criativa da trama oculta de
todos nós. Por esta razão, ela também se atualiza
para mim, porque por seu caráter sempre.inédito é e
será sempre um espelho novo de minha própria subjetividade.
Sob o ponto de vista teórico, acena não se atualiza, o que se atualiza sempre é a minha maneira de
ver acena, na qual sempre busco aspectos novos de
entendimento psicodramático, seja uma cena de
Psicodrama "terapêutico" ou "didática" como em
supervisão. É como acabo levando minha nova maneira de ver acena para um Congresso, por exemplo, onde entro em contato com a nova maneira de
ver a cena de meus colegas, este conjunto de coisas
passa a ser a nossa nova maneira de ver a cena.
.Maria Alícia Romana
Eu sempre atualizei as cenas porque, por natureza, sou avessa a qualquer forma de cópia ou repetição. Apesar de pertencer a uma profissão que necessita da repetição, sempre encontrei maneiras diferentes de mudar enquadramentos e mensagens.
No momento estou desenvolvendo atividades desafiadoras ligadas aos professores para eles captarem
o sentido dos "conteúdos transversais" que fazem
parte das mudanças imprimidas no ensino pela nova
Lei de Diretrizes e Bases. Também estou dando
grande atenção ao trabalho com pais, especialmente com os pais de crianças do ensino fundamental, porque eles têm à sua frente um horizonte mais largo
para adaptarem seus papéis às necessidades do mundo de hoje. Continuo exercendo tarefas docentes no
ensino do Psicodrama, com ênfase no teatro espontâneo que me permite variadas experiências e pesquisas. Nos próximos meses iniciarei um trabalho
sobre as habilidades do "Novo Líder", trabalho este
aberto a demandas que vão além do campo educacional e entram na área do institucional. Por outro
lado, posso dizer que planejo e executo todas estas
atividades em parcerias, renovo as parcerias e fico
feliz por ser considerada uma boa e criativa companheira de trabalho. Estas são minhas cenas constantemente atualizadas.
Como o 11º CBP e o
4° ELAP podem contribuir para atualizar a cena ?
.Rosa Lídia Pacheco F. Pontes
Como dizia, todas as interações podem contribuir para a Atualização da Cena do Psicodramatista, no entanto, alguns momentos/espaços interativos
são privilegiados, e, sem dúvida alguma, nossos
Congressos são um deles.
Nestas ocasiões, centenas de Psicodramatistas
previamente aquecidos, oriundos de diversos con-textos sociais de nosso imenso país, reúnem-se em
um contexto grupal, como dizia Moreno, formando
uma grande caixa de ressonância das emoções, que
propicia aos protagonistas a co-criação de inúmeras
cenas e o compartilhar do que de melhor aprenderam, produziram ou refletiram.
Os Congressos têm sido o grande palco para inúmeros Encontros, o Locus Nascendi de belos atos criadores.
Não podemos perder mais esta chance, de em tão
magnífico cenário, como Campos do Jordão, atualizarmos nossas cenas.
Índice
Vem aí um congresso diferente, ousado e bem humorado
Você já recebeu o primeiro folder do II Congresso Ibero-americano ?
Sentiu-se estimulado a enfrentar o desafio de trabalhar com
psicodramatistas de outros países e com eles fazer muita filosofia,
ciência e arte? Está topando batalhar pela formação de uma "unidade
funcional casada"?
Se você ainda não sabe, formar uma "unidade funcional casada", significa constituir uma dupla, um trio ou um grupo de
psicodramatistas e/ou profissionais em formação psicodramática, de
diferentes países ou regiões de um mesmo país, dispostos a serem
co-responsáveis pela apresentação de trabalhos teóricos ou práticos no
II Congresso Ibero-americano de Psicodrama. Para isso, você,
psicodramatista formado ou em formação, conta com a ajuda da
comissão científica do congresso, que está funcionando como se fosse
uma "agência matrimoniill", possibilitando que todos os interessados
em participar dessa experiência inédita encontrem seus pares.
Muito bem, imagino que você esteja com uma série de perguntas em
mente. Tentarei responder àquelas que mais tenho escutado, esperando
assim esclarecê-lo e, acima de tudo, estimulá-lo ainda mais a encarar
esse desafio. Vamos lá...
Qual é o momento de entrar em
contato com a comissão científica?
Já! Temos em mãos uma lista de candidatos estrangeiros dispostos a iniciar, o
quanto antes, "paqueras" e "namoros"
com psicodramatistas brasileiros e de outras regiões ibero-americanas. Entrando,
agora, em contato conosco, em breve,
você terá urna unidade funcional constituída, urna "unidade funcional casada",
pronta para o desenvolvimento do trabalho a ser apresentado no congresso.
Onde encontrar os candidatos para compor parcerias?
O contato com a comissão científica se dá mediante um simples fax, e-mail ou urna carta endereçada à Secretaria Executiva, contendo seu nome,
ternas ligados a psicodrama que você
gostaria de apresentar, a instituição
que você esta ligado, a modalidade de
sua preferência e o público que você
pretende atingir. Feito isto, é só aguardar que, em breve, você receberá uma
lista de sugestões: com quem e como
entrar em contato.
Quais são as modalidades em que posso me inscrever?
Você pode escolher entre as seguintes modalidades:
ESCRITOS PSICODRAMÁTICOS -
Apresentação (30') de um tema teórico
pertinente a Psicodrama, seguida de
apreciações de um comentador (10'),
abrindo-se o debate com a platéia (20').
ATOS PSICODRAMÁTICOS -Atividades práticas como Teatro Espontâneo, Psicodrama, Sociodrama, Axiodrama, Jornal Vivo, Role Playing,
Teatro de Reprise, entre outras. Tempo
total: 120'
TEMAS EM DEBATE -Um "âncora", dois debatedores e o público discutem um tema polêmico do Psicodrama.
Os debatedores promovem a abertura da
atividade com exposição referente ao
tema (30' cada um). Tempo total: 120'
SUPERVISÃO -Uma "unidade funcional casada" estimula e desenvolve a
elaboração teórica e técnica do material
apresentado por um ou mais membros
do grupo. Tempo total: 120'
MÓDULOS TEMÁTICOS ARTICULADOS -Um tema previamente estabelecido é desenvolvido, preferencialmente, por uma "unidade funcional casada",
em módulos seqtienciais, com sub-temas
distribuídos pelos três dias do Congresso. Cada módulo deve ser independente
com começo, meio e fim, cabendo ao
público optar por inscrever-se em apenas um dos módulos, ou em toda a seqtiência proposta. Tempo total de cada
módulo: 120'
GRUPO DE DISCUSSÃO DRAMATlZADA -Dois expositores fazem uma
apresentação teórica (15' cada um) sobre um tema polêmico do Psicodrama.
Em seguida uma "unidade funcional casada" propõe ressonâncias dramatizadas
ao público e expositores. Tempo total:
120'
APRESENTANDO AUTORES, COMENTANDO LIVROS E TESES - Um
psicodramatista apresenta um autor de
outro país e uma de suas obras. Tempo
total: 60'
POSTER -Apresentação gráfica, em
mural, de trabalho realizado ou em andamento. O autor ficará no local, à disposição do público em horário de sua escolha.
Apenas psicodramatistas formados
ou em formação poderão assistir este congresso?
Não. Profissionais e estudantes universlIanoS mleressados em conhecer o
Psicodrama poderão inscrever-se como
participantes, pois é, também, nosso objetivo. divulgar o Psicodrama como uma
linha eficaz de intervenção, seja em consultórios. escolas, empresas ou na comunidade. Sendo assim, ao estruturar o projeto de trabalho com seus parceiros,
você escolherá o público a que se destina sua atividade, considerando os aspectos a seguir.
Quanto a formação: a) estudantes
universitários, b) profissionais de nível
universitário em geral, c) profissionais
em formação em psicodrama, d) psicodramatistas em busca de conhecimentos básicos e) psicodramatistas em busca de
conhecimentos avançados/originais.
Quanto a área de interesse: a)
psicoterapia, b) educação: escola empresa, comunidade.
Um profissional em formação poderá participar de "uma unidade funcional casada" em qualquer uma das modalidades?
Sim, exceto nas modalidades Supervisão e Atos Psicodramáticos, para as
quais serão exigidos respectivamente os
títulos de professor- supervisor e de psicodramatista de, ao menos, um integrante da "unidade funcional casada", cabendo a este, a responsabilidade pelo evento. Nestas modalidades sugerimos que
os profissionais em formação exerçam a
função de egos auxiliares.
E se o número de "unidades funcionais casadas" inscritas for maior que
o número de vagas para apresentação de trabalhos?
Neste caso, a comissão científica fará
a seleção dos trabalhos considerando os
aspectos a seguir.
Heterogeneidade das "unidades funcionais casadas": a) diferentes origens de
psicodramatistas ou profissionais em formação, b) diferentes gerações de psicodramatistas e profissionais em formação.
Prioridade do autor para apresentação de seus trabalhos para aqueles que
tiverem inscritos mais de um trabalho no
congresso.
Tema do trabalho articulado ao tema
do congresso: "Psicodrama: Filosofia,
Ciência, Arte?"
Originalidade do trabalho, de forma
a trazer contribuições inovadoras à comunidade científica.
Sintonia entre a proposta de trabalho
e o público defmido como alvo pelo(s)
autor(es).
Apresentação do trabalho escrito integral até dia 30 de Janeiro de 1999
(exceto para Atos Psicodramáticos e Supervisão).
Obs.: A comissão científica procurará garantir a equivalência entre o número de participantes das diferentes coorganizadoras.
Qual o prazo para inscrição de
Proposta de Trabalhos práticos ou teóricos das "unidades funcionais casadas" já constituídas?
Até 30 de Novembro de 1998.
É muito complicada esta inscrição?
É muito simples. Basta que os integrantes da "unidade funcional casada",
inscritos no congresso, preencham a
proposta de trabalho em duas cópias
para a secretaria executiva do congresso, contendo: título, subtítulo, resumo do
tema desenvolvido em até sete linhas,
sub-temas (em caso de Módulos
Temáticos Articulados), público alvo,
nome dos autores e suas qualificações, endereço completo (incluindo telefones,
fax e e-mail) e a indicação da instituição
a que pertence. Os modelos da Ficha de
Inscrição de Proposta de Trabalho serão
fornecidos pela secretaria executiva e
instituições co-organizadoras.
Em quantas "unidades funcionais
casadas" posso participar?
Não há limite para sua participação.
Mas, no ato da inscrição de proposta de
trabalho, não esqueça de enumerar quais
trabalhos você prioriza para serem apresentados pois, na seleção de trabalhos
inscritos será considerada a sua prioridade.
Agora só depende de você.
Desejo a todos nós muita sorte, ousadia e coragem, para que juntos consigamos fazer, no Brasil, um congresso de
excelente qualidade científica e ética,
permeado de muito prazer e alegria.
O Psicodrama só tem a ganhar com a.
sua participação. Um abraço a todos..
Milene De Stefano Féo
Cood. da Comisão Científica
Índice
Um pouquinho sobre as intituição co-organizadas
Nove instituições participam do II Congresso
Ibero-americano de Psicodrama na condição de
co-organizadoras (veja quadro de co-organizadoras).
A cada edição deste jornal, vamos informar um
pouquinho sobre estas instituições, seus objetivos e
propostas, seus presidentes e o caminho escolhido
para desenvolver o psicodrama em seu país.
Desta vez vamos contar sobre as instituições do
México e do Uruguai.
A ESCUELA MEXICANA DE PSICODRAMA Y SOCIOMETRIA (EMPS) tem sua sede
na cidade do México e existe desde o ano de 1984.
Seus fundadores e coordenadores são Maria Carmen
Bello e Jaime Winkler. Ambos são psicodramatistas,
professores -supervisores através do Instituto Jacob
L. Moreno de Buenos Aires, dirigido por Dalmiro
Bustos. Os objetivos da EMPS são a formação de
psicodramatistas em Psicodrama Clínico-
Psicoterapia Psicodramática, Psicodrama Pedagógico e Psicodrama Aplicado a InstituiçÕes e Comunidade, incluindo trabalhos de consultoria e
capacitação em Empresas Industriais. A EMPS tem
convênios com universidades. Atualmente, o número de alunos em formação psicodramática na Escuela
Mexicana, sem contar com aqueles dos cursos universitários, é de 35 nos diferentes níveis: candidatos de Curso Introdutório, candidatos a Ego Auxiliar, a Diretor em Técnicas Dramáticas e Sociometria,
e candidatos a Diretor de Psicodrama ou
Psicoterapeuta Psicodramático, estes últimos são exclusivamente médicos e psicólogos. A Escuela Mexicana forma parte do Programa ALFA, América
Latina Formación Académica, da Comunidade Européia, dentro da RED Intergroup.
Contatos com a EMPS podem ser feitos através
do Fone: 52-5-2803737, Fax: 52-5-2802447 e o e-
mail de seu presidente, Jaime Winkler:
jaiwink @ servidor. unam.mx
A ASOCIACIÓN DE ESTUDIOS E
INVESTIGACIÓN EN PSICODRAMA -JANUS,
tem sua sede em Montevidéo, Uruguai. JANUS não
é uma sigla, mas o nome de um deus romano que se
representava com duas faces e que presidia os começos e os finais dos períodos e dos eventos (de onde
tem origem o nome Janeiro). Os fundadores escolheram chamar sua instituição de JANUS pois acreditam que o psicodrama joga também com estes espaos intermediários onde terminam algumas coisas e
começam outras...
A JANUS tem suas atividades centradas em três
pilares: a aprendizagem do psicodrama, a investigaão e o serviço à comunidade. Relacionado à aprendizagem do psicodrama oferecem cursos de formaão de psicodramatistas que tem a duração de três
anos, abordando a teoria do psicodrama e, também,
outras linhas -estudam Moreno, Bustos, Pavlovsky,
mas também os lacanianos, a corrente italiana, etc.
Na parte prática do curso, os alunos são integrados
em grupos para trabalho semanal cujo material vem
dos próprios alunos. Quanto à investigação, JANUS
apoia todo grupo de investigação que se interesse
por temas afins ao psicodrama. Atualmente, há um
grupo de investigações sobre máscaras, criatividade
e teatro espontâneo. O Departamento de Extensão
Comunitária atualmente trabalha com grupos
terapêuticos de custo reduzido, abertos a todos aqueles que necessitam psicoterapia e não podem pagar
os custos habituais.
A JANUS foi fundada oficialmente há três anos
e seu presidente é Raúl Síntes Carluccio, o único psiquiatra da instituição. É constituída, em sua maioria,
por gente jovem, estudantes de psicologia ou psicólogos. Atualmente está ampliando seu campo para
outros profissionais tais como professores e assistentes sociais.
Raúl Sintes, um entusiasmado psicodramatista
uruguaio, é professor de psicodrama na Faculdad de
Psicologia de Ia Universidad de Ia República desde
1989, ministrou cursos em Havana, México, Argentina e Espanha.
Raúl Sintes tem um livro publicado pela Editora
Roca Viva, 1996, chamado " AQUÍ Y A HORA. EL PSICODRAMA " dirigido a estudantes da faculdade
que se constitui de textos básicos para auxiliá-los na
introdução do conhecimento do psicodrama.
Índice
Cartas
Nós,do Instituto de Psicodrama e Psicoterapia de Grupo de Campinas -IPPGC,. vimos até vocês enquanto instâncias fundamentais do Movimento Psicodramático Brasileiro,para fazer chegar uma reflexão que nos parece pertinente e que temos travado internamente,em relação à participação dos Psicodramatistas no II° Congresso Brasileiro,considerando o momento de profunda crise econômica do país. Em primeiro lugar,falamos enquanto grupo que tem participado sistematicamente do Movimento Psicodramático Brasileiro e se envolvido em seus eventos políticos e científicos,. sabendo valorizá-los,bem como aos seus organizadores.
(...)
Vimos procurando estimular a particlÍJação efetiva de nossos alunos e associados de modo geral considerando estes momentos ricos em todos os sentidos. Como Instituicão,já tivemos a oportunidade de dirigir a FEBRAP,. organizar o 4° Congresso Brasileiro (Águas de lindóia),sermos a comissão científica do 9° Congresso Brasileiro (Aguas de São Pedro),. além do lo Seminário de Teoria do Psicodrama (Serra Negra),fora outras participações de caráter científico e organizativo em variados eventos nacionais e internacionais. Sabemos,portanto,o que é a organização do encontro maior dos Psicodrama. tistas de todo o país,que é o nosso Congresso Brasileiro de Psicodrama.
E é justamente por estarmos com esta compreensão e cientes da importância de mantermos viva a participação qualitativa e também quantitativa,é que queremos partilhar nossa preocupação quanto à viabilidade financeira desta participação.
(...)
Sentimos que o desejo,empenho e o efetivo aperfeiçoamento nos espaços psicodramáticos continua crescente,mas a realidade é que o poder aquisitivo está cada vez menor e todos temos que fazer escolhas.
Como instituição formadora de Psicodramatistas,temos optado por um esforço cada vez maior de viabilizar a formação,compartilhando freq(jentemente com a questão socioeconômica,. sempre nos esforçando em levar bom número de associados aos eventos científicos,considerando esta participação fundamental à formação psicodramática.
Sendo assim,contamos desde já que um esvaziamento de muitos de nossa instituição não está descartado; o Interesse de estar participando no II° Congresso é grande,por parte da maioria de alunos das três turmas do IPPGC,do corpo docente e de sócios,que no entanto se vêem IÍ17possibilitados de participar,. pelos custos praticados no momento. Certamente um panorama delicado que se apresenta ao movlÍ17ento psicodramático.
(...)
Sem mais para o momento e no aguardo de um posicionamento da presidência do Congresso despedímo-nos com protestos de estima e consideração.
RESPOSTA:
Prezados colegas Psicodramatistas, Antes de iniciar nossa resposta à sua carta de 30 de abril p.p., queremos Ihes prestar todo o nosso agradecimento pela participação do IPPGC no Movimento Psicodramático Brasileiro, especialmente o 11° Congresso Brasileiro de Psicodrama e 4° Encontro latino-Americano de Psicodrama. Temos a satisfação e a segurança de receber do IPPGC, através de sua representante junto ao Congresso, todos os subsídios de que necessitamos.
Sentimo-nos bem à vontade para conversar com vocês sobre nossa preocupação com o fluxo receita versus despesa deste congresso porque sabemos da sua experiência enquanto organizadores de eventos deste porte.
Os valores de inscrição no 11° CBP e 4° ElAP foram estipulados a partir da previsão de custos e de participantes feita pela ASCON -Assessoria de Congressos, que foi escolhida pelo seu desempenho impecável no Congresso de Águas de São Pedro. Tínhamos todos -FEBRAP e Comissão Organizadora -o objetivo de oferecer aos colegas um evento de alto nível, sem despesas adicionais a nível científico ou social. Além disso, o Congresso é o principal produto da FEBRAP, o que nos leva, sempre, a planejar com o maior esmero tudo que lhe diz respeito.
Precisamos reconhecer que a crise econômica que estamos enfrentando dificulta a todos nós: o congressista, a organização do evento, as firmas contratadas. Os compromissos assumidos não nos permitem fugir do planejamento financeiro mas, à medida que chegam novas inscrições, podemos criar algumas facilidades que se traduzem em economia para os colegas.
Para facilitar a participação dos Psicodramatistas, dividimos o pagamento em quatro vezes. Desta forma não pesaria tanto no orçamento e poderíamos ter um número maior de inscritos em um tempo menor. No próximo livreto e no Em Cena estaremos divulgando uma boa notícia: para cada grupo de 10 Psicodramatistas organizados para se inscrever, um terá sua inscrição financiada pelo Congresso, independente da categoria. 0 grupo terá que enviar os dez nomes e indicar quem terá sua inscrição sem ônus.
Como vêem, estam os tentando criar alternativas para diminuir o custo do congressista sem inviabilizar o cumprimento dos compromissos assumidos.
Agradecemos as contribuições do IPPGC à Comissão Organizadora e esperamos contar com seu empenho em divulgar aos seus associados nosso desejo de que participem do Congresso. Pela importância que têm no cenário psicodramático brasileiro, pelas contribuições valiosas que sempre nos deram, pela significância das demandas que os alunos nos trazem nessas ocasiões.
Confiantes de que estaremos todos juntos trabalhando no nosso evento maior, despedimo-nos. Cordialmente.
Marlene Magnabosco Marra-Presidente da FEBRAP
Maria Eveline Cascardo Ramos-Presidente do 11ºCBP e 4ºELAP
Índice
Ultilização do psicodrama na prática Grupal com
psicóticos em um serviço de atenção diária em
saúde mental
A Casa D'engenho
A idéia da Casa D'engenho, um serviço de
atendimento diferenciado a indivíduos que estejam vivenciando quadro agudo de psicose ou
neurose .grave, como primeiro surto, ou seja, que
não tenham passagem anterior pelos circuitos de
intemação manicomial, funciona como um serviço de atenção diária que tem como um dos objetivos principais servir de possibilidade de
substituição à intemação manicomial, atendendo uma clientela que provavelmente estaria in-
ternada, em função do quadro clínico, e que seria essa a indicação, dentro de uma visão tradi-
cional. A presença e a implicação da família,
tanto no processo de adoecimento como na de-
manda de assistência, tem importância primordial quando pensamos que a "crise" é vivenciada
por todos os seus membros, mas que a intervenão tradicional é apenas no sujeito da família lo-
calizado como o paciente.
Descrição das Atividades da Casa D'engenho
Sendo um modelo que propõe-se substitutivo à intemação, a Casa d'Engenho funciona diaria-
mente, exceto aos sábados, domingos e feriados.
No período de 8 às 17 horas, são desenvolvidas
uma diversidade de atividades, todas de forma
coletiva, onde se busca uma participação ativa
do paciente e familiares no processo terapêutico.
Nos dispositivos grupais, procura-se, através das
diversas inter-relações que se estabelecem entre
os membros que compõem a Casa, que as situações de crise possam ser resgatadas como experiência. O paciente que inicia o tratamento, deve
frequentar diariamente a Casa, por isso é importante que sejam pessoas moradoras na região de
referência do Centro Psiquiátrico Pedro II.
Atualmente existem vinte e três (23) atividades coletivas desenvolvidas durante a semana.
Nos dispositivos grupais busca-se, através das
atividades e do convívio, maior integração do indivíduo com outras pessoas que frequentam a
Casa, e nas vivências uma compreensão maior
das situações de crise.
A passagem pela Casa é marcada por um
tempo. De acordo com cada situação é possível
avaliar a alta do paciente, que pode ser encaminhado para a continuação do tratamento em outros espaços. Um deles é o GAE (Grupo de
Acompanhamento a Egressos), que pode ser
com a frequência de encontros semanais, quinzenais ou até mensais, dependendo da situação
de cada indivíduo.
O GAE objetiva atender a necessidade técnico-assistencial como desdobramento do proje-
to original de um Serviço de Atenção Diária em
Saúde Mental, procurando atender a sua demanda atual. Para esta clientela, os grupos têm funcionado de maneira especialmente positiva.
Entusiasmado pelas idéias de Moreno, principalmente no tocante à questão da espontanei-
dade!criatividade, utiliza-se como recurso
terapêutico as técnicas de Psicodrama neste grupo de indivíduos que superaram um primeiro
momento de crise, numa tentativa de levá-los, I
através da dramatização, a uma melhor compreensão de seu sofrimento psíquico e a uma forma de vivenciar a realidade sem a necessidade de
se fragmentar, com a possibilidade de emissão
de novas respostas para situações antigas.
A experiência de "ouvir vozes", "ver coisas"
muitas vezes dolorosas, são situações que podem ser diluídas no contato com outras pessoas,
que compartilham vivências semelhantes. O simples fato, ao mesmo tempo extremamente complexo, de "estar louco" como os outros é fortemente continente e terapêutico. O Encontro,
como afirma Moreno, é o fundamento do processo grupal.
Realizada a" Aliança Terapêutica" com os
componentes do grupo e o grupo como um todo,
possibilita-se a ampliação ou o desenvolvimento
de "partes sadias", télicas. Nesse sentido, são
importantes os jogos grupais, exercícios corporais de sensibilização, cenas grupais onde papéis
são treinados; o treinamento onde é vitalizado o
caminho de ida e volta entre realidade fantasia.
Quando encontrarn-se em remissão do "surto",
os pacientes têm possibilidade de realizar o "choque Psicodramático", que segundo Moreno é a
dramatização de momentos e situações do surto psicótico (delírios e alucinações ), onde o protagonista pode atingir sua dinâmica e com isso prevenir outras situações desencadeantes de crise.
Nas atividades de um Serviço de Atenção
Diária, como a Casa d'Engenho, os diversos su-
jeitos membros da equipe passam a ser protagonistas, juntamente com os diversos sujeitos pacientes, de uma construção onde o objetivo principal é de transformar aquele sofrimento, que num primeiro momento era individual, agora
passou a ser coletivizado, mas que necessita ser transformado em energia de potência criativa e
que com isso traga um crescimento ao coletivo.
Com essa energia que pensamos ser possível a
todos os indivíduos da Casa, que possam em um
determinado momento de suas vidas poder suplantar o sofrimento que paralisa e trocar por potências criativas que possibilitam movimentos de
vida.
Pensa-se que só pode existir uma forma possível de tratamento: aquela onde o paciente tem
participação ativa no processo. Outra forma diferente desta estar-se-á produzindo apenas
zumbis, personagens estranhos, figuras exóticas
que se costuma chamar de loucos.
O trabalho em Saúde Mentacl não pode estar
apenas calcado na supressão de sintomas
psicóticos ou neuróticos, na melhora do humor ou
do sono e agitação, mas na produção de singularidades, de potências, de desejos e de prazer.
Deve-se inventar também uma psiquiatria
prazerosa, onde a discussão não deve se localizar nas possíveis etiologias da doença, mas no
pragmatismo do afazer, do inventar e do criar.
De repente, aquele paciente que falava de vozes, de delírios fantásticos, descobre-se como
pintor, poeta, escritor. Não se impõe que então
tenha que trabalhar como um artista, mas que
assim possa descobrir e valorizar o que deve
existir de belo e de satisfação em sua vida. A
descoberta que ele não é uma máquina de movimento contínuo e repetitivo, mas que cria e que
sente o mundo.
Angélica Maria de Santana
Bibliografia:
DIAS,Victor R.C.Silva 1987.psicodrama:teoria
e Prática.Editora Àgora.São Paulo.
Fonseca Filho,José S.1980.psicodrama da Loucura.
3ªedição.Editora Àgora.São Paulo
Jorge,Marco Aurelio S.1997.Engenho Dentro de casa:
sobre a construção de um serviço de atenção diária
em saúde mental-A casa d'Engenho.Dissertação de mestrado
em saúde pública.ENSP/Fiocruz.Rio de Janeiro.
Moreno,Jacob L.1995.psicodrama.Editora Cultrix.São Paulo.
Sobre a Autora
ANGÈLICA MARIA DE SANTANA(CRP-05/17297) é psicóloga Clínica
do CPPII, coordenadora do Grupo GAE da casa d'Engenho e formanda
em psicodrama (DELPHOS).
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