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Jornal Informativo da FEBRAP - Federação Brasileira de Psicodrama
Ano 15 - nº1 - Janeiro/Fevereiro/Março - 1998
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Outras Edições
Editorial
Entramos e 98 apresentando ás federas mais um crescimento da FEBRAP, a partir de março nosso site na web passa a ser de domínio próprio, com o nosso endereço: http://www.febrap.org.br
Com certeza vocês devem estar perguntando qual será a vantagem disso para as federas e os psicodramatistas. A resposta é bem simples: dando este passo, seremos mais facilmente encontrados pelos que navegam pela internet, ampliando a nossos canais de comunicação com os interessados. Além disso, teremos mais espaço, ou seja, um número maior de páginas para incluirmos informações tais como: ampliação da bibliografia, com acréscimo dos livros de autores estrangeiros; manutenção de arquivos científicos; detalhes do congresso e encontros e maiores informações sobre as federas. Isto só será possível porque nos estamos cadastrando junto á FAPESP,como organização congregadora de diversas federas com interesses comuns. E o que será ainda melhor - as federas poderão ter suas home - pages hospedadas gratuitamente, em nosso site.
Este ano promete ser repleto de atividades importantes para o psicodrama brasileiro. Todos nós já estamos nos "aquecendo" e nos preparando para o 4º Congresso Latino-Americano de psicodrama e o 11º Congresso Brasileiro de Psicodrama - o maior evento do nosso movimento que ocorre bienalmente - , que sempre propiciona um espaço de crescimento e troca de experiências e conhecimentos, de reencontro de velhos amigos e novas amizades. Neste ano, poderemos ampliar esta troca com a participação dos colegas Latino-Americanos. Em função disto e com o objetivo de manter todos muitos bem informados, o Em Cena ampliou a coluna "Bastidores do Congresso" (Veja na página 8), trazendo sempre as "últimas" de suas preparação.
O ano de 1998 também será palco dos Encontros Regionais que, apesar de contaem com um menor número de participantes, são eventos importantes. Geralmente, a partir dos Encontros Regionais são lançadas as sementes que serão germinadas, cultivadas e terão seus frutos apresentados nos congresso.
A partir dessa edição, o Em Cena, que inicia o seu 15º ano, será ampliado para que possamos cobrir um outro grande evento de importância internacional, o II Congresso Ibero-Americano, que ocorrerá em abril de 1999. Em parceria com a Comissão de Divulgação deste congresso, abriremos canais de comunicação para informar e promover o intercâmbio entre os psicodrametistas nacionais e estrangeiros, buscando a co-costrução de tão relevante evento. Para isto, estamos ampliando a mala direta de distribuição do Em Cena, abrangeno os diversos países das Américas do Sul e Central e a península Ibérica.
Este, também, será um ano de eleições para um novo biênio da Diretoria da FEBRAP. Precisamos começar a pensar, desde já, em quais rumos queremos para a Fderação, e em qual é o nosso desejo de participação ativa e consciente no movimento psicodramatico brasileiro. Torna-sse necessário abrirmos espaços para discurtimos nossas idéias, seja nas federas, nas regionais, nas assembléias ou neste jornal, para que possamos apresentar propostas e posições e, no exercício da atividade política participativa, possamos ir consolidando e amadurecendo o nosso movimento e a FEBRAP. Para iniciar esta reflexão , não deixem de ler a coluna "Dito & Feito".
è com fôlego de adolecente qye o Em Cena traz também, nesta edição, as interessantes colocações do editor da Revista Brasileira de Psicodrama que, graças aos seus esforços, dos colaboradores e dos assinantes, vem mantendo cinco anos de continuidade com o mesmo padrão de rigor e qualidade científica. E é imensa satisfação que estamos publicando, também nesta edição, os primeiros artigos de psicodramatistas que nos escreveram em repostas á matéria publicada na última edição deste jornal, "Como ter seu artigo publicado no Em Cena ". Esperamos recebendo, em 1998, a colaboração de todos os psicodramatistas para que, cada vez mais, posamos ser um efeivo canal de comunicação e divulgação.
Maria Cecília Veluk Dias Baptista
Diretora de Divulgação e Comunicação
Índice
Resgatando o sociodrama num bate-papo profissional
Quando vejo um grupo de pessoas,
como representantes da mesma cultura, reunidas e mobilizadas por um trabalho moreniano, questiono-me:
Será que quem vai dirigir sabe o nome
do que está fazendo?
Talvez ...De quando em quando, a direção aplica uma dessas técnicas históricas
do psicodrama e, erroneamente, dá o nome
ao empreendimento integral de Teatro Espontâneo ou Jornal Vivo. Percebo também
que utilizam a palavra Psicodrama para tal
procedimento. Ah! Existem outras variações intituladas de: Encontros Socionômicos, Vivências Sóciopsicodramáticas,
Dinâmicas de Grupos...
Nós, pessoas a caminho da expressividade do movimento psicodramático brasileiro, empregamos, em certas ocasiões, esses modos também! Que grande confusão
fazemos! Penso que está na hora de "dar nomes aos bois", como diz o ditado popular.
Se o trabalho é desenvolvido para o grupo que é agente de protagonização, faz-se
Sociodrama. Desde a década de 40, Moreno utilizou esta denominação.
Se o Sociodrama tem um tema comum a
ser trabalhado, referente ao interesse do
grupo, ele é denominado Sociodrama Tet' À m
ma lZauo. "'
Isso todo mundo sabe...
Mas, então, por que faz-se uso do termo
incorreto?
Porque sim! O que vão dizer as pessoas
de outras áreas, que têm desconhecimento
de causa? Elas podem assustar-se com este
palavrão: " Sociodrama. II É melhor dizer
que atua-se na linha moreniana, fica mais
light!
E toda fundamentação da metodologia
Sóciopsicodramática que aprendemos em
curso de Pós-Graduação para nos "transformarmos" em psicodramatistas, onde
está?
Ora, está em mim, em você, em nós!!!
Logo, temos um exercício desafiador pela
frente: divulgarmos o que sabemos de uma
maneira apropriada, senão...
Senão... vêm aquelas outras idéias...outros nomes... Em algum lugar, Mofeno pode estar feliz com nossa conduta:
" A Moreno o que é de Moreno." E agora,
como vamos propalar nosso re-conhecimento?
Que tal encaminharmos esse bate-papo
para o Em Cena? O pessoal do jornal está
nos apoiando: "profissionais menos experientes em relação à 'difícil' tarefa de escrever" ...
Boa sugestão! Escreveremos juntos?
Claro que sim!
Então, mãos à obra a esse monumento
de inspiração...
Índice
Inovando e realizando
No nosso último Encontro de Professores e
Supervisores abordamos temas como excelência, competência, modernidade,
multimídia, era de informática e o novo milênio
e oportunizando um pensar contemporâneo. Discutimos como cada um está investindo, organizando sua ação profissional e a predisposição ao
crescimento e às mudanças a que se propõe,
numa visão crítica da realidade.
Sabemos que a revolução tecnológica e a
nova ordem mundial sofrem desafios e desigualdades, e que a compreensão da época em que vivemos e até mesmo da própria história passam
pelo desejo do homem de se realizar.
Tratamos também, neste encontro, de lançar
sementes de uma discussão mais política e ideo-
lógica acerca do nosso movimento.
Uma de nossas mesas redondas falava da relação da diretoria executiva da FEBRAP e federadas
na formação do psicodramatista. Queremos então
trazer este texto para fomentar e iniciar nosso debate. Um grande amigo meu traz a seguinte reflexão e colocação: "a diretoria Executiva da
FEBRAP vai bem, se inovando e realizando, o
Movimento Psicodramático (visto amplamente) vai
.muito bem, pois no mundo todos o admiram, mas"' I
infelizmente as ínstituições de psicodrama vão mal.
Não conseguem se manter, parece a falência".
E que descompasso é este? Talvez, aqui hoje,
podemos esboçar ou encontrar algumas respostas ao debatermos estas questões.
Hipócrates nos diz que todas as partes de um
organismo formam um circuito. Portanto, toda
parte é o começo do fim.
Podemos também, como Bertallanfy , considerar a FEBRAP uma "grande faln11ia", como um
sistema aberto devido ao movimento de seus
membros dentro e fora, em uma interação uns
com os outros e com os sistemas extrafarniliares.
Vivemos neste sistema um fluxo recíproco e
constante de informações, ações e comportamentos de um dos membros, influenciando e simultaneamente sendo influenciado pelo comportamento de
todos os outros. Isto explica a frase que já se tornou meio jocosa: " A FEBRAP somos todos." Aqui
aponta para o sentido de que não só a Diretoria
Executiva é responsável e deve estar comprometida com os objetivos e fmalidades da FEBRAp, em
hora seja o seu representante ou executivo no sen
tido de desem9ocar e estimular ações. Sabemos
que, ao mudar a posição dos membros do sistema,
ele modifica suas experiências subjetivas.
Assim, pensando a partir desta idéia central,
nos parece que as instituições de psicodrama manifestam neste momento o sintoma, a "doença"
deste sistema, do qual somos todos responsáveis.
Que leitura podemos então fazer deste sintoma? Que estão querendo nos dizer? Será a falência do nosso esquema de organização? Precisamos estabelecer novos padrões de comportamento? Eu, particularmente, creio que sim. Precisamos fazer mudanças. Nossa realidade não é fixa.
Precisamos estar a serviço da ampliação da realidade em busca da saúde do nosso sistema. Sair
do que está fixado e buscar novos valores que
espelhem nossa identidade grupal.
O modelo de organização que temos ainda
hoje possibilitou nossa implantação e assegurou
nosso existir, enquanto organização mais respeitada do mundo.
As instituições de psicodrama se implantavam e
se organizavam em torno de um curso de formação.
Este modelo não pode funcionar mais no momento
atual. Agora precisamos rever nossos países. Não
basta apenas os papéis ligados ao ensino do psicodrama, ou outros países ligados a uma diretoria com
um funcionamento arcaico e disfuncional.
As federadas estão empobrecidas, pedindo
socorro e as regionais mais enfraquecidas.
Não podemos mais sobreviver com um curso de
formação. As entidades necessitam gerar outros
novos serviços, vender novos produtos. Nos agrupamos de forma mais leal, aceitando os limites e
diferenças, respeitando nossas tecnologias e principalmente atendendo aos princípios do rigor ético.
O Estatuto da FEBRAP modificou. Movimentamos politicamente visando tornar nossa estrutura
mais flexível, menos autoritária e centralizadora.
Trouxe, portanto, outra estrutura de funcionamento
mas percebo que não foi suficiente para implantar
mudanças na estrutura das instituições. Os avanços
não foram correspondentes. Em algum momento do
processo ficou truncado.
Requer abrir novos espaços institucionais que
correspondam e respondam às expectativas de
nossos associados e ao "boom" das questões sociais e comunitárias que aí se apresentam.
Neste momento vejo como principal papel da
Diretoria Executiva o estímulo às instituições de
psicodrama a modificar o presente, no sentido de
acompanhar na atualidade as características dos
movimentos para uma nova organização mais
ágil e moderna.
Enquanto Diretoria Executiva estamos abrindo
a discussão política e ideológica do nosso movimento, enquanto FEBRAP podemos processar
isso de uma forma amadurecida e organizada.
Cada instituição terá o papel de mobilizar seus
associados na busca de uma postura ideológica, política e estrutural do nosso movimento. Vamos começar uma "microrrevolução" nos moldes de Moreno. "Quem sobreviverá ?" Aqueles que deixarem
de ser robô tomos, puderem transformar o mundo a
partir do exercício de sua espontaneidadecriatividade. Queremos repensar nossa instituições?
Começamos a promover a tentativa de um entendimento que pretende ser mais aprofundado e
compromissado com as mudanças de nossas
instituições, da Diretoria Executiva no sentido de
acompanhar e executar ações necessárias ao estabelecimento do movimento e a inserção mais afetiva
do psicodrama na sociedade e no cotidiano. Pretendemos ser o catalisador, trazer tendências e abrir articulaçães. Será o começo de um processo, que vai
aquecer conforme quisermos ou não participar.
Em função de nossa proposta de contato com
as regionais, da articulação dos encontros regionais, das denúncias, queixas e pedidos que chegam até a Diretoria Executiva, queremos levantar alguns temas que expressam as necessidades
dos psicodramatistas, como aquecimento para o
diálogo. Nosso eixo metodológico e político será
o debate que inicia sua fermentação nas secções
regionais, ampliando nas regionais, Câmara de
Ensino e Ética, até desembocar nas Assembléias
Gerais -fórum de deliberação .
Vejam algumas questões:
.Que FEBRAP queremos?
.A estrutura das regionais contribui para o
crescimento do movimento psicodramático brasileiro?
.O contato da diretoria executiva com os
psicodramatistas deve ser via entidades e regional e nunca diretamente, fortalecendo assim as
regionais.
.Os associados da FEBRAP deveriam ser indivíduos e não federadas
.Relação Diretoria Executiva x federada.
.Rotatividade dos membros da Diretoria Executiva e CEE quando da eleição.
.Representatividade na CEE.
.Implantação da Comissão permanente do
Congresso.
.Elaboração de regimento interno de funcionamento dos congressos, encontros regionais e outros.
.Necessidade de elaboração de um código de ética para os psicodramatistas.
.Todos estes argumentos e tantos outros têm
dois lados, muitas implicações e vários desdobramentos, cujos resultados saberemos mais adiante, enquanto repensamos nossa prática requer,
estudos, entendimentos, empenho e predisposição a mudanças para o crescimento.
Lançaremos através da Diretoria de Ensino e
Ciência uma pesquisa-ação sobre a questão da
ética entre instituição e psicodramatista. Nossas
atitudes e ações dizem mais do que palavras e
nossa modalidade de relação predominante deveria ser eu-tu e não eu-isto.
Votando à nossa idéia central, creio que enquanto Diretoria, queremos, ajudados por vocês,
fazer a leitura correta dos sintomas e propor o tratamento mais coerente e produtivo. Assim, nosso
passado contribuirá fazendo projeções de futuro e
o nosso presente apenas transição. Estaremos
desconstruindo uma realidade e propondo a construção de novas realidades, que nos legitimam enquanto psicodramatistas do próximo milênio e enquanto movimento importante mundialmente.
Índice
Notícias da revista
Devagar, a Revista Brasileira de Psicodrama
vai se firmando como uma iniciativa importante do movimento psicodramático brasileiro e, talvez, internacional.
Quando foi fundada, a FEBRAP tinha por objetivo duas metas básicas: a organização dos congressos bianuais e a estruturação de uma revista
bissemestral. Na visão de seus fundadores isso já se
ria ótimo.
Na realidade, muito mais coisas têm ocorrido e um
"plus" de qualidade tem sido dado aos seus afiliados.
Sobre a revista temos notícias auspiciosas.
Após a publicação do volume I, númerol e 2, ano
1990, conseguimos a inscrição necessária para publicações seriadas, o ISSN (International Standard
Serial Number), sob o código 0104-5393-.
Antes da impressão do número 1 do volume 2
providenciamos a catalogação na fonte pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros, que vem a ser
o "Índice para catálogo sistemático". Esse sistema
nos permite estar adequadamente inscritos em todas
as bibliotecas públicas e universitárias que recebem
a revista.
Estão sendo dados os primeiros passos para a
indexação internacional, o que oficialmente é permitido quando o periódico atingir 5 anos de publicação
regular. Isso aconteceu! ! !
Logicamente, ao conseguirmos esse patamar,
maiores serão as responsabilidades: da ordem edito
rial, da ordem de publicação e da ordem dos compromissos da FEBRAP com esse fato novo.
Aqui, mais uma vez, temos que contar com a sincera disponibilidade dos federados em sustentar a
iniciativa e o novo "status".
Temos colhido alguns reconhecimentos moral
mente compensadores. Vamos a eles.
Quando a FAPESP (Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo) deu auxílio financeiro para a complementação de gastos com o número
2 do volume 3 (ano de 1995), no parecer que justificava aquela ajuda parcial constou a seguinte análise:
"O exemplar da Revista Brasileira de Psicodrama,
apresentado para apreciação revela bom nível dos artigos inéditos, que cobrem uma área diversificada das
teorias e das técnicas psico-sócio-dramáticas, explorando temas interessantes, de forma instigante e com
bibliografia adequada.
Do restante da revista, valeria a pena destacar as
resenhas, comentários e reportagens, além da bela
homenagem a Theodoro Israel Pluciennik (o Théo,
recentemente falecido).
Tudo isso imprime à revista um caráter atual, trazendo à tona a complexa gama de articulações que
constitui o movimento psicodramatista atual".
"Aprovado."
Em 1996, recebemos de Maria do Carmo Guedes,
diretora da EDUC-SP (Editora da Universidade Católica), um pedido para contribuir com a experiência
da RBP na formação de um material e conseqtiente
proposta de debate entre editores, diretores de publicação, e outros setores de revistas qualificadas em
nível universitário.
No ano de 1997, a revista, por iniciativa da nova diretora da Diretoria de Comunicações da FEBRAP, Maria Cecília Veluk Dias Baptista, foi incluída na Nome
Page da FEBRAP (E-mail: febrap@mandic.com.br).
Estamos na Internet.
Em 1997, editoras fora do circuito SummusÁgora enviaram-nos livros para serem submetidos ao crivo das resenhas. Contamos com a doação de
exemplares da Editora Letras e Letras e Editora Martins Fontes. Sinal de que a RBP vai ultrapassando o círculo de giz que marcava sua pouca divulgação no mundo editorial.
Quando estabelecemos, no início, o número de
exemplares de cada tiragem, fomos movidos por um
cálculo ingênuo e otimista. Para 3.000 profissionais
cadastrados na FEBRAP estimamos uma impressão
de 1.500 revistas. Vendemos menos de 500. A partir
daí, caímos para a produção de 1.000 unidades. Surpreendentemente, a venda por edição ultrapassou os
500. O número de assinaturas vem aumentando rapidamente e, pelos cálculos que estão sendo feitos, supõe-se que brevemente a revista esteja se pagando. E
talvez voltaremos, realisticamente, à produção inicial.
A propósito, podemos anunciar que neste ano de
1998 cada número da revista será vendido por R$15,00 (quinze reais). Uma diminuição substancial
do preço unitário, fruto da boa política de insumos.
O preço referido (R$15,00) valerá também para
as revistas do ano anterior que, no caso, são os dois
números do ano passado -1997.
Os números antigos (1996 para trás) serão vendidos pelo preço de R$10,00 (dez reais), até o esgotamento da reserva, respeitando o acervo histórico.
Quanto à validade das assinaturas, cabe aqui um
esclarecimento: elas estão sempre referidas ao ano
comercial da revista que vai de Janeiro a Dezembro.
Esse esquema é importante, se obedecido, para evitar
equívocos e facilitar o competente registro do movimento de distribuição. As assinaturas deverão ser refeitas anualmente, bem no início do 1° semestre.
Quanto à forma de colaborar com contribuições
escritas próprias, não há segredos ou dificuldades.
Basta que o interessado leia com atenção as exigências muito simples das "Normas de Publicação", que
podem ser encontradas na página 139 do número 1,
do volume 5, do ano de 1997.
Estar de acordo com essas exigências é o primeiro critério para se aceitar a colaboração que em seguida vai para a seleção editorial.
Cada regional da FEBRAP tem um representante
junto ao Conselho Editorial que é renovado a cada
mudança de gestão e está à disposição de todos para
orientar e receber sugestões.
O número de colaboradores da revista, desde o
seu primeiro volume, nestes cinco anos, chega à animadora cifra de 200 psicodramatistas.
Em cinco anos de vida, diante de 200 colaboradores aceitos e publicados, tivemos apenas duas colaborações rejeitadas por estarem fora dos padrões
das "Normas de Publicação", a casa ínfima de 0,4%
ano/volume.
Este dado nos dá a certeza de que silenciosamen
te, vamos contemplando todos os grupos, todas as
escolas e todas as tendências que enriquecem o
Psicodrama no Brasil.
Índice
A criação de cenas através da forma e a emergência de conteúdos
Para melhor compreender o método psicodramático de Rojas-Bermúdez, é importante, acredito, absorver as principais diferenças entre o
seu enquadre técnico-formal e o método moreniano, basicamente centrado na técnica de dramatização de
papéis. Bermúdez, ao longo do seu trabalho clínico,
desenvolveu uma metodologia de trabalho própria,
acrescentando algumas transformações de estilo e
técnica, enquanto procedimento sistemático, utilizado no contexto dramático como técnica de aquecimento ou desaquecimento, pesquisa e trabalho
terapêutico.
Ao começar a minha prática como psicodramatista estagiária, na ASBAP (1993), sentia dificul-
dades em adaptar-me ao método psicodramático proposto por Rojas-Bermúdez em sua íntegra. A dificuldade vinha, creio eu, de uma tendência mais arraigada no trabalho verbal e do hábito anteriormente incorporado de ouvir e investigar verbalmente o material trazido para a sessão, até que pudesse conceber
alguma hipótese de direcionamento para a produção
de Cenas e para a utilização do Contexto Dramático.
Farniliarizando-me aos poucos com a metodologia proposta, pude perceber que, de fato, aquecer o Protagonista para a produção de uma Imagem, era realmente mais favorável à obtenção de contéudos e, da
mesma forma, para um melhor desenvolvimento da
sessão psicodramática. Na maioria das vezes, criava-se a partir daí uma cena a ser trabalhada, inde.pendente da dramatização propriamente dita, favorecendo também a construção de hipóteses terapêuticas, o envolvimento do grupo e o aquecimento do
protagonista. Esse relaxamento de campo pareceu-me essencial, compensando, de alguma forma, o trabalho despendido junto ao paciente para a produção
de uma Imagem, uma vez que esse tipo de linguagem - falar através de uma forma ou alegoria, não é
muito comum na nossa cultura.
A utilização sistemática desse método de trabalho me permitiu visualizar as cenas expostas, ao invés de ouvi-las e repeti-las no Cenário, o que acredito que tenha sido bom também para os pacientes, fazendo-os voltar o seu olhar para si mesmos, ao tempo em que constroem o seu drama e o vivenciam.
Pude perceber, também, que o método permite a evolução ou não das formas criadas no Cenário, para
uma dramatização desenvolvendo-se de maneira
fluida e enriquecendo o desempenho de papéis, além
de pontuar as intervenções necessárias de uma forma conjunta.
Segundo Bermúdez, a Imagem traz o aspecto básico conflitante, registrado e identificado na Imagem, o
qual é espontaneamente assumido pelo protagonista.
Este fato possibilita-nos o prosseguimento do trabalho terapêutico, muitas vezes sem passar pela produção de cenas onde são desenvolvidos papéis -método moreniano, uma vez que a própria Imagem pode
ser capaz de possibilitar o insight e a catarse de
integração objetivada. Quando isso acontece, a Imagem fala por si mesma, a compreensão é imediata e
fortemente sentida pelo paciente como a sua verdade.
Facilita-se tal compreensão fazendo-se uma leitura das formas em cena, com o envolvimento do protagonista ou, como orienta Bermúdez, passa-se a
"investigar as relaçÕes existentes entre as diversas
partes da Imagem, a destacar os seus elementos expressivos e verificar as interrelações existentes entre cada parte e contra-parte". Através dessa metodologia, normalmente o protagonista chega à autocompreensão e à auto-avaliação.
Dentro da minha experiência com a técnica,
houve ocasiões onde tomou-se desnecessário, inclusive, passar o protagonista para a Imagem e pedir-lhe o Solilóquio. Ao fazê-lo tomar distância da
Imagem e visualizá-la, obtinha-se insight da situação, tomando-se desnecessário o prosseguimento
técnico-metodológico proposto. Nessas ocasiões, a
qualidade expressiva da Imagem era muito boa. Notamos que certos pacientes conseguem mais facilmente uma autocompreensão significativa logo
após o processo de construção da Imagem ou, no
momento seguinte, ao assumir o lugar de cada parte e contra-parte da Imagem para realizar o Solilóquio, etapa do procedimento considerada por alguns como um "assumir e inverter papéis" -embora acredite ser mais adequado utilizar essa terminologia para "unidades de conduta" e não para unidades de gestos e posturas corporais.
A utilização desse método nem sempre é uma tarefa fácil. Requer muito tempo de prática, determinação e paciência por parte do terapeuta. Principalmente quando estamos lidando com pacientes muito
bloqueados nos seus afetos, com poucos recursos expressivos 8 muitas dificuldades de simbolização.
Percebi, no entanto, que mesmo para essas pessoas,
o exercício continuado de produzir Imagens, pode
servir-lhes de estímulo ao desenvolvimento dos seus
canais cenestésico e visual, permitindo-lhes de alguma forma ampliar o seu contato com seu mundo interno de sensações, sentimentos e fantasias, ajudando-os a melhorar também a qualidade dramática das
suas Imagens e a liberar o seu potencial criativo.
Leonídia Alfredo Guimarães
Psicodramatista
Índice
Aquecimentos para a despedida da guerreira
Quem vivencionou a "Dança do Querreiro", no 10º Congresso Brasileiro de Psicodrama, em Caldas Novas, em novembro de 96, vai compartilhar conosco nossa cena maior, e vai entender a nescessidade que tenho em expressar e confirmar ás meninas de Aracaju a importância dessa vivência coordenada por elas e apresentada extracongresso como possível técnica de aquecimento.
Lá em Goiás, numa sala apertada e bem no fundo, havia um grupo numeroso e muito disponível. Todos com fitas coloridas na cabeça, cantando e dançando em redor das cadeiras, com ritmo bem marcado por um pandeiro e um apito, entou diversas vezes esses canto folclórico, autenticamente brasileiro: "Eu perquntei nessa casa eu perguntei, Eu perguntei se eu podia rezar. Ajoelhar, bem de mansinho, Guerreiro fazendo pelo-sinal" (Faz-se sinal-da-cruz ajoelhado)
Espontaneamente, um por vez, muitos querreiros e querreiras sentaram na cadeira do querreiro e alguns reis e rainhas na cadeira do rei. Os reis e rainhas contavam fraquezas e amenidades, e os querreiros e querreiras suas dificuldades e angústias, colocando a vontade de querrear e vencer.
De repente, um dos querreiros da minha tribo familiar senta na cadeira e gritar alto e forte, num choro muito humano. Era sua angústia em perceber que estávamos perdendo nossa grande querreira, nossa mãe, mãe Herminia, nossa matriz, que presentou com esse irmão que me complementa, me supre e me entende.
O grupo de imediato acolhe Aldo querreiro e, num grande abrço grupal, juntos soluçamos e trocamos afetos. Foi uma das mais belas dramatizações da minha vida!
O canto foi entoado novamente para acalmar e fortalecer o querreiro. Ficamos muito tempo compartilhando lutas, derrotas, vitórias e conquistas, até sairmos pelo espaço do congresso, cantando a alegria de termos participando de um momento especial e tão profundo...
Meninas de Aracaju! Tenham a certeza de que o "Canto de Querreiro" nos alertou e aqueceu para derradeira perda e só temos a agradecer a vocês, a Moreno e ao psicodrma pela a opoetunidade. Daquele dia em diante, tratarmos nossas querreira velhinha como uma "rainha", fazendo a grande inversão de papéis, e aproveitamos cada minuto para reverenciar, agradar, atender e acarinhar nossa mãe, nos fortalecedo para enfrentar o grande ritual da despedida.
V Encontro Nacional de Professores Supervisores-São Paulo, novembro 97.
Depois de tantas trocas gratificantes, de vivência riquíssima, tivemos, no encerramento, um teatro apresentado dramas familiares ensenados por maravilhosos psicodramatistas, mobilizado a platéia e oferendo a oportunidade para os mais sensíveis e corajosos de reviver e refazer no palco suas dores, impôtencia, culpas, perdas, saudades, e desafetos, dirigidos com firmeza e competênia por uma terepeuta psicodramatistas.
A morte surgiu como grande foco e, naquele momento, tive a certeza de que ela rondava nossa matriarca. Compartilhei minha descoberta com os que estavam sentados mais próximos, sem muitas falas ou com fals curtas, apertos de mãos, afagos, abraços carinhos e senti que estava ainda preparada. Masi uma vez, o contexto psicodramático e a dor das perdas reais dos meus colegas me aqueciam mais especificamente para encenar esse difícil rito de passagem.
Tudo o que vivi me ajudou muito e saí mais fortalecida. Nossa guerreira começou sua caminhada e a viver sua partida, e o que mais me iompressiona foi como, tanto Aldo quanto eu, enfrentamos inteiros essa amarga despedida.
Agora, em janeiro de 1998, nossa Guerreira se foi, e todos os que viveram conosco esses mágicos momentos psicodramáticos aqui descritos, estavam comigo. Revivi cenas, gestos, falas, toques, cantos, cores, rostos, situações e cada manifestação de pesar recebida revela ainda a força do psicodrama, do vínculo, da interação, do compartilhar e me orgulho muito de fazer parte da "Grande Nação Brasileira de Psicodrmatistas", onde concico com tantos valentes, amados e queridos guerreiros e guerreiras.
Para mim é uma bênção ser psicodramatista, e que assim seja!
Herailde Oliveira Silva
Profª, supervisora e terapeuta de alunos
Índice
A violência dentro de casa
O Em Cena entrevista nesta edição: Dalka Chaves de Almeida FErrari, coordenadora geral do Núicleo de Referênica às Vítimas da Violênica - NRVV.
Dalka nos apresenta, neste entrevista, sua posição a respeito da violênica doméstica contra criançãs e adolescentes e o trabalho que sua equipe multidisciplinar vem deenvolvendo em conjunto com o Núcleo. A história do NRVV começou em 1988 quando a Clínica Psicológica do Instituto Sedes Spiense desenvolveu, através de um convênio com a Secretaria do Menor do Estado de São Paulo, um trablaho na área de violênica contra crianças e adolescentes. Seis anos depois, em 1994, o NRVV formalizava a sua constituição na clínica Psicológica. Hoje, o Núcleo participa, com mais 60 instituições, dos preparativos para a realização do Tribunal Permanente dos Povos, organizado pela OAB/SP. O tema do Tribunal, que se realizará em julho deste ano (1998) em São Paulo, será "Os Crimes Contra a Infânica e a Junventude no Brasil".
1. De que maneira a senhora vê a questão da
violência doméstica?
DCAF - A violência doméstica, sob qualquer
forma ou disfarce, é algo que deve ser desvendado, desconstruído. Frente à violência contra a criança,e o adolescente não há neutralidade possível. E preciso romper o pacto de silêncio. E fundamental ver o problema e enfrentá-lo. Há urgên-
cia em ações enérgicas e afmnativas. É esta a vocação do Núcleo.
2. Como o NRVV se posiciona em relação a este problema?
DCAF - O NRVV defende uma ação efetiva
que interrompa a trajetória da violência. O núcleo é a instituição de referência, no município
de São Paulo, no tratamento psicoterápico de crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica- física, sexual, psicológica- e das abusivas, incluindo o agressor. Está organizado em seis
áreas de atuação: tratamento, prevenção, parcerias, pesquisa, formação de profissionais e comunicação. É um setor da Clínica Psicológica do
Instituto Sedes Sapientiae e está articulado e sintonizado com os seus princípios em defesa intransigente dos direitos humanos e da cidadania.
Para agir é preciso compreender a violência
como uma produção humana-que diz a humanidade de todos nós -, é histórica. Compreendê-la implica percorrer os caminhos de nossa história social e pessoal, tanto para discriminar as determinaçÕes que a exacerbam em certos momentos da convivência coletiva, quanto para
compreender as peculiaridades de cada um dos
seus modos de expressão.
3. A violência doméstica contra crianças e adolescentes está ligada a uma classe específica ?
DCAF - A condição de risco pessoal e social
que "vitimiza" uma parcela significativa de crianças e adolescentes brasileiros não se restringe
aos pobres como únicos agentes e vítimas da violência, como muitos podem pensar. Esta doença social atravessa todas as classes e revela que
a família -onde se concretiza, em primeira instância, o exercício dos direitos da criança e do
adolescente -nem sempre é lugar de proteção e
apoio. É neste lugar valorizado em sua função
de cuidados que, muitas vezes, a criança e o adolescente vivem suas primeiras experiências de
violência: a "vitimização" física, o abuso sexual,
o terror psicológico, a negligência.
Para se ter uma idéia, em São Paulo, de 1° de
janeiro a 30 de setembro de 1993, foram atendidos no SOS Criança 5584 casos de violência contra crianças e adolescentes, sendo que 51,3 % referiam-se a "vitimização" física e, em 90% destes
casos, o agressor era um familiar.
O levantamento publicado pela Fundação
Abrinq e pelo SAC/OAB-SP, em 1994, demonstrou que em 70% dos casos de violência contra
crianças e adolescentes, a faln11ia era a agressora,
sendo que 50,2% das agressões físicas são cometidas por pais e mães. Quanto ao abuso sexual, também é a família a principal agressora
(62,2% ), sendo o pai biológico o principal agente de violência (52,2% ). Na maior parte dos casos, os pais agressores foram vítimas de violência na infância e/ou adolescência.
4. E quais as conseqiiências deste tipo de
violência ?
DCAF - Uma experiência de "vitimização" -
por menor que seja o tempo (segundos!) -carrega o submetimento, a força, o exercício arbitrário do poder, da coisificação do outro (uma criança, um adolescente) e produz sofrimentos. Em
muitos casos, como nos ensina o psiquiatra inglês D.D. Winnicot, as alternativas são a morte
(física), a loucura ou a delinqtiência que, assim, perpetua o ciclo: a vítima se transforma em agente de violência. Esse é um destino que precisamos interromper, uma vez que as condições
sócioculturais que produzem a criança e o adolescente vítimas de violência, produzem também
suas faln11ias.
Em situações de violência de todos os tipos,
a psicológica está sempre presente, manifestando-se das mais variadas formas, como humilhações e rebaixamento da auto-estima da criança
ou do jovem. A violência doméstica marca a criança de forma brutal, acompanhando-a nos outros grupos sociais que frequentará mais tarde.
Assim, a violência presente hoje nos vários grupos sociais reflete, também, a violência doméstica perpetrada contra crianças e adolescentes e,
se o ciclo da violência não for interrompido, ele
estará se repetindo nas novas gerações. A doença social produz crianças e adolescentes
"vitimizados" e famílias abusivas. Ambos precisam ser tratados.
5. Como pode ser feito este tratamento?
DCAF -No NRVV adotamos três modalidades de tratamento: psicoterapia individual,
psicoterapia de grupo e psicoterapia de família.
Com a psicoterapia individual trabalhamos
com a criança ou adolescente as questões de
identidade, seus sentimentos de revolta, de culpa, de vergonha, seus sentimentos negativos e
positivos em relação ao agressor, ao não-
agressor, aos irmãos e a outras pessoas da comunidade. O objetivo deste tratamento é promover a expressão e elaboração dos sentimentos associados ao papel de vítima, possibilitando que
a criança elabore o trauma revelando e simboli
zando acena da violência.
Na psicoterapia de grupo procuramos proporcionar um ambiente seguro no qual as crianças
ou adolescentes possam discutir as questões da
violência. Tentamos criar um sistema de apoio
no grupo, levando-os a diminuir suas ansiedades
e sintomatologias. Para isso, temos adotado a coterapia, pois ela facilita a depositação
transferencial, acelerando o processo psicoterápico. As sessões ocorem semanalmente, sendo
que os grupos são abertos, compondo-se de seis a oito elementos. O grupos são formados de
acordo com as faixas etárias, de 3 a 5 anos, de 5 a 7, de 8 alO, de II a 13 e de 14 a 18 anos.
Formamos, também, grupos de pais, grupos de
casais e grupos de agressores. No grupo de pais o
objetivo é sensibilizar pais e mães sobre o seu papel dentro da família abusiva, o quanto o filho necessita de sua ajuda, de proteção e de confiança,
que sua história possa ser confIrmada e compreendida pelo adulto não-agressor. O grupo de casais é oferecido aos casais que não se separaram
e em que um dos cônjuges é, ou suspeita-se que
seja, o agressor. Nesses grupos, procuramos focalizar não só a violência, mas também a questão
dos limites da autoridade, da complementaridade
vítima/agressor, do julgamento. O grupo de
agressores é formado por adolescentes agressores, que em muitos casos são infratores em liberdade assistida. Este trabalho é difícil devido às
questões institucionais como transferências de
abrigo e oscilação de freqtiência.
A outra modalidade de tratamento que oferecemos é a psicoterapia de família. O objetivo básico, nesses casos, é mudar as relações familiares.
6. Trabalhar com uma questão tão delicada, em
que a omissão familiar é o mais comum, é
muito complicado?
DCAF -Não é nada fácil. Exige, de um lado,
uma postura científica e, de outro, uma postura
política, comprometida com a infância em dificuldades, em ações competentes e sem reticências.
A omissão é um problema sério. Trata-se de
um pacto de silêncio, de uma ação/omissão per-
versa que, ao não permitir a identificação e registro da violência doméstica, a mantém e repro-
duz. Conhecer o perfil dessa violência, registrar
e divulgar os dados funciona, por si só, como
inibidor deste comportamento e permite não só o
acompanhamento do caso, como a elaboração de
programas de intervenção.
O NRVV, através da sua da Área de Prevenção,
está desenvolvendo um trabalho junto aos equipamentos educacionais com potencial de formação de
multiplicadores. O objetivo do projeto é instalar dez
pólos de prevenção na cidade de São Paulo. Hoje,
já contamos com dois pólos, um na região oeste e
outro na região central da cidade. Os dois pólos
atingem 200 crianças/adolescentes diretamente,
320 indiretamente e 65 multiplicadores.
Nossa proposta é atingir as crianças de O a 6
anos em creches e de 7 a 14 anos nos Centros de Juventude, faixas consideradas de maior risco no
tocante à violência doméstica. O trabalho passa por
uma etapa de sensibilização dos agentes e de treinamento para que eles possam identificar e acompanhar crianças e adolescentes em situação de "vitimização" e negligência, além de prepará-los para o
trabalho com as famílias na busca de soluções. .
A etapa seguinte é a intervenção na comunidade. Nesta etapa os agentes de educação, com
a supervisão do NRVV, visitam as instituições da
comunidade e promovem debates e palestras entre outras atividades.
7. Como o NRVV avalia o Estatuto da Criança
e do Adolescente?
DCAF -O Estatuto da Criança e do Adolescente é um instrumento fundamental para o
norteamento dos princípios, das finalidades e da
conduta de cada um dos profissionais do NRVV.
A nossa perspectiva é a construção coletiva de
um mundo em que não haja situações de risco pessoal e social para a criança e o adolescente. Esta
utopia se constrói como processo histórico, que se
ancora na subjetividade de cada um dos cidadãos.
"A omissão é um problema sério.
Trata-se de um pacto de silêncio,
de uma ação/omissão perversa
que, ao não permitir a identificação
e registro da violênica doméstica,
a mantém e reproduz."
Dalka Chaves de Alemida Ferrari
Índice
Quando o esporte encontra o psicodrama
parafraseando Jacob Levi Moreno, que afirmou existirem muito mais "Michelangelos" do que aquele que pintou a Capela
Sistina, tenho absoluta certeza de que há muito
mais "Gustavos Kuerten" do que aquele nosso
brasileiro que subiu no topo do pódio de Roland
Garros.
A vida no esporte também gera stress. São
fracassos (e vitórias...) mal resolvidos, são re-
núncias mal digeridas, são "amizades" inconvenientes, são dores mal curadas, que a cada dia
solicitam, cada vez mais, a interferência do profissional especializado da área.
A Psicologia do Esporte, enquanto ciência
que auxilia no avanço do Esporte de Rendimen- ..
to, ainda é muito recente, diante das outras ciências que formam as chamadas Ciências do
Esporte. Porém, nas últimas décadas, muitas
pesquisas foram desenvolvidas para que os as-
pectos psicológicos dos atletas e técnicos possam lhe servir, não como um fantasma, que os
afasta do pódio, mas sim como aliados na busca da vitória.
Desde 1956, já se ouvia falar de Psicologia
do Esporte aqui no Brasil, quando por ocasião
da Copa do Mundo de Futebol se contratou um
psicólogo para integrar a nossa Seleção de Pelé
e Garrincha. De lá para cá, muitos profissionais
do esporte, a maioria deles professores de Educação Física, tentaram desvendar essa parte tão"misteriosa" do ser humano. Pesquisas cientificas e senso comum traziam "verdades" psicologicas que norteavam técnicos e professores de esportes quanto a conduta das relações
interpessoais.
Até que o esporte encontrou o psicodrama...
E a paixão veio pelas semelhanças...
Os antigos gregos, atletas olímpicos que buscavam com seus méritos físicos se aproximar de
Deus, se assemelham a Jacob Levi Moreno, que
através da sua espontaneidade infantil, brinca
também de ser um deus, a partir daí começa seu
maior desafio: o psicodrama.
O psicodrama, que no seu início existia enquanto nos guetos e praças, hoje retoma para
seu berço: os campos, as quadras, as piscinas,
as avenidas por onde competem maratonistas,
triatletas, ciclistas e tantos outros.
Se na Teoria Psicodramática o homem é
concebido e estudado a partir de suas relações interpessoais, a inter-relação entre os esportistas, entre atletas e técnico, entre atleta
e torcida, constitui aqui seu eixo fundamental.
Outros benefícios do psicodrama no esporte
já foram citados em literatura especializada,
como por exemplo, o trabalho com a técnica
psicodramática denominada Sociometria
(Cavasini, 1977), o Jogo de Role-Play intitulado
"Os 10 Mandamentos do Esporte", além de outros estudos de caso (Franco, 1993). Segundo
Achcar (1994), "dentre as técnicas de grupo
mais citadas, o psicodrama é utilizado com
maior freqiiência. Ele tem possibilitado a discussão e avaliação dos papéis de cada Um na
equipe esportiva".
As semelhanças não páram, razão pela qual
muitos profissionais da área adotam o psicodrama para desenvolver a prática da Psicologia do Esporte.
.Por considerar o homem Um ser espontâneo, por natureza;
.Por acreditar que seu desenvolvimento se dá na relação Eu-Tu;
.por se utilizar da ação, da energia fluente e dinâmica;
.Ppor valorizar o jogo como forma de aprendizagem;
.Por focar, delimitar e trabalhar com os diferentes papéis que cada um assume nos diferentes contextos.
Valorizando todos esses conceitos é que o
Psicodrama se aproxima tanto do esporte. Há
harmonia também entre eles, quando comparamos seus instrumentos:
PSICODRAMA...................... ESPORTE;
Palco................................. Quadra, campo, piscina, etc;
Protagonista....................... Atleta;
Diretor............................... Técnico;
Egos auxiliares................... Assistente técnico e equipe;
Público.............................. Torcida;
E quando relacionamos suas etapas:
PSICODRAMA................................ ESPORTE;
Aquecimento inespecífico............... Preleção;
Aquecimento específico.................. Aquecimento físico;
Dramatização............................... Jogo ou competição;
Comentários................................ Comentários;
Será com uma bola na mão, com uma raquete ou uma fita de ginástica rítmica, por exemplo, que a criança ou o adolescente terá a oportunidade de SER, ser espontâneo dentro das regras esportivas.
O atleta se aquece... Vai para o centro da
quadra para mostrar o seu ato criador. Servese, para isso, não da palavra, mas do seu movimento corporal. Geralmente depois ele se senta no banco para avaliar seu jogo, conversando e compartilhando com seu Diretor e seus colegas. Isto é psicodrama!
A prática da Psicologia do Esporte precisa
evoluir e o psicodrama ainda tem muito a contribuir! Embora esse casamento apaixonado e
caloroso entre esporte e psicodrama esteja durando, para que cada um continue a acrescentar positivamente na individualidade do outro
é necessário muito estudo, principalmente
advindo dos psicodramatistas que são os verdadeiros "casamenteiros" deste lindo love
story no pódio 1 !
Gisele Sartori Franco
Psicóloga,psicodramatista formada pela
Sovap,professora de psicologia do Esporte -
Universidade Santa Cecília/Santos e
mestrando na FEF/Unicamp.
índice
Grande hotel São Pedro O Cenário
LocalizadO a cerca de 180 km de
São Paulo, Águas de São Pedro,
de se realizará o II Congresso
Ibero-americano de Psicodrama, é considerado o menor município do Brasil.
Em 1928, o Serviço Geológico do
Estado de São Paulo prospectava petróleo na Região de São Pedro. As perfurações encontraram apenas águas
suIfurosas. mas esta descoberta foi
detemIiJIaIIIe para o futuro da região e
para a criação do Grande Hotel São
Pedro. É que essas águas sulfurosas
foram analisadas pelo Serviço Sanitário do Estado de São Paulo, quando se
descobriu suas ótimas propriedades terapêuticas. Em 1934 foi construído o
primeiro balneário, por Angelo Franzim, que fechou pouco tempo depois.
As terras, as fontes e o direito da exploração das águas foram, então vendidos
para a família Moura Andrade, em
1935. É a partir daí que se inicia a efetiva exploração comercial das áquas de
São Pedro pela empresa Águas
Sulfíckicas e Termais de São Pedro.
O projeto dos im1ãos Mouca Andrack era ambicioso: montar naquela região um luxuoso hotel. capaz de atender a exigente elite brasileira da época.
Para isto montaram uma equipe de profissionais que planejaram minuciosamente a infra-estrutura da futura estância. Foi necessário recrutar e alojar
mais de 300 operários e artesãos. Para
compor a primeira equipe de funcioná-
rios do hotel. os proprietários foram recmtar profissionais em vários estados e
até mesmo na Europa, devido à escassez
de recursos humanos especializados.
Em 25 de Julho de 1940 é criado
oficialmente o município Águas de
São Pedro. Neste mesmo dia, o Grande Hotel São Pedro abre suas portas
aos hópedes e clientes, apresentando
como grande atração seu cassino.
O antor do projeto do hotel foi o
engenheiro Luís Carmelingo. que utilizou traços refinados do estilo art
déco. O edifício tem linhas retas e volumes densos, marca típica da arquitetura dos anos 30 a 40. O projeto arquitetônico atendia às necessidades daqueles que permaneciam no hotel por
longos períodos para tratarem da saúde, assim como para os hóspedes que
buscavam diversão no cassino, nos
shows musicais e na projeção de filmes. Eram noites de glamour e elegância, com grandes orquestras e shows
com atrações nacionais e internacionais.
Mas o sonho dos Moura Andrade
durou pouco: em 1946, por decreto do
Presidente Dutra, foram extintos os
cassinos em todo o território nacional.
O atendimento de pessoas em busca de
terapia das águas e suas famílias manteve o hotel por alguns anos, mas a falta de investimentos e as dificuldades
do desenvolvimento de infra-estrutura
na cidade fizeram com que o empreendimento não fosse adiante. Na década de 50, o Governo do Estado arrendou o hotel mas a falta de investimentos acabou desgastando os equipamentos e as edificações. No final dos
anos 60, o Grande Hotel São Pedro encontrava-se em dificuldades e bastante
desatualizado em relação às necessidades do ramo de turismo e hotelaria.
Em 1969, o SENAC-SP assume a
gestão do Grande Hotel São Pedro,
objetivando um Centro de Desenvolvimento e Formação em Turismo e
Hotelaria. A instituição implementou
uma política educacional dando início
ao que hoje é um hotel-escola de padrão
internacional. Hoje, a nobreza das linhas
e dos ambientes do Grande Hotel São
Pedro está plenamente recuperada. Em
1996, foi considerado pelo "Guia 4 Rodas Brasil", o Hotel Lazer do Ano.
Este é o CENÁRIO, absolutamente
favorável para a CENA DO ENCONTRO o II Congresso Ibero-americano de Psicodrama. Jardins, amplo espaço para as atividades científicas e
culturais, comida boa, clima agradável,
cortesia, conforto Se vale a pena?
Pesquise um pouco mais sobre o Hotel
e as atividades do SENAC, consultando a Internet, e fique com "água na
boca": http://www.sp.senac.br/grandehotel/bemvindo.htm
índice

Na bela Salamanca, o primeiro intercâmbio!
O I Congresso Ibero-americano de Psicodrama realizou-se em 1997, no edifício
histórico do Instituto de Estudios de
Iberoamérica y Portugal, na Universidade de
Salamanca.
Pela mãos de Elisa López-Barberá que,
com eficácia, coordenou o evento, sete instituições participaram como coorganizadoras:
Asociación Espaiiola de PsicodramaIA.E.P),
Federación Espaiiola de Asociaciones de
Psicoterapeutas (F .E.A.P .), Sociedade portuguesa de Psicodrama, Federação Brasileira
de Psicodrama (FEBRAP), Companhia de Teatro Espontâneo, Sociedad Española de
Psicoterapia y Técnicas de Grupo (ISEPTG),
Sociedad Argentina de Psicodrama.
Em entrevista realizada através da
Internet em Fevereiro último, Elisa, perteno
cente ao ITGP -Instituto de Técnicas de Grupo e Psicodrama .que desenvolve o Psicodrama Sistêmico, conta-nos sobre sua participação como Coordenadora do Congresso:
"minha participação no I Congresso Ibero-americano de Psicodrama foi especial no
sentido de que à partir de minha função de
coordenadora do congresso, tive a oportunio
dade de trocar informação e compartilhar experiências apenas com os colegas assistentes. Senti-me totalmente acolhida e apoiada
em meu trabalho, tanto durante a organição como no decorrer do evento".
Solicitada a dar sua opinião sobre as convergências encontradas entre os participantes dos diversos países, comentou: À partir
da posição de observadora da Cena do Congresso -mais que de participante -creio ter
encontrado vários aspectos convergentes:
.uma posição aberta e integradora de incorporação, inclusão de outros modelos,
.uma fundamentação teórica e da teoria da
técnica baseada no Psicodrama, Sociodrama
e Sociometria. Na Espanha, às vezes por falta de segurança no modelo, recorre-se ao uso
do psicodrama mas empregando referências
conceituais de outros modelos, sobretudo
Psicanálise,
.chamou-me atenção -favoravelmente. o interesse que desperta e o profissionalismo
com que se trabalha em Teatro Espontâneo. Na Espanha, creio, isto não acontece assim".
Elisa percebeu contrastes na teoria-prática psicodramática entre os profissionais
dos diversos países quando participou de
uma mesa redonda: percebi uma confluência no
modo de enfocar as experiências protissionais e uma diferença- não significativa
-no manejo da linguagem: mais psicodramático nos brasileiros, mais psicodinâmico
nos argentinos e mais psicodramático/sistêmico nos espanhóis. Das leituras, dos encontros em outros espaços no Congresso,
Elisa arrisca perfis. "Portugal: Psicodrama de
Rojas-Bermúdez e um pouco de Psicodrama
Sistêmico; Espanha: tentativa de ter uma posição integradora na hora de englobar conceitos psicodinâmicos, psicanalíticos,
psicodramáticos e construtivistas, há uma
corrente de Psicodrama e Sistêmica que começa a desenvolver-se desde o ITGP e um
grupo formado com Rojas-Bermúdez; Argentina: vê.se a marca de Dalmiro Bustos e uma
impregnação psicanalítica mas tudo através
de uma formulação própria que me agrada
muito; Brasil: creio é o país que neste momento apresenta uma melhor MATRIZ
PSICODRAMÁTICA, com rigor teórico e técnico, junto a sua própria criatividade para recriar o psicodrama".
Pablo Población Knappe, também nos
brindou com sua opinião: "pessoalmente encontrei linhas de pensamento muito próximas
entre as de nosso grupo (ITGP) e as de companheiros brasileiros como Perazzo, Fonseca
e Rosa Cukier, entre outros. Também me chamou atenção o interesse dos profissionais do
Brasil pelo Teatro Espontâneo, que na
Espanha está menos desenvolvido". Sobre os
contrastes culturais em psicodrama diz: "talvez os argentinos mostrem uma influência
mais frequente do modelo psicanalítico, os
brasileiros parecem mais ortodoxos (sem esquecer suas apresentações muito inovadoras), os portugueses seguem em grande parte a Rojas-Bermúdez e alguns espanhóis se
encontram com a teoria sistêmica e o construtivismo. Trata-se de uma visão muito subjetiva e carregada de exceções. Pablo relata
um pouco de suas emoções: "A impressão
mais importante do Congresso foi a de um enriquecimento geral; tanto profissional como,
sobretudo, humano. Foi uma experiência importante a nível holístico. O que assisti de
modo geral; foi a cortesia, o interesse são e
sincero e o espírito lúdico que pairava no ambiente. De modo pessoal as fotografias que
fiz para alguns companheiros com a capa espanhola e o carinho e reconhecimento final a
Elisa, minha esposa, emocionou e gratificoume profundamente".
Pablo Población Knappe e Elisa lópez Barberá, autores do livro "LA ESCULTURA Y
OTRAS TÉCNICAS PSICODRAMÁTICAS
APLICADAS E PSICOTERAPIA, são psicodramatistas conceituados na Espanha. É de autoria de Pablo o livro lançado no I Congresso
Ibero-americano de Psicodrama, "TEORIA y PRÁCTICA DEl JUEGO EN PSICOTERAPIA",
que está sendo editado em português pela
Editora Ágora, com previsão de lançamento
, no decorrer do II Congresso Ibero-american
de Psicodrama. Pablo e Elisa são pessoas
agradáveis e competentes. Se você ainda não
os conhece, poderá encontrá-los pessoalmente em 99. Basta comparecer ao II Congresso
! Ibero-americano de Psicodrama. Se você estiver curioso e quiser conversar com eles antes disso, pode contatá-los através da Internet no seguinte endereço: E-mail:
itgp@mx2.redestb.es
Você também pode visitar a página Web do
ITGP, onde poderá ter uma idéia das atividades
desenvolvidas por estes psicodramatistas espanhóis. http://www.redestb.es/persona/!itgp
Elisa e Pablo recomendam presença no II Congresso Ibero-americano de Psicodrama apontando para a oportunidade de encontro e intercâmbio. Nas palavras de Elisa: "VEN y VIVE lo que es psicodrama desde sus diversos enfoques teóricos y técnicos. Todo ello desde una ESCENA DE ENCUENTRO.
Elisa termina sua entrevista enviando aos brasileiros uma mensagem de poderoso incentivo: "Vais a hacer un congreso estupendo... por-que sabéis hacerlo con espíritu psicodramático!"
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