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Jornal Informativo da FEBRAP - Federação Brasileira de Psicodrama
Ano 14 - nº2 - Abril/Maio/Junho - 1997
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Outras Edições
Editorial
O jornal em cena, como nova produção,como um novo filho,exige muita
atenção,cuidados e muita aprendizagem:esta é a etapa que estamos vivendo
e que gostaríamos de compartilhar com vocês.
Nosso primeiro numero teve um atrsso na impressão e distribuição, além
de alqumas falhas.Mas estamos empenhados em superar essas dificuldades
e para tanto,estamos assumindo diretamente o controle de todas as etapas
de produção no jornal.
Neste número entra em entra uma nova coluna,que sempre estará presente:
"Bastidores do Congresso",evento maior do nosso movimento.Nesta coluna
vocês saberão informes sobre meios de trasportes e hospedagem no local
onde ocorrerá o evento,deixando voçês mais bem bem informados.
Em Cena traz também a opnião acerca dos psicotrópicos em psicoterapia
na entrevista com o psiquiatra e psicodramatista Paulo Mauricio de Oliveira;
e dá dicas como produzir cientificamente;além das noticias de nossas
colunas boas e novas e tome nota.
Dando continuidade aos objetivos da DICOM de informar, divulgar e comunicar,
estamos apresentando em julho a nossa home-page na internete. AFEBRAP,
por congregar um número tão expressivo de psicodramatistas, necessitava
de forma ágil,dinâmica e atual de interagir rapidamente com seus associados,
tanto no âmbito nacional quanto internacional.
Nosso endereço na internet é:
http://www.graftex.com.br/febrap
Lá vocês poderão obter informações muito úteis e interessantes. Parte
de nossa home-page será dedicada a uma Newsletter escrita em inglês,
com o objetivo de ser um informe e um meio de contato internacional,
expandindo nossas fronteiras. Além disso,estaremos disponibilizando
uma listagem de livros de psicodrama escritos por autores brasileiros.
Por fim, forneceremos dados importantes da Revista Brasileira de psicodrama, jornal e eventos científicos que se realizarão.
Muito tem a ser feito para propagarmos o psicodrama. Estamos no início
de uma longa caminhada.Sabemos que há muito para aprender e desenvolver
em nossos veículos de comunicação de todos,nos remetendo críticas e
sugestões para aprimorarmos o atendimento das expectativas de nossos
leitores.
Nessa fase de acertos e erros, contamos com a compreensão e colaboração
de todos os psicodramatista.
Índice
Ação e Reflexão
Para o filósofo Hegel, a importância dos sujeitos serem capazes de agir ou refletir sobre sua ação é que constitui o homem da sociedade.
Ser psicodramatista e uma atitude, uma ação que desemboca numa
filosofia de agir sobre a realidade, implicando na colocação do ser no
mundo.
É tão importante ter o conhecimento técnico da sua atividade, quanto a
compreensão de poder contribuir, enriquecendo-a, sabendo partilhar,
estruturar ações participativas e ver possibilidades ao invés de condições.
Estes têm sido os princípios que guiam a construção de nossos projetos
e ações, enquanto diretoria executiva.
É notório considerar, entretanto, que o estabelecimento de nosso
trabalho desenvolvido é sustentado pela participação ativa se todas as
federadas nas seções regionais, na CEE (Câmara de Ensino e Etica) e nas
assembléias, que neste momento estão em pleno processo de aquecimento.
Os representante regionais já foram nomeados e os Encontros Regionais marcados.
Estamos elaborando os Encontros de Professores, Supervisores e
Coordenadores de Ensino na perspectiva de estimular o desenvolvimento ético, o instrumental técnico e a produção de conhecimento, contribuindo
com a qualidade da formação profissional.
Outras realizações de grande porte estão sendo organizadas: o 11°
Congresso Brasileiro de Psicodrama, precedido pelo pré-congresso, no
qual estamos negociando a vinda de Zerca Moreno.
Estamos em fase de nomeação das Comissões que, junto à FEBRAP,
estarão trabalhando para o 2° Congresso Ibero-Americano de Psicodrama,
cujo coordenador geral será Sérgio Perazzo.
Outra atividade também internacional que realizaremos e a reunião do
board da IAGP no Brasil, que terá como coordenador geral Oswaldo
Politano Júnior.
De grande importância ainda é o IV Encontro Latino-Americano, que
acontecerá com o 11° Congresso para o qual- já estamos trabalhando em
parceria com o comitê organizador estabelecido em Santa Cruz, Bolívia.
INós, latino-americanos do mercosul, precisamos juntar-nos, integrando as
culturas, experiências e teorias em favor das grandes transformações sociais.
A FEBRAP encontra-se em grandes avanços políticos e com grande
reconhecimento na esfera internacional. Novos brasileiros foram
reconhecidos para representar o Brasil no board da IAGP.
Precisamos nos tomar cada vez mais uma organização cosmopolita,
operando através das fronteiras, sendo autônomos, mas desenvolvendo
fortes vínculos e parcerias com outras organizações.
É necessário formar redes que estendam-se além de nossas casas. Em urna
organização proativa, muitas oportunidades surgem para expandir e testar os
valores que as pessoas agregam à organizão e à própria experiência.
Marlene Magnabosco Marra
Presidente da FEBRAP
Índice
Os Bastidores do congresso
Olá,colegas psicodramatistas!
Já temos algumas novidades sobre o 11ºCBP-Congresso Brasileiro de psicodrama! A primeira é que realizaremos simultaniamente o 4º Encontro
Latino-americano de Psicodrama.Isto que dizer que estaremos recebendo
nossos colegas latinos com sua contribuição.A segunda é o tema "Atualizando a Cena". O pensamento da comissão Organizadora é atualizar a produção
científica dos psicodramatista: alunos, professores, supervisores, escritores, artistas, possibilidades, dúvidas e alegria de viver a sua história no movimento psicodramatico. O ,local também já foi escolhido: Campos do Jordão. Cidade linda que vamos "curtir" entre 4 e 7, de novembro de 1998. Agende-se!
Mas as novidades não param por aí. Teremos um Pré-Congresso no mesmo dia 4, durante a manhã e a tarde, com Zerca Moreno. Em breve comunicaremos o número de vagas, como se increver, e todas aas outras informações.
Lançaremos também o "1º Prêmio FEBRAP de Meljor Escrito Psicodramático", que distinguirá os três melhores trablahos inscritos para esta atividade no Congresso. Aguardem o regulamento na próxima edição do Em Cena.
Para finalizar, queremos dizer que um dos objetivos do 11º CBP é incentivar nossos colegas à conclusão oficial do Curso de Formação. E você pode contribuir muito! Aproveite a oportunidade de desenvolver um trablho para o Congresso e resolva suas pendências com a formação. e se não for este o seu caso, estimule o seu amigo com esta idéia.
Um abraço de toda a Comissão Organizadora e até Breve!
Índice
Professores já têm encontro marcado
Aorganização do V Encontro de Professores-Supervisores e IV
Encontro de Coordenadores de Ensino já está a todo vapol: Com
data marcada para 20, 21 e 22 de novembro de 1997, estes dois
encontros nacionais da FEBRAP serão realizados na Sedes Sapientiae/SP. A
Diretora de Ensino e Ciência da FEBRAp; Ana Maria Fonseca Zampieri,
traz mais informações.
"Desde fevereiro deste ano, estamos em aquecimento para estes tão
importantes encontros da nossa FEBRAP. Nossos primeiros contatos foram
realizados através de uma pesquisa que buscou recolher os nomes dos nossos
psicodramatistas formadores, as atividades mais indicadas e sua metodologia.
Recebemos até final de abril respostas de 15 entidades e, com base nelas, estamos finalizando nossa programação.
Estes Encontros Nacionais visam, mais uma vez, proporcionar trocas e
reciclagens entre os formadores de Psicodrama da FEBRAP. Deste modo,
contará com espaços para salas de aula onde repensaremos nossas metodologias e abrirá espaços para Assessorias Metodológicas para que possamos
supervisiomarmo-nos nestes papéis de professores, supervisores e
coordenadores de ensino. Além disto, estamos programando discussões e
mesas redondas que possam reativar idéias, projetos e avaliações de nossa formação psicodramática brasileira.
O tema, A Excelência no Ensino do Psicodrama, será o eixo agregador ,
de todas as nossas potencialidades reflexivas e criativas acerca de nossas
funções, necessidades e desejos na continuidade do ensino do Psicodrama
nessa virada de século.
Vocês acompanharam nossos movimentos em busca de locais mais
acessíveis financeiramente. Nossa primeira idéia era fazer estes Encontros
em ltú. Todavia, os serviços de hotelaria encareceriam muito a inscrição no
evento. Por esta razão resolvemos, após longas pesquisas, desenvolver esta
Iatividade no Instituto Sedes Sapientiae que agrega em sua estrutura o
Departamento de Psicodrama, que nos receberá dentro de suas melhores
possibilidades. Estamos contactando hotéis próximos do Sedes para facilitar
os transportes que se farão necessários. Queremos favorecer ao máximo a
participação de nossos professores.
Aguardamos todos vocês.
Continuamos recebendo propostas e sugestões
para nossa construção."
Índice
O Teatro de Ressignificação
Apartir das idéias de teatro de improviso,
teatro de reprise, teatro espontâneo e outras
modalidades de arte dramática espontânea,
os psicodramatores da Troupe de Artes Dramá-
ticas Espontâneas da Conttexto (Associação de
Psicodrama do Paraná) vêm desenvolvendo uma experiência inédita que têm chamado de "teatro
de ressignificação". Nossa intenção é compartilhar, através desse artigo, essa experiência com
os demais psicodramatistas.
Nossa Troupe iniciou efetivamente suas
atividades em março de 1996, reunindo um grupo
de pessoas -psicodramatistas, estudantes de
psicologia e outros interessados em vivenciar essa experiência. Em reuniões quinzenais, estabelecemos que primeiramente desenvolveríamos exercícios, jogos e outras atividades que proporcionassem a integração dos membros do grupo e o
desenvolvimento da competência para utilização
do potencial espontâneo de cada um, dirigido para
a concretização de dramatizações espontâneas.
Simultaneamente e de maneira construtivista,
foram surgindo algumas normas estruturantes
desse trabalho. Por exemplo, ao iniciar-se cada
encontro, alguém pergunta: "que vamos fazer
hoje?" e normalmente surgem várias propostas,
sendo que o dono da proposta eleita dirige a ação.
Por vezes realizamos várias ações (jogos,
exercícios, dramatizações ), sempre dirigidas
pelos seus proponentes. Essa deliberação está
vinculada ao entendimento de que o proponente
está mais aquecido para dirigir, tem uma estrutura
preestabelecida para nortear a direção e, o que
nos parece mais imp.ortante, podem-se vivenciar
muitas fonnas de direção e modos pessoais de
dirigir, evitando-se a estereotipia.
A Troupe, composta de 9 ~mbros, realizou
atividades internas durante o primeiro semestre inteiro, fazendo uma apresentação experimental, juntamente com os professores do curso, para os
alunos do Curso Livre de Especialização em Psicodrama da Conttexto e, no segm1do semestre, aceitou
o convite para se apresentar em público na Semana
do Psicólogo, quando se deu a sua estréia oficial.
As apresentações
Já no teatro de ressignificação, o procedimento para a dramatização é totalmente diferente. A troupe é dividida: um subgrupo fica
incumbido de encenações cômicas e outro
encarrega-se de dramatizações trágicas.
Após o surgimento do protagonista, percebe-se a característica preponderante de sua narrativa: cômica ou trágica. De acordo com essa definição,
o grupo correspondente inicia a dramatização e, enquanto esta perdura, o outro grupo intenta ler a
mesma história sob outro enfoque, dando-lhe um
novo significado através do tratamento contrário.
Assim, se o protagonista apresenta uma história
trágica, o subgrupo correspondente a dramatiza segundo a pauta deste, enquanto o outro sub-grupo faz uma releitura, ressignificando a mesma, apresentando como uma comédia.
Esse procedimento oportuniza que não só o
protagonista em especial, mas todos os presentes,
vivam os dois lados da vida, que sempre se apresentam diante de uma mesmo fato: o trágico e o
cômico que, como afinna Reftones, são as duas
faces da mesma dor.
A Troupe de Artes Dramáticas Espontâneas viveu poucas experiências dessa natureza. Aquelas
que vivenciou, entretanto, lhe possibilitaram
antever que se trata de uma nova versão dramática com resultados encorajadores, uma vez que os que
delas participaram (tanto os psicodramatores quanto a platéia) obtiveram proveitos pessoais que
foram expressos em depoimentos gratificantes.
Aí está uma nova idéia que, se já foi experimentada por alguém, em algum lugar, em alguma
época, nos é completamente desconhecido o que
nos deu, parafraseando Freud, o sabor da descoberta, esperando que outros experimentem e nos
remetam suas conclusões.
Aldo Silva Júnior
(Psicodrama da Contexto)
Índice
Os Psicotrópicos na psicoterapia
Neste número, o Em Cena entrevista o Dr. Paulo Maurício de Oliveria, psicodramatista e psiquiatra, sobre a questão do uso dos psicotrópicos na Psicoterapia.
1 - Há quanto tempo você atua como psiquiatra psicodramatista? Fale um pouco de sua experiência profissional com a clientela de psicoterapia e o uso de psicotrópicos.
Minha experiência em psiquiatria começou em 1978, ainda estudante de medicina, quando
comecei a me interessar por psiquiatria. Alguns meses após, tomei conhecimento do psicodrama através do primeiro número de uma publicação chamada "Psicodrama", editada por um fabricante de remédios. Neste mesmo ano comecei a minha formação psicodramatista na SOGEP, na primeira turma. Minha experiência com o trabalho clínico em psicodrama só começou após eu estar com a minha formação terminada, em 1982. Nessa época, por orientação dos supervisores, o psicodramatista deveria evitar ao máximo prescrever medicamentos psicotrópicos a seus clientes. A orientação recebida é de que esse cliente deveria ser encaminhado a outro colega para receber a prescrição. Todavia isso trazia dificuldades tanto para o psicodramatista quanto para o cliente. Com o passar do tempo, eu mesmo passei a medicar e cuidar da psicoterapia em alguns casos. Atualmente, alguns casos ainda são encaminhados ao colega psiquiatra. O critério utilizado depende da singularidade de cada caso. A indicação principal para o uso de psicotrópicos é a presença de um transtorno psiquiátrico específico bem diagnosticado. !
2 - O que são as drogas psicotrópicas?
Drogas psicotrópicas são substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que exe{cem uma ação
seletiva sobre as células nervosas que regulam os processos psíquicos no homem e a conduta dos animais. Estas drogas tem um tropismo psíquico e produzem impactos sobre as estruturas nervosas, daí se constituírem, em verdade, compostos "neurotrópicos", promovendo modificações nas reações físicas do sistema nervoso.
3 - Qual a forma de trabalhar com o psicodrama?
Creio que o psicodrama influencia toda a minha atividade profissional, desde o atendimento de
pacientes psiquiátricos em situação de urgência emergência aos pacientes portadores de epilepsia, onde trabalho numa equipe multiprofissional, passando pelos pacientes da clínica particular, onde me dedico ao atendimento do tipo bipessoal, e pelo trabalho realizado como terapeuta de alunos e professor supervisor. As influências teóricas as quais mais me apeguei são: teoria de papéis, teoria da matriz de identidade, núcleo do eu e sociometria.
4 - Quando é indicado na psicoterapia psicodramática a utilização de psicotrópicos?
A indicação para a terapia combinada - isto é psicodrama e psicotrópicos - consiste no tratamento de um transtorno específico. Os psicotrópicos reduzem a hostilidade e a agressão que possam ser dirigidas para o terapeuta e, portanto, melhora a capacidade do paciente de se comunicar no processo psicoterapêutico. Outra indicação para a terapia combinada consiste no objetivo de avaliar a angústia quando os sinais e sintomas da doença são tão proeminentes que exigem uma melhora mais rápida que a terapia isoladamente possa oferecer. Por outro lado, o psicodrama pode capacitar o paciente a aceitar um agente farmacológico muito necessário, e a droga psicoativa pode sobrepujar a resistência para iniciar e continuar a psicoterapia.
5 - Quando a medicação interfere negativamente na psicoterapia psicodramática? Como lidar com isso?
Muitos agentes psicofannacológicos apresentam reações colaterais indesejáveis, e podem prejudicar a vida do paciente como um todo. O exemplo mais comum e dramático ocorre com um conjunto de drogas conhecidas como neurolépticas, ou tranquilizantes maiores. Este grupo de medicamentos tem como representante principal uma substância chamada clorpromaZina (Amplietil) e que faz parte da história da psicofannacologia, uma vez que foi o primeiro psicofármaco eficaz descoberto, tendo sido usado primeiramente na França em 1950/52.
Neste caso, um dos efeitos colaterais é uma síndrome chamada "Síndrome extrapiramidal" ou "Parkinsonismo Farmacológico", em que o paciente fica com o corpo endurecido, sob tranqiiilização, às vezes meio indiferente ao meio ambiente, o que pode atrapalhar na psicoterapia psicodramática.
A maneira de lidar com isto está ligada ao conceito de terapia triangular, também conhecida como co-terapia. Consiste na forma de tratamento no qual o terapeuta conduz a psicoterapia enquanto outro terapeuta (sempre um psiquiatra) prescreve a medicação. Este método requer que os dois terapeutas realizem uma troca regular de informaçÕes. Algumas dificuldades podem surgir. Um terapeuta pode ser visto como muito generoso e o outro como muito frio. Estes assuntos necessitam ser trabalhados, e os co-terapeutas devem ser compatíveis e respeitarem mutuamente as suas orientações para que o programa triangular tenha êxito.
6 - Quais os estímulos que podem suscitar ou inibir a utilização de agentes psicoquímicos?
A utilização de agentes psicoquímicos pode ser
suscitada por infonnações incorretas ou incompletas com relação aos psicofármacos. Um exemplo
comum é o abuso de enzodiazepínicos (Valium,
Lorax, Lexitan, Frontal). Isto ocorre em situações
em que o diagnóstico é feito de forma incorreta,
como por exemplo na distirnia, um transtorno de
humor de difícil diagnóstico. Neste caso, os
benzodiazepínicos são prescritos e, na maioria das
vezes, mascaram ou acentuam os sintomas
depressivos. Curiosamente os especialistas relatam
que este fármacos são subutilzados em casos de
ansiedade, por receio de provocarem dependência.
Com relação às drogas lícitas, uma campanha
publicitária que mostra a associação do uso da
substância apenas com o lado prazeroso da vida ou
com esteriótipos sociais desejáveis pode também
estimular o uso desses agentes psicoquímicos
(álcool, tabaco ). A inibição da utilização de agentes psicoquímicos pode ser conseguida por orientação
religiosa, por exemplo.
7 - Quais as alterações no estado de humor em que
é indicado o uso de psicotrópicos?
No caso do humor deprimido está indicado o uso de medicação antidepressíva. A primeira
medicação utilizada com sucesso é uma substância
chamada imipramina (Tofranil). A seguir, um outro
grupo chamado inibidor da monoaminoxidase,
tramilcipromina {Parnate) e, mais recentemente, um
grupo chamado inibidores selativos de recaptação
da serotonina ou inibidores seletivos de recaptação
da serotomina/noradrenalina (Prozac, Aropax,
Zoloft, Remeron, Serzonia, Efexor) vêm sendo
usados largamente para tratar o humor deprimido.
No caso do humor exaltado, a medicação de escolha na fase aguda de exaltação do humor são os medicamentos chamados neurolépticos ou tranquilizantes maiores. O primeiro neuroléptico descoberto foi a clorpromazina (Amplictil), como dito anteriormente. Outra substância usada para tratar o
humor exaltado é o carbonadoto de lítio. O CBL
faz parte também de um outro grupo de substância I chamadas estabilizadores do humor.
É importante assinalar que outras drogas - como
as antiepilépicas -apresentam efeitos psicotrópicos
consideráveis. Um exemplo é a carbamazepina
(Tegretol) que apresenta uma boa função como
estabilizador de humor.
8 - Em que o psicodrama contribui para a atuação
do psiquiatra?
Creio que os psiquiatras, por receberem uma
formação médica prévia, estão muito interessados em tratar de doenças e, às vezes, não dão tanta
importância ao fato de que as doenças cometem
pessoas. O psicodrama contribui muito para melhorar a relação médico-paciente, e creio que esta melhora ocorra principalmente na forma como o
psiquiatra passa a se comunicar com o seu paciente.
Além do mais, a psiquiatria não é apenas quimiatria.
9 - O que é imprescindível que o psicólogo e o
psiquiatra conheçam acerca dos fatores etiológicos das doenças psíquicas?
A maioria das doenças psíquicas tem fatores etiológicos conhecidos apenas parcialmente. Todavia, as evidências indicam que a maioria das doenças psíquicas são poligênicas e multifatoriais. Isto quer dizer que existem fatores biológicos, psíquicos e sociais envolvidos nesta etiologia. No meu entendimento, tanto o psicólogo quanto o psiquiatra devem conhecer psicopatologia. Somente a partir do conhecimento de um diagnóstico baseado nas manifestações psicopatológicas do paciente, é possível traçar um plano de abordagem para este paciente. Este plano poderá envolver exclusivamente um tratamento psicodramático ou um tratamento psiquiátrico, ou uma associação dos dois métodos.
Num grande número de procedimentos atuais, a
associação deste dois métodos psicoterapia e
psicofarmacoterapia - tem demonstrado maior efiçácia do que os dois métodos isolados.
Índice
Quem tem medo de escrever
Aparentemente iniciar um curso, qualquer
que seja ele, é convidativo e agradável
para os amantes do conhecimento. Ficar no
lugar de aluno é sempre mais fácil. Sabemos que
sentar e receber informações "daqueles que
sabem" é gostoso e isenta de maiores responsabilidades. Qualquer erro ou falha nossa é facilmente compreendida. Afinal, somos apenas
alunos!!! Entretanto, o final de um curso sério
traz sempre consigo dificuldades não pensadas
(ou pelo menos adiadas ao máximo): a responsabilidade de passar para o papel aquilo que se
pensa. É neste momento, então, que começa o"drama" (e não o psicodrama): O que dizer? Co-
mo escrever? Onde procurar as informações? A
quem pedir orientação? Que tema escolher? e
muitas outras perguntas que ficam sem resposta.
Infelizmente, ao invés de tentar respondê-las e
procurar meios de solucionar o problema, escolhe-se simplesmente avia mais fácil, que é...
NÃO ESCREVER! ! !
Quantos de nós não conhecem bons alunos
que, por não conseguirem responder às perguntas
acima formuladas, não desistem pura e simplesmente da tarefa que lhes daria um título a mais
além da graduação, apenas por recuar frente ao
drama inicial que é fazer uma monografia ou
escrever um trabalho mais rigoroso e científico?
E quantos excelentes psicodramatistas, ao terem conseguido "aos trancos e barrancos" terminar
uma etapa, prometem a si mesmos nunca mais escrever nem uma linha sequer? Perdem com isso
valiosas oportunidades de compartilhar com seus
pares experiências e conhecimentos que muito
enriqueceriam a todos.
Na verdade, as jornadas internas, os congressos de um modo geral e o nosso 11° Congresso,
em especial, são excelentes pontos de encontro
não só para as pessoas se cruzarem pelos corredores e salas de aula, mas também para a produção e troca científica com os outros profissionais de nossa área.
Escrever não é tão dificil assim. É óbvio que requer algum estudo. Não se pode fazer uma produção científica apenas na base do "achismo". Mas, na realidade, para escrever uma monografia não é preciso ser um escritor talentoso, nem ter grandes habilidades específicas. É claro que para ser um autor consagrado, com ; uma produção farta e constante, é preciso ter um certo dom. Mas para fazer um trabalho de conclusão de curso é necessário apenas seguir algumas normas e técnicas que estamos dispostos a lhe ensinar.
Entretanto, o fundamental para que se inicie um
trabalho de criação é que exista um desejo. Desejo
de consegui! mais um título; desejo de concluir um
curso; desejo de se expor para crescimento mútuo.
Enfim, desejo de ser um psicodramatista completo.
Não só clínico, mas também teórico.
Se você percebeu que o que acabamos de dizer
se refere a você, não tema. ..procure o Departamento de Comunicação e Divulgação da
FEBRAP para ..que possamos ajudá-lo a dar um
encaminhamento a questões que o preocupam.
Quem sabe você já pensou: "Nossa, eu gostaria
tanto de fazer um trabalho e colocar no papel
minhas dúvidas, certezas, descobertas e conhecimentos, só que não sei por onde começar"? Caso
.isto já tenha ocorrido, procure-nos! ! !
"O discípulo pergunta ao sábio como chegar
ao fim da jornada. 0 sábio responde apenas:
Comece a caminhar".
É isto que queremos deixar claro aqui. A
Assessoria Técnica/Científica da DICOM estará
com vocês durante nossa gestão para ajudá-los
nesta caminhada e incentivá-los a perder o medo
de escrever. Assim, estaremos a sua disposição
para esclarecimentos pessoais através do telefax
(021) 527-1933.
Laurice Levy
Assessoria Técnica/Científica da DICOM.
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