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   Jornal Informativo da FEBRAP - Federação Brasileira de Psicodrama
   Ano 14 - nº1 - Janeiro/Fevereiro/Março 1997


Outras Edições



Editorial

A chapa modernidade começa a sua gestão para o biênio 97/98,e nós,da diretoria de divulgação e comunicação (DICOM),gostaríamos de agradecer publicamente o brilhante desempenho de nossos antecessores,capitaneados por Silvia Petrilli.Graças ao sério trabalho realizado sob sua coordenação,poderemos dar continuidade aos mesmos propósitos e objetivos deste jornal;que vem se tornando ao longo desses últimos anos um importate veículo de comunicação dentro do movimento psicodrampaticobrasileiro.

O jornal mudade nome e de formato,mas mantém vivo o seu propósito básico:cada vez mais atender aos interesses dos associados da FEBRAP. Assim,entra"Em Cena"o novo jornal da FEBRAP.Sequido a plantaforma da chapa modernidade,alteramos o layout da publicação, buscando uma leitura mais fácil e agradável,por meio de uma reformulação gráfica e editorial.

A partir dessa edição,a produção do jornal está diretamente ligada á coordenação dos noticiários,dirigida por Maria do Carmo Mendes Rosa, dentro da DICOM,e assessora pela comunicação integrada.

Porém,essa produção só poderá ser realizada com a colaboração constante e participativa dos psicodramatitas,das federas,dos reprsentantes regionais, das demais diretorias da FEBRAP e das coordenações de relações internas, interinstitucionais e internacionais da DICOM.

Estamos felizes por darmos o pontapé inicial dessa nova etapa, esperando poder cumprir a contento o nosso papel,satisfazendo e atendendo ás necessicdades dos psicodramatistas.

Desta forma,frente ao nosso lema"Modernização com participação", estamos oferecendo mais um canal de comunicação direta com a diretoria da FEBRAP. Desde fevereiro já é possível entrar em contato conosco através do E-mail - febrap@mandic.com.br.esperamos, portanto, contar com todos no envio de sugestão e apreciações que venham a engradecer nossa produção.

Outra mundança importante foi a troca de nossa sede,continuamos no mesmo prédio,porém agora no 6º andar,conjunto 63. A diretoria de administração e finanças concretizou esse feito objetivando uma reestruturação que venha melhor atender os associados.

Destacamos nesta edição a participação dos psicodramatistas brasileiros em eventos internacionais,como mostram as notícias de Nova York e Salamanca.Estsmos transpondo os limites do território nacional e aumentando sensivelmente a nossa participação científica em eventos internacionais.

Parabéns a todos. Nosso empenho e dedicação começaram a ser reconhecidos e requisitados.

Maria Cecília Veluk dias Baptista
Diretora de Divulgação e Comunicação

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Arnaldo Liberman Deixa Saudades

Qual a melhor maneira de escrever sobre um amigo tao quendo e que gostaríamos que todos lembrassem? Talvez deva começar contando que em uma tarde de domingo, na cidade de Fez, no Marrocos, numa viagem de recreio, anterior ao Congresso Ibero Americano em Salaman-
ca, Arnaldo morreu repentinamente.

Como é difícil falar de alguém de que se gostava muito! Não existem palavras que expressem com exatidão o amigo leal, o profissional competente e o ser humano íntegro que ele foi.

Arnaldo formou-se em Psicologia e fez sua formação em Psicodrama no Sedes Sapientae. Trabalhava como terapeuta e guardava uma enorme paixão pelo teatro. Foi por esta paixão que, numa determinada época, fez alguns cursos de teatro e apresentou, com um grupo de teatro amador, para platéias psi, a peça "A Mente-capta", de Mauro Rasi. Participavam deste grupo um grande número de psicodramatistas, e alguns deles vieram a criar o grupo de Teatro Reprise, que tanto encantou e encanta a todos que o assistem. Era nestas apresentações que o psicodramatista tímido se revelava uma pessoa carinhosa e divertida e apreendia~w s .as histórias contadas.

Foi Arnaldo que criou a Retramatização. Ele tinha por esse trabalho um orgulho enorme e ficava muito chateado com o número de vezes em que escreviam o nome deste "filho" de forma incorreta. A delicadeza com que tratava seus clientes está presente nele, pois se preocupava em
poder expressar as emoções em sua maior intensidade sem despir desnecessariamente o protagonista em trabalhos públicos. Tive a honra de estar com ele em todas as vezes
que apresentou a Retramatização, sendo testemunha da beleza e riqueza que esta forma de trabalhar permite.

Arnaldo também era professor e dava aulas na Escola Paulista de Psicodrama e em Campo Grande, onde está se constituindo um novo núcleo de psicodramatistas. Ele gostava desta atividade e a realizava com carinho. Muitas vezes buscávamos juntos a melhor maneira de realizá-la, numa celebração de amizade, carinho e crenças compartilhadas.

Arnaldo deixou uma família com duas crianças: Marcelo, com nove anos, Marina, com três, e Sílvia, sua esposa.

Os amigos que o conheceram perderam uma pessoa absolutamente leal. O psicodrama perdeu um picodramatista criativo e envolvido.

Por sua paixão pelo teatro, ele brincava de se autodenominar " Arnaldo, a lenda viva". Que vocês possam, através da utilização da Retramatização, fazê-Io não uma lenda, mas torná-lo história para os que estão por vir.

Márcia Amadeu Bragante

 

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Modernidade entra em cena


Em 14 de dezembro de 1996, em Assembléia Geral Ordinária, a chapa Modernidade efetivou-se como diretoria da FEBRAP para o biênio 97/98. Tivemos vinte e um votos "sim" e uma abstenção, o que nos tornou bastante representativos naquele grupo de federadas presentes. Lamentamos, porém, a ausência das outras dezoito entidades, que certamente enriqueceriam a troca de experiências e apontariam novas posições ideológicas, saudáveis ao debate. A presença de todos, acima de tudo, afirmaria ainda mais a representatividade da Federação no fluxo do Movimento Psicodramático Brasileiro. Mesmo assim, este foi um momento importante para a FEBRAP.

A nova diretoria está constituída, representativamente, por integrantes de diversas regiões e
por uma presidência no centro do país (Regional Centro-Oeste -CePB), na tentativa de consoli-
darmos a estrutura da FEBRAP, com sua sede fixa, e mantermos alguns princípios importantes
conquistados pelos psicodramatistas como: a plurabilidade do movimento psicodramático
brasileiro; a aceitação das diferenças e a convivência mais aberta, limpa e estreita entre nós.
E, ainda, por acreditarmos que, dessa forma, cada região, com suas peculiaridades, tem uma
representatividade maior na diretoria da Federação.

Queremos, portanto, cada vez mais cuidar dessa relação de proximidade entre federadas e di-
retoria executiva. "A FEBRAP somos todos nós".

Com o passar do tempo e a compreensão da necessidade de ampliar seu leque de atuação, a
FEBRAP vem passando por uma gradual e contínua reestruturação adrninistrativo-gerencial no
sentido de potencializá-la, tornando-a mais responsiva no âmbito institucional.

Neste sentido, cada diretoria montou sua proposta.

A Diretoria de Ensino e Ciência (Regional-SP- Revolução Creadora), sob a coordenação de Ana Maria Fonseca Zampieri, tem como meta principal a formação e a reciclagem de nossos formadores e o intercâmbio entre professores e supervisores, atendendo cada região de
acordo com suas necessidades.

O Encontro de professores, supervisores e coordenadores de ensino será coordenado por
esta diretoria, com uma tônica diferente no encarninhamento da reciclagem e no desenvolvimento de uma linguagem da Socionornia para aplicação junto a outros espaços profissionais nas áreas de saúde, educação e organizações.

Buscamos ainda, por intermédio desta diretoria, o envolvimento e compromisso de nossos
formadores com o estudo, a pesquisa científica e a publicação do que fazem -incentivando nossos alunos a se tornarem de fato e direito profissionais de psicodrama.

Na Diretoria de Eventos Culturais, coordenada por Manoel Dias Reis (Regional Centro-Oeste -SOGEP), estamos trabalhando e levando em conta os critérios para eventos estabelecidos
na gestão anterior, como apoio, e promoção, garantindo tempo hábil para a profissionalização na execução de nossos espaços de estudo, pesquisas e de trocas efetivas que consolidem o nosso saber.

A agenda dos eventos nacionais e internacionais desta gestão estará sendo gerenciada para
evitar atropelos e coincidências de datas. Assim, poderemos desfrutar efetivamente de nossos
encontros.

O 11° Congresso e os Encontros de professores, supervisores e coordenadores de ensino já
estão em andamento com suas comissões organizadoras. Queremos contar com idéias e
sugestões de todos os psicodramatistas.

Coordenada por Maria Cecília Veluk Dias Baptista (Regional Sudeste -Delphos) está a
Diretoria de Divulgação e Coli1unicação, que estará implantando alguns novos projetos e
mantendo outros anteriores de importância significativa. A Revista Brasileira de Psicodrama,
trabalho extremamente competente, é um dos nossos mais belos produtos. O nosso veículo de
comunicação científica e o levantamento e organização de um acervo histórico e científico
da especialidade serão o carro chefe desta diretoria.

Desta forma, convidamos o editor Wilson Castelo de Almeida, com sua equipe, a prosseguir na edição da Revista que, prontamente, aceitou continuar trabalhando junto a esta diretoria.

Já o jornal da FEBRAP, com sua publicação trimestral, terá nova apresentação com o intuito
de torná-lo mais agradável à leitura. Estamos, também, implantando o Boletim, como uma forma de promover a comunicação rápida e direta entre a diretoria executiva e as federadas.

Atentos à divulgação da FEBRAP, criaremos uma home-page na Internet. Já disponibilizamos
um E-mail, facilitando nossa comunicação. E ainda estaremos atentos ao papel social da
FEBRAP no que se refere ao desenvolvimento de ações junto à comunidade, no sentido de
fortalecer a imagem do psicodramatista, divulgando e criando mais oportunidade de mercado
de trabalho. Além de manter contatos com entidades de diversas áreas para vendagem de
nossos produtos. Faremos, ainda, um esforço permanente na condução da biblioteca e audio-
videoteca, bem como do patrimônio científico-cultural da FEBRAP.

Nossa antiga diretoria de infra-estrutura tem agora nova apresentação -Diretoria de Admi-
nistração e Finanças -e está sendo coordenada por Heloisa Junqueira Fleury (Regional SP
-Sedes Sapientae). O principal objetivo desta diretoria é viabilizar nossos produtos, como os
psicodramatistas atuantes, a revista, o jornal e eventos, obtendo parcerias para captação de
patrocínios, apoio e divulgação.

Outra finalidade importante é a criação de uma rede de benefícios entre os psicodramatistas, proporcionando ganhos indiretos. A captação destes recursos será aplicada para o desenvolvimento técnico-científico e administrativo da FEBRAP, visando sua autonomia financeira.

É esta diretoria que possibilita a estrutura e consecução de nossos projetos tomando a Federação mais organizada e ágil no atendimento a seus clientes.

Os Suplentes Carlos Alberto Souza Borba (RegIonal SP -SOPSP) e Dalka Chaves de Almeida Ferrari (Regional SP -Sedes Sapientae) estarão nos assessorando e cuidando de projetos
específicos. Carlos Borba estará cuidando, mais particularmente, do acervo da audio-videoteca e ainda à frente do contato com as federadas, concretizando o nosso projeto de aproximação
entre a Diretoria Executiva e as federadas.

Dalka Chaves participará com a Diretoria de Ensino e Ciência, trabalhando junto aos projetos
sociais e educacionais.

Esta diretoria tem ainda como tarefa implantar as mudanças estatutárias definidas na última
assembléia e promover novas assembléias para a continuidade do trabalho estabelecido.

Agradecemos a diretoria anterior por nos deixar caminhos tão importantes e às federadas por nos apoiarem.

Contamos com todos para a realização de todos estes projetos com respeito e competência.


Marlene Magnabosco Marra

Presidente da FEBRAP

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Tratando a Síndrome do Pânico com Psicodrama

"Toda e qualquer segunda vez verdadeira,é a libertação da primeira... "
J. L. Morerio (Moreno, 1987:77)

A síndrome do pânico caracteriza-se por ataques inesperados e recorrentes de ansiedade, acompanhados por vários sintomas cognitivos e somáticos: palpitação, sudorese, tremor, dispnéia, asfixia sufocante, sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio, náuseas ou desconforto abdominal, calafrios ou onda de calor, dor ou desconforto no peito, despersonalização ou desrealização, pafestesia, sensação eminente de morte, de enlouquecer ou perder o controle. Sempre os sintomas vem acompanhados de intensa ansiedade, sem ser, obrigatoriamente, em pacientes ansiosos, depressivos ou clínicos.

Embora conhecida há mais de um século, só em 1980 foi incluída como entidade ilosológica
DSM-III.

O pânico é uma sensação desproporcional de medo sem nenhum referencial lógico, mas é o resultado de "algum" tipo de vivência não-elaborada e sem controle pela pessoa, que está localizada em zonas caóticas e indiferenciadas do psiquismo longe do referencial consciente, mas que faz parte da identidade.

Embora as crises durem apenas minutos, o tempo parece ser infinito (para o paciente), e algumas vezes, realmente perdura, apresentando dramatizações especificamente na área cardiológica, intensificando a sintomatologia do medo de morrer, levando o paciente, na maioria das vezes, a socorros de urgências.

Depois da primeira crise surge um novo sintoma a que é o medo de ter MEDO. Geralmente, o paciente, com a sensação de medo, busca sair rapidamente de onde quer que esteja e, depois, fica com medo de frequentar qualquer lugar que lhe lembre essa experiência (ônibus, multidão, etc.), m edo qeficar sozinho ou ir a lugares públicos.

Buscando a compreensão do pânico

Revisando a bibliografia sobre o assunto, pode-se encontrar vários artigos onde apenas se
depreende que haja um processamento inadequado das informações pelo indivíduo. Isto ocorre
de tal forma que, de um estím4lo externo (uma mudança brusca de luminosidade, um ruído, um telefonema) OU um estímulo interno (reconhecimento repentino de sensações de taquicardia, vertigens ou náuseas, etc.) decorreria uma informação de perigo ou ameaça iminente que dispararia, por sua vez, a ativação simpática. As sensações corporais subseqtientes "confirmariam o perigo" e gerariam interpretações mais catastróficas ainda, proporcionando mais ansiedade, numa espiral crescente e rápida. (Semelhante ao estado de "alerta", como resposta a uma ameaça que aciona o sistema nervoso autônomo, gerando, em todo o corpo, condições de defesa sem nenhuma ordem voluntária.)

Diversos autores apontam que o trfltamento cognitivo-comportamental parece resistir mais às
recidivas, tornando-se um tratamento de escolha para um problema considerado crônico pela literatura mais atual. Este tratamento não oferece efeitos colaterais, como os medicamentos antidepressivos, seu período de latência pari! ocorrência dos resultados é comparável ao do tratamento medicamentoso, e ainda apresenta a vantagem de poder oferecer estratégias de enffentamento centrado na pessoa e não em agentes externos. Desta forma, este tem sido
reconhecido como um tratamento efetivo.

Diante de tais evidências, pode-se constatar que a medicina biológica está sem resposta e que
apenas supõem existir "algo" desconhecido na estrutura desses indivíduos. Este "algo" seria parte da etiologia do transtorno que o medicamento e a psicoterapia ainda não chegaram lá, considerando-se, assim, o pânico como um quadro crônico. Este artigo aponta para o esclarecimento desta questão; pois acredita-se que na hora que se desvenda situações demonstrativas das primeiras repressões vividas pelo indivíduo, se observam cenas que
demonstram a tentativa reparatória deste indivíduo, que diante de sucessivas frustrações
reparadoras, desencadeará os sintomas do pânico.

Etiologia à luz do Núcleo do Eu

N o início da formação do ser humano, de acordo com a Teoria do Núcleo do Eu de Rojas- Bermudez, apenas as sensações estão presentes e elas serão o núcleo da futura personalidade do indivíduo.

Neste período, a partir de uma complementaridade entre as estruturas geneticamente progra-
madas internas (EEGGPPII) e as estruturas exter nas (EEGGPPEE), estão se formando os modelos de ingeridor, urinador e defecador, que constituirão a "Identidade Psicológica" do indivíduo.

Se nesta fase de vida, a complementaridade entre criança-sensações (EEGGPPII) e os que
dela cuidam (EEGGPPEE) não for adequada, ocorrerá um desenvolvimento psicológico
incompleto, compromentendo, portanto, a identidade integral do indivíduo.

Nesta situação, ocorrerão furos (ou porosidades) que poderão provocar confusão entre as
áreas (mente, corpo e ambiente), e que demandarão. mecanismos reparatórios para impedir a
mistura entre elas.

Neste artigo, procura-se estabelecer a correlação entre os mecanismos reparatórios e sua tentativa de alívio da confusão entre as áreas e os conseqiientes sintomas do pânico. Busca-se, assim, reparar o processo de repressão parental.

Constatações clínicas

Por meio de estudos de casos, pode-se comprovar que a partir de sua compreensão e intervenção psicoterapêutica há uma melhora de 100% do "quadro pânico", tornando, assim, através da diminuição dos sintomas, a vida de seus portadores suportável.

Logo no início do tratamento, a melhora se dá não só no esparsar das crises como na redução
dos sintomas, desaparecendo, principalmente, os mais fortes.

A profilaxia também é possível na utilização desta forma de tratamento, desde que haja um
diagnóstico precoce (precedente às crises) bem desenvolvido que possibilite o conhecimento das causas dos sintomas. Este diagnóstico deve também permitir que se encontre na história do paciente dados que demonstrem como se caracterizou a evolução dos fatos causadores de sua crise de pânico.

Conclusão

Nesteartigo,apresenta-se a hipótese de que "O Pânico", seria uma busca de reparação -iniciando-se desde a formação do Núcleo do Eu e repetindo-se a cada nova cobrança do ambiente, na tentativa de adequar-se (ao externo). Com isso, o indivíduo vai reprimindo sua espontaneidade cada vez mais e suas necessidades mais básicas ficam insatisfeitas.

Na condição de interventores terapêuticos, abordamos várias dessas situações registradas
como insatisfatórias, mas que o paciente teve que aceitar o que lhe foi exigido no passado, Revivendo-as na cena dramática, é oferecida a oportunidade de criar uma melhor forma para atender seus anseios, diferente da que foi vivida no passado.

Essas situações aparecem no decorrer do processo terapêutico e devem ser trabalhadas uma a
uma. A seqtiência das situações escolhidas não é aleatória. Elas aparecem dentro da possibilidade do paciente, e são trazidas por ele.

Sempre que percebemos não ter havido resposta de percepção do paciente e, consequentemente, a não melhoria dos sintomas, constatamos que não era suportável ainda ao protagonista entrar em contato com aquele momento que lhe causava dor. Assim, outras cenas, menos carregadas de emoção, devem ser vistas antes. E, em outro momento, a cena principal reaparece e novamente (de outra forma) deve ser reproduzida no palco, na tentativa de que desta vez seja mais satisfatória, resultando um ato criador numa dimensão suportável e reparadora.

Dentro das possibilidades, esses conteúdos vão se aprofundando e, com isso, vai-se vencendo progressivamente o alto nível de resistência conteúdos de dor.

Portanto, quando a terapeuta se propõe a acompanhar esses clientes em seus temas mais
superficiais, conquista espaços para ir se aproximando de um material mais profundo (como no
descascar de cebola).

As repressões parentais surgidas na época da formação do Núcleo do Eu não são trazidas por
lembranças de fatos que a memória não alcança, mas com o auxílio de uma anamnese detalhada desta fase da vida. Assim, é possível circundar as possíveis emoções vividas, de acordo com os sentimentos ou fatos informados pelo cliente.

Torna-se possível, então, produzir cenas revelando a emoção, independente da não-lembrança de fatos e da ausência da "marca mnêmica". Visto que, contando com este novo ego-auxi-
liar (o terapeuta), num novo "estatus nascendi" (a ação dramática), e num novo locus (o palco), as respostas inadequadas (o pânico) vão sendo substituídas por respostas mais adequadas (poder pedir e ser atendido, gerando uma retomada do comando da própria existência, até então temporariamente perdido, revelado pelas crises de pânico).

Com esta condução, é possível auxiliar a "reparação" do "reparado", não modificando o que está na história do paciente, mas permitindo que ele a conheça em toda intimidade, aproximando-o mais de sua verdade primeira, para que neste novo movimento ocorra o que foi descrito por Moreno.

"Todo passado é exumado de seu túmulo e acode imediatamente ao chamado. Não emerge apenas para curar-se, para alívio e catarse, mas é também o amor a seus próprios demônios que impede o teatro a libertar-se de suas cadeias. Para poder escapar de suas janelas, rasgam suas feridas mais profundas e secretas, e elas sangram agora externamente, ante os olhos da gente."
J.L. Moreno (Moreno, 1987:77)


Zenaide de Faria Neves Regueira
Professora Adjunto da Faculdade de Medicina de PE,
Psicodramatista e Professora de Psicodrama

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10° Congresso Brasileiro de Psicodrama -1996

Foram, dois anos intensos, organizando o 10° Congresso Brasileiro de Pslcodrama que ocorreu de 6 a 10 de novembro de 1996, na Pousada do Rio Quente, Goiás.

Como toda organização de um congresso, esta foi repleta de cuidados, tanto no que se refere aos detalhes quanto aos aspectos gerais-

" Apesar da situação econômica do país, contamos com a participação de 650 congressistas brasileiros e vários estrangeiros. Acreditamos ter alcançado nosso objetivo máximo quando, a partir do tema" Ato Criador, Ciência e a Construção do Homem", assistimos aos autores, em noite de autógrafo, enriquecendo cada vez mais a produção científica brasileira. Só podemos elogiar a parte científica do Congresso, em que foram apresentados trabalhos de magnífica qualidade. Referências feitas à forma como as atividades se davam simultaneamente, fazendo valer assim as escolhas sociométricas; sinal de maturidade em nosso movimento psicodramático brasileiro. Foi realmente um Ato Criador, tendo em vista as novas respostas constantemente dadas às mais diferentes situações e ainda a certeza de que, terminado o evento, resta-nos muito a ser digerido, elaborado e sobretudo transformado", afirma

Wilma Silveira Bueno, Presidente do evento.

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Prepare-se para o 11º Congresso Brasileiro de Psicodrama

"Já estamos trabalhando para a realização do 11° Congresso Brasileiro de Psicodrama."

Esta é a frase do dia da Comissão Organizadora do evento composta por: Presidente -Manoel Dias Reis, Comissão Científica -Maria Eveline Cascardo Ramos, Tesouraria -Carlos Daniel Dell' Santo Seidel, Sócio-Cultural -Adélia Tavares de Almeida, Logística - Denis Soares da Rocha Tavares, Divulgação -Magda Regina Rosa.

A Comissão Organizadora está constituída e trabalhando desde dezembro de 96, e conta com representantes de todas as entidades da Região Centro-Oeste.

O 11° CBP é um evento importante na sua função de proporcionar a oportunidade de debates
teóricos, tão necessários ao desenvolvimento e atualização do papel de psicodramatista. A data já está marcada: de 4 a 8 de novembro de 1998. Quanto ao local, a Comissão informa que
está avaliando o que melhor poderá acolher o evento e oferecer boas condições de trabalho. Tão logo fique decidido, dará notícias. "Os planos são muitos, o trabalho que nos espera é sério, o desejo de acertar é enorme. Precisamos que todos os psicodramatistas comecem a se aquecer para a produção e que as entidades iniciem a mobilização de seus associados para participarem dos eventos.

Nós, da Comissão Organizadora, contamos com a sua colaboração. Você pode falar com Patrícia ou enviar o seu fax diretamente", informam os organizadores.

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O Psicodrama no Cenário Internacional

Um relato preciso do psicodramatista Sérgio Perazzo mostra nossa participação no I Congresso Ibero-Americano de Psicodrama, como um dos co-organizadores deste evento. O resultado do Congresso aponta para um dos objetivos e metas também desta atual diretoria, o investimento no intercâmbio internacional de nossas experiências e nossa produção científica.

Agradecemos a Sérgio Perazzo e a anterior. diretoria da FEBRAp, na pessoa de Oswaldo
Politano Júnior; que tanto contribuíram para nosso brilhantismo na Espanha.
(Marlene Magnabosco Marra -Presidente da FEBRAP.)

Salamanca, um congresso histórico

01 Congresso Ibero-Americano de Psicodrama ficou para sempre gravado no arenito dourado de uma universidade espanhola quinhentista. Salamanca não poderia ser um cenário mais perfeito para a melhor safra do psicodrama da língua de Cervantes e Camões.

A afirmação de que este congresso foi, seguramente, histórico, tem por base não a idade e
opulência dos edifícios e monumentos daquele pedaço de Península Ibérica, mas a importância
dos acontecimentos que lá se desenrolaram.

De início, nunca o Brasil esteve tão solidamente presente num congresso de psicodrama fora do país. Estiveram presentes quase duzentos brasileiros, o que representa, aproximadamente, setenta e cinco por cento de todos os participantes. E foram estes psicodramatistas brasileiros que apresentaram na Espanha mais de setenta trabalhos práticos e teóricos para nossos colegas espanhóis, portugueses, argentinos, uruguaios, venezuelanos e até para dois alemães, que também estavam presentes.

Além desta riquíssima troca, que mais não detalho apenas por falta de espaço, melhor ainda foi
poder observar e participar ativamente do nascimento de um bloco ibero-americano de psicodrama, num movimento de importância política sem precedentes para países de língua latina.

Espanhóis e portugueses acostumados a sentirem-se à margem da Europa, apesar da Comunidade Européia, e latino-americanos cronicamente relegados a um papel secundário na América, quando confrontados Com os "irmãos" de linhagem anglo-saxônica, se uniram, finalmente, para tomar posse da consistência intelectual e científica que os caracterizam. Esta consciência deu os primeiros passos em Salamanca, em direção à tradução dos livros brasileiros de psicodrama para o esparihol (o Brasil já traduz para o português os livros espanhóis e argentinos) e, num segundo estágio, no sentido de construção de um projeto para a tradução para o inglês dos livros de psicodrama dos autores de todo o bloco ibero-americano.

Para isso iniciamos um movimento de maior participação latino-americana no IAGP (Associa-
ção Internacional de Psicoterapia de Grupo ), da qual o próximo presidente eleito -que tomará
posse no Congresso Internacional, em Londres, em 1998 -é Roberto de Inocencio Biangel, presente em Salamanca e que, além de nos dar todo apoio, exigiu de nós presença e colaboração na consolidação do bloco latino.

A forte participação brasileira não teria sido possível se nossos queridos colegas espanhóis não
nos tivessem recebido de braços abertos. Destaco aqui, no todo da Comissão Organizadora, o papel fundamental da sua coordenadora, Elisa Lopez Barberá, e o nosso elo de ligação Brasil-Espanha, Angela Refiones. Tudo foi feito para nos acomodar e possibilitar a apresentação de nossos trabalhos.

Foi aberto, prontamente, um espaço de homenagem ao nosso querido colega Arnaldo Liberman
(falecido repentinamente quando viajava para o congresso), em que não só o trabalho que inscrevera foi apresentado por Heloisa Fleury, como também foi mostrado um vídeo, gentilmente cedido pelo grupo de Teatro de Reprise, do qual Arnaldo participava, com cenas inesquecíveis deste elenco psicodramático de decisiva presença entre nós.

Como desfecho, foi decid;ido por consenso entre os delegados dos países participantes que o
próximo congresso ibero-americano, em 1999, será realizado no Brasil. Preparem-se desde já. No Brasil não há motivos para faltar.

Sergio Perazzo


Brasil: destaque em Salamanca

Em sua trajetória, Salamanca tem sido protagonista dos feitos mais significativos da Espanha, sendo sua Universidade uma das mais antigas e a terceira mais importante da Europa.
No momento atual, transformando seu centro histórico em contexto psicodramático para realizar este importante evento ibero-americano, envolveu-se num ritmo emocional teórico-prático que deu a todos os seus participantes novos sons, cores, afetos, cenas e conteúdos científicos, proporcionando aos promotores, organizadores, atores, diretores e a todas as pessoas envolvidas, ricas trocas e a escolha do Brasil para cenário do II Congresso em 1999.

O Departamento de Psicodrama do Sedes, representado por um grupo significativo de dez psicodramatistas, dirigindo vivências e apresentando trabalhos nas mais diversas áreas, quer parabenizar a FEBRAP na pessoa de sua presidente, Marlene Magnabosco Marra, pela forma como o Brasil se destacou e se fez representar por todas as entidades brasileiras presentes, com classe, dignidade e competência, acrescentando mais força e beleza não só à imponente sala Paraninfo e demais dependências da Universidade, como também ao movimento psicodramático
internacional.

Herialde Oliveira Silva

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55º Conferência Anual de Psicodrama da ASGPP

A temática cemtral da conferência deste ano da Sociedade Ameericana de Psicoterapia de Grupos de psicodrama(ASGPP),que aconteceu no coração da Time Square em Nova York,de 20 a 24 de fevereiro,foi a "AÇÂO".Vários painéis,workshops e palestras,sob o comando de profissionais tarimbados,abordaram o tema nos mais diferentes enfoques,sempre compartilhando com os psicodramatistas a importância da ação e da criatividade no processo terapêuticos.

Sequndo Marco J. Herman,"Beyonde Moreno"ou"Além de moreno" foi o ponto alto. Amigos e familiares de J.L.Moreno encontraram-se para recordar momentos vividos com ele e para falar sobre as tranformações e o desenvolvimento do "psychodrama original", Presentes: Zerca, Regina, Moreno, Marcia Karpp, Lewis Yablonsky, Carl Hollander enre outros tantos.

Foi realizado um almoço em comemoração da 80º primavera de Zerka, no mais fiel estilo americano.Balões dourados,alegria,espetáulo em homenagens á aniversariantes e entrega dos"awards"para os que mais destacaram-se dedicações, colaboração, inovação, estudo e pesquisa em psicoterapia de grupo e psicodrama.

"Nós,brasileiros,além de participarmos de wokshops,tivemos o prazer de desfrutar de bate-papos descontraídos com Zerka,Regina,Jonathan Moreno, René Marineau,Florence Gunter entre tantos outros psicodramatistas.Desta aproximação,ficou a sensação de que,independente de idade,nacionalidade,credo,sexo e cor,o nosso dinâmico universo psicodramático está cada vez mais criativo e continua fazendo história",concluem Marco Maida e Maria Paula Hermann.



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Outras edições

 





Brasil, quarta, 20/08/2008


Última atualização: 13/08/2008


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